A situação da Build a Rocket Boy, estúdio responsável por MindsEye, parece ter chegado a um momento crítico. Depois de várias rodadas de demissões que já afetaram centenas de funcionários, novos relatos indicam que a empresa pode estar caminhando para encerrar suas atividades.

Ainda não existe uma confirmação oficial de que a companhia será dissolvida, mas diferentes fontes e declarações de funcionários apontam para um cenário bastante complicado.
MindsEye foi lançado em junho de 2025 e teve uma recepção extremamente negativa. O jogo terminou com 39 no Metacritic no PC e 29 no PlayStation 5, números que o colocaram entre os lançamentos de pior avaliação daquele período.
O desempenho do jogo foi seguido por uma série de problemas dentro da própria Build a Rocket Boy. Ao longo dos meses, mais de 400 funcionários foram afetados por diferentes rodadas de demissões, enquanto a liderança do estúdio passou a enfrentar questionamentos sobre as decisões tomadas durante o desenvolvimento e após o lançamento.
Funcionário afirma que ficará na empresa “até o fim”
Um dos sinais mais recentes veio de Dan Hawkins, principal parceiro de aquisição de talentos e gerente de operações de RH da Build a Rocket Boy.
Em uma publicação no LinkedIn, Hawkins revelou que está procurando um novo emprego e afirmou que pretende permanecer na Build a Rocket Boy “até o fim”, ajudando o departamento de recursos humanos a encerrar as atividades.
Hawkins trabalhou por quase cinco anos na empresa e contou que foi o primeiro funcionário contratado para a equipe interna de recrutamento. Segundo ele, participou do crescimento do estúdio de aproximadamente 200 para 550 funcionários em um período relativamente curto.
A declaração ganhou força justamente por sugerir que o processo atual não seria apenas mais uma rodada de cortes.
“Vou acompanhar a BARB até o fim, ajudando a finalizar as coisas aqui no departamento de RH”, afirmou Hawkins em sua publicação, ao mesmo tempo em que se colocou à disposição para novas oportunidades dentro ou fora da indústria de games.
A mensagem não representa, por si só, uma confirmação oficial do fechamento da empresa. Mas, considerando todo o histórico recente da Build a Rocket Boy, naturalmente levantou ainda mais dúvidas sobre o futuro do estúdio.
Fontes divergem sobre o destino da empresa
E aqui está a parte mais curiosa da história.
Segundo fontes ouvidas pela Kotaku, a Build a Rocket Boy estaria realmente se preparando para fechar as portas. Já uma fonte ouvida pela IGN apresentou uma versão diferente: mesmo que todos os funcionários sejam dispensados, isso não significaria necessariamente que a empresa será formalmente dissolvida.
Ou seja, neste momento existem relatos conflitantes sobre o destino jurídico e operacional da companhia.
O que parece estar acontecendo é uma nova rodada de cortes, mas ainda não está claro se isso representa o encerramento definitivo da Build a Rocket Boy ou uma reestruturação em que a empresa permaneceria aberta de alguma forma.
Crise de MindsEye deixou marcas profundas
Desde o lançamento de MindsEye, a Build a Rocket Boy esteve envolvida em diversas controvérsias.
Uma das mais incomuns surgiu quando o co-CEO Mark Gerhard afirmou que fatores como “atividade criminosa”, incluindo suposta espionagem organizada e sabotagem corporativa, teriam contribuído para o fracasso comercial do jogo.
Posteriormente, o estúdio lançou uma missão de DLC chamada Blacklisted, afirmando que ela apresentaria à comunidade parte das evidências relacionadas à suposta sabotagem.
A estratégia, porém, não parece ter alterado significativamente a percepção pública em relação ao jogo ou à situação do estúdio.
O cenário interno também provocou manifestações de antigos funcionários. Em julho, trabalhadores demitidos protestaram em frente ao escritório da Build a Rocket Boy em Edimburgo, justamente enquanto a empresa realizava um evento de testes de MindsEye bancado integralmente para os participantes.
Os ex-funcionários questionaram o fato de jogadores estarem participando de atividades que, segundo eles, normalmente seriam realizadas por profissionais contratados para testes.
Durante o protesto, o ex-funcionário Isaac Hudd criticou a condução do estúdio após o lançamento de MindsEye, afirmando que a empresa passou por um período intenso de crunch antes da chegada do jogo e que as demissões posteriores atingiram pelo menos 250 funcionários naquela fase.
Hudd também criticou a postura da liderança diante do fracasso do jogo, além do lançamento do conteúdo relacionado às alegações de sabotagem e da realização do evento com jogadores.
O que acontece agora?
Por enquanto, a situação permanece em aberto. Há relatos apontando para o fechamento da Build a Rocket Boy, enquanto outras informações indicam que a empresa pode sobreviver formalmente mesmo após uma eventual dispensa de todos os seus funcionários.
O que não parece estar em dúvida é a dimensão da crise enfrentada pelo estúdio. MindsEye chegou cercado por expectativas, mas seu lançamento foi seguido por uma recepção extremamente negativa, sucessivas demissões, acusações públicas, controvérsias internas e questionamentos sobre as decisões tomadas pela liderança.
Agora, a própria estrutura que criou o jogo pode estar chegando ao seu capítulo final.
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Essa história é daquelas que a gente acompanha e pensa: como é que chegou nesse ponto?
A Build a Rocket Boy cresceu rapidamente, chegou a ter centenas de funcionários e colocou muita coisa em cima de MindsEye. Só que o lançamento não saiu como planejado e, depois disso, veio uma sequência de acontecimentos cada vez mais complicada.
O mais triste nessa história é que, independentemente do que aconteça juridicamente com a empresa nos próximos dias, existe uma quantidade enorme de profissionais que já perdeu o emprego no processo.
E agora aparece essa declaração de um funcionário dizendo que vai ajudar a empresa “até o fim”. É uma frase que, isoladamente, poderia significar apenas mais uma reestruturação. Colocada ao lado de tantas demissões e dos relatos de diferentes fontes, porém, deixa o futuro da Build a Rocket Boy realmente nebuloso.
Ainda não dá para colocar a placa de “fim de expediente” na porta. Mas, depois de tudo que aconteceu com MindsEye, o foguete da Build a Rocket Boy certamente está voando em uma direção bem diferente daquela imaginada quando o estúdio começou a crescer.
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