Josef Fares nunca foi conhecido por medir palavras. Mas desta vez, o diretor de Split Fiction resolveu usar o microfone para defender justamente quem muita gente gosta de criticar: a Electronic Arts. Fundador da Hazelight Studios, Fares saiu em defesa da EA durante uma entrevista ao The Game Business, afirmando que a publisher acabou virando o “vilão padrão” da indústria, muitas vezes de forma exagerada.
E isso vem de alguém que trabalha com a EA há bastante tempo. Todos os jogos da Hazelight até hoje - A Way Out, It Takes Two e o recente Split Fiction - foram publicados pela empresa.
“Não é essa EA corporativa que as pessoas imaginam”
Questionado sobre a relação entre um estúdio conhecido por ser criativo, rebelde e autoral com uma gigante corporativa, Fares foi direto:
“Tem muita gente boa na EA. Eles sabem como a gente trabalha, respeitam isso e deixam a gente fazer o nosso jogo.”
Segundo ele, a imagem de uma EA fria, cheia de executivos de terno tomando decisões distantes da criação, não bate com a realidade que ele vive no dia a dia.
“Não é como se eu estivesse sentado numa sala com gente engravatada que não entende jogos. As pessoas com quem eu lido na EA são gamers. Elas amam jogos.”
“Todo mundo já errou… mas só a EA vira o vilão”
Fares também chamou atenção para algo que muita gente pensa, mas poucos dizem em voz alta: todas as grandes empresas da indústria já cometeram erros.
“Vamos ser honestos: não existe uma publisher no mundo que não tenha feito merda de vez em quando. Nintendo, Microsoft, Sony… todo mundo já fez algo errado.”
Ainda assim, segundo ele, a EA acabou carregando um estigma maior do que deveria.
“Às vezes sinto que a EA apanha mais do que merece. Por algum motivo, ela virou o grande vilão da indústria.”
Ele faz questão de deixar claro que não está dizendo que a EA nunca errou - mas sim que os erros não são exclusivos dela.
Hazelight continua independente criativamente
Talvez o ponto mais importante da fala de Fares seja este: a Hazelight continua sendo a Hazelight.
“As pessoas não precisam se preocupar. A Hazelight sempre vai fazer o que quer fazer.”
E, vindo de alguém que já mandou um “f*** the Oscars” ao vivo e construiu uma carreira baseada em jogos cooperativos fora do padrão, isso pesa.
Split Fiction segue voando alto
Lançado em março de 2025, Split Fiction já vendeu cerca de 4 milhões de cópias em pouco mais de dois meses, um número impressionante para um jogo 100% cooperativo. O jogo foi elogiado pelo visual e pela criatividade, mesmo mantendo uma base mecânica parecida com It Takes Two. Ainda assim, o ritmo variado e as ideias constantes garantem que a experiência se mantenha fresca até o fim.
E você, o que acha?
A EA merece mesmo toda a fama de vilã que carrega há anos? Ou a indústria simplesmente precisa de alguém para culpar sempre que algo dá errado?
Conta pra gente nos comentários.
Comentários