Review | Mexican Ninja: porrada, jutsus mexicanos e muita cara de pau

Vamos lá, Mexican Ninja. Primeiro, imagina um beat ’em up 2D e meio. Não é só esquerda e direita. Aqui você anda pras oito direções. Pra frente, pra trás, na diagonal. O cenário TODO é campo de batalha. Isso muda o jogo.
 

Você tá na rua, vê um casarão, umas latas, um canto que parece que não serve pra nada. Bate. Dá pra entrar por trás da casa. Tem caminho escondido, coisa pra achar e espaço pra explorar. O jogo tem direção, mas não te empurra numa linha reta.

Agora a história. Que história doida pra cacete.

O México foi invadido pelo Japão. E perdeu. Nasceu Nuevo Tokyo. A criminalidade saiu do controle e alguém pensou:

“Vamos juntar a Yakuza com o narcotráfico mexicano.”

Pronto.

Nasceram os Narkuza.

Sério.

É essa mistura sem noção que dá cara ao jogo. Letreiro, personagem, comentário de espectador, fala de criminoso… paródia pra todo lado. Quem conhece um pouco do Japão ou do México pega ainda mais as brincadeiras.

Graficamente, em alguns momentos me lembrou Viewtiful Joe. Não é igual. Mas aquele exagero de personagem e situação veio na hora.

E o jogo entende o que é briga de rua.

Apresenta a situação.

Depois…

porrada.

Você entra na rua, vê os caras e pensa:

“Bom… então vamos resolver isso.”

E resolve na mão.

Tá em português do Brasil, então não tem desculpa.

A parte mais interessante começa quando você morre.

Porque Mexican Ninja é roguelike. Não volta exatamente de onde estava. Cai numa zona segura, melhora o personagem e tenta de novo. Encontro aleatório, melhoria temporária e progressão permanente.

Na primeira vez eu cheguei num chefe.

Quase matei o desgraçado.

Quase.

Morri.

Voltei.

Dessa vez peguei outros poderes, encontrei outro mestre e montei o personagem diferente. O jogo me mandou por outro caminho. Não me devolveu na cara do chefe.

Fui de novo.

Mais forte.

Quando cheguei nele, a história era outra.

Você vai morrer.

Voltar.

Melhorar.

Tentar outro caminho.

Ficar mais forte.

E voltar de novo.

Aquele esquema:

“Agora eu consigo.”

Dá pra quebrar cenário, pegar recurso e gastar na zona segura em melhoria permanente. Cada tentativa tem propósito.

Principalmente quando você toma uma surra.

As regiões são curtas. Não vira tentativa de três horas.

Entra, joga, morre, volta, melhora, tenta de novo.

A jogabilidade não inventa moda.

Ainda bem.

Controles fluidos, movimentação boa e, nas minhas partidas, o jogo rodou redondo. Quase não achei bug.

Em lançamento atual, isso já merece palma.

O parry você destrava na progressão. Quando pega, começa outra brincadeira. Só que o timing, pra mim, ficou um pouco impreciso em alguns momentos. Não acho o sistema ruim. É que precisa do tempo certinho.

Com vários inimigos batendo junto, complica. Não tem aquele aviso sonoro ou visual bem claro. É olho, percepção, timing.

Demora um pouco pra pegar.

Quando pega, fica bom.

Os chefes têm padrão. Você observa, apanha, entende e tenta de novo.

Velha escola.

Vi gente reclamando de inimigo parecido demais.

Cara…

Tu nunca jogou Streets of Rage?

Nunca jogou Final Fight?

Isso é e sempre foi o padrão do gênero.

Mexican Ninja pega essa estrutura clássica e joga por cima o roguelike, os poderes, os jutsus mexicanos e essa mistura absurda. Espírito mexicano-japonês, árvore permanente Way of the Donkey, estilo de luta diferente.

Você combina jutsu com golpe, parry e movimentação.

É tudo exagerado.

E é essa a graça.

Visual acompanha.

Trilha funciona.

O jogo sabe o que é: beat ’em up.

Porrada.

Só que com mexicano, ninja, Yakuza, narco, espírito e uma cidade chamada Nuevo Tokyo.

Como isso não ia funcionar?

E a campanha não arrasta. Dá tempo de se divertir, pegar as mecânicas e enfrentar chefe sem chegar no:

“Pô, já deu.”

Ele sabe acelerar, sabe apertar e sabe o motivo de você estar ali:

querer sair na porrada.

Vale a pena?

Sim.

Se você gosta de beat ’em up, principalmente dessa leva que trouxe de volta o espírito de Streets of Rage 4, mas quer alguma coisa diferente, aqui tem.

É bonito, é divertido, tem personalidade e o combate funciona.

Não tenta transformar briga de rua em outra coisa.

Pega a fórmula, joga um monte de ideia maluca em cima e faz funcionar.

Eu gostei pra caramba.

É o tipo de jogo que você começa pensando:

“Vou jogar só um pouquinho.”

Aí morre.

Volta.

Fica mais forte.

Chega no chefe.

Morre de novo.

E pensa:

“Agora vai.”

E você vai.

Porque é beat ’em up.

A gente sabe como essa história termina.

Ou melhor…

começa de novo.

Palavra de Sussu.

0 Comentários

Postar um comentário

Post a Comment (0)

Postagem Anterior Próxima Postagem