Análise : Guitar Hero: Metallica (XBOX 360 e PS3)


Formada, inicialmente, em 1981, pelo baterista Lars Ulrich, a banda de thrash metal Metallica teve seus primeiros dias com alguns percalços e problemas. A princípio, os guitarristas James Hetfield e Hugh Tanner se juntaram a Ulrich a convite do próprio baterista, sendo que Tanner não chegou a firmar na equipe. Seguidamente, alguns problemas com Dave Mustaine, atualmente líder da banda Megadeth, quase impediram o Metallica de seguir em frente, mas o estrelato veio, finalmente, no primeiro álbum "Kill 'Em All" e continuou em "Ride the Lightning". Sucessos como "Seek & Destroy", "For Whom the Bell Tolls" e "Ride the Lightning" fizeram a cabeça dos headbangers da época. No álbum "Master of Puppets", um dos maiores clássicos do Metallica foi lançado. Com o mesmo nome do disco, a música "Master of Puppets" era um épico com mais de oito minutos, contendo grandes seções instrumentais somados aos vocais inspirados de James Hetfield.

A história do Metallica, como qualquer outra banda de rock, envolve diversas mudanças de formação, polêmicas de mercado e mudanças de estilo e até mesmo a morte de um membro. Mas, nenhuma polêmica caracteriza mais o grupo quanto a briga comprada com o Napster, famoso programa de compartilhamento de músicas no início dos anos 2000. A confusão, capitaneada por Lars Ulrich, começou quando o Metallica descobriu que uma versão de sua nova música (na época) "I Disappear", trilha sonora do filme Missão: Impossível II, estava sendo compartilhada na rede do programa. Ulrich levantou a bandeira de que o compartilhamento digital de músicas era errado e criminoso. O fato baniu cerca de 400 mil usuários do programa, gerou uma imensa polêmica entre os fãs da banda e os defensores do MP3 e, por fim, encerrou os serviços do Napster, que não aguentou a pressão econômica.

Como os tempos mudam, hoje a ideia é outra, e o Metallica, vejam só, partilha suas músicas na internet. Obviamente, eles ganham para isso, graças às suas canções vendidas pelo iTunes e outros serviços. Mas o maior dos projetos digitais da banda acaba de se concretizar. Guitar Hero: Metallica é um game da série musical de maior sucesso dos últimos tempos, exclusivamente dedicado ao grupo de Lars Ulrich e James Hetfield, com algumas participações especiais. Anteriormente, a banda já havia tido experiência com o formato, incluindo uma de suas músicas em Guitar Hero III: Legends of Rock e Guitar Hero: World Tour, além de outras disponíveis para download em Rock Band e na própria série da Activision, como fez quando lançou seu novo CD na íntegra, Death Magnetic, para os títulos mais recentes de Guitar Hero. A princípio, o game foi revelado "sem querer", durante uma conferência de negócios da Activision. A partir daí, era dado como certa a produção de um Guitar Hero: Metallica. A confirmação veio apenas com o lançamento de World Tour, que trazia em seus extras um teaser trailer do novo game. Provavelmente você sabia de tudo isso, inclusive a história da formação da banda. Mas lembre-se que, principalmente tratando de videogames, sempre existem fãs mais novos, e eles não são minoria. É importante para todos terem uma ideia da mistura de controvérsia e magnitudade que envolve o Metallica, até por que, a inspiração do jogo veio neste sentido.

O principal intuito da banda em lançar um Guitar Hero exclusivo deles, segundo Lars Ulrich, veio a partir de uma inspiração em seus filhos. O baterista chegou a falar em entrevista que suas crianças e as de Hetfield eram "viciados" na série de games musicais e, a partir dali, eles conheciam e aprendiam sobre bandas antigas, como Deep Purple e Black Sabbath, e os gêneros mais roots do rock. A partir desse conceito, os membros do Metallica concretizaram a parceria com a Activision, pois, segundo James Hetfield, Guitar Hero era a série musical que "mais se encaixava com o conceito de rock da banda".

Da mesma forma que ocorreu com o Aerosmith, Guitar Hero: Metallica é focado na banda de Ulrich e Hetfield, mas também dá espaço para outras canções. O setlist é formado por cerca de 60% de músicas da banda, enquanto o restante era composto por bandas que influenciaram, de alguma forma, a carreira do Metallica, seja servindo de inspiração ou a partir de covers e regravações e até parceiros de turnês. Graças a isso, o setlist traz nomes como System of A Down, Foo Fighters, Diamond Head, Mercyful Fate, Queen e Motörhead. Entre clássicos modernos e antigos, a escolha das músicas está condizente com a temática do game e totalmente de acordo com a história do Metallica. O Diamond Head teve a música "Am I Evil?" regravada pelo Metallica, enquanto Mercyful Fate, a banda do sinistro King Diamond, está presente graças a algumas parcerias com o grupo. King Diamond, aliás, também está digitalmente no game, com um fiel modelo em 3D, da mesma forma que Lemmy Kilmister, do Motörhead, com todas as verrugas possíveis. Faltaram apenas algumas músicas boas e recentes do próprio Metallica, como a própria "I Disappear", geradora da polêmica Napster, ou "Mama Said". Não há músicas para download, mas o jogo é compatível com o álbum Death Magnetic, já lançado para os games anteriores, e também com as músicas criadas no GHTunes, em Guitar Hero: World Tour.

A jogabilidade permanece exatamente a mesma dos outros games da série Guitar Hero, com sutis mudanças no design geral. Para avançar no jogo, basta "tocar" as músicas, seguindo notas coloridas que equivalem a notas musicais. Tudo através de controles em formato de instrumentos, como guitarra e bateria. Há também a inclusão do microfone, para soltar a voz e cantarolar com o vocal mais thrash metal possível. As principais diferenças envolvem o fator dificuldade. Graças a um problema que a equipe de produção encontrou ao adaptar a bateria de Ulrich para o jogo, surgiu a ideia de permitir o uso de um pedal duplo no controle em formato de batera, vendido separadamente. Graças a isso, surge um novo nível, o "Expert+", que eleva a dificuldade a estágios insanos. Além disso, o game como um todo é bem difícil, superior aos anteriores neste quesito, dada a grande quantidade de riffs extremamente trabalhados nas guitarras, principalmente nas músicas antigas do Metallica. O modo "Battle", um dos tipos de multiplayer, é levemente modificado, com alguns dos powerups tendo seus nomes criativamente trocados, com referências à banda. "Fade to Black", por exemplo apaga as notas musicais do oponente, enquanto "Ride the Lightning" deixa o notechart adversário cheio de raios, impedindo que as notas venham em ordem correta. Infelizmente, o jogo não vem com instrumentos próprios, mas a Activision prometeu lançar carcaças para os já existentes.

Os últimos títulos da série Guitar Hero exibiam animações que contavam como um tipo de "enredo", algo que foi mais explorado aqui. Em Guitar Hero: Metallica, você faz parte de uma banda que acompanha o Metallica em todos os shows, no papel da "banda de abertura". O mais legal é que isso é baseado em um fato real. Durante uma turnê europeia, a banda encontrou com um grupo de malucos que os seguia em todo santo show. Até o dia em que surgiu a ideia de chamar aqueles "loucos" para realizar o show de abertura. Para dar um "quê" a mais na história do game, há uma banda rival de glam rock, que tem como missão barrar o tal grupo que você faz parte. Para isso eles contam com a ajuda de Lou, aquele demônio que é derrotado no final de Guitar Hero III: Legends of Rock. Ficou tudo muito bem montado. O início do jogo, inclusive antes de começar a história, abre com um épico show do Metallica, executando 'For Whom the Bell Tolls", um de seus maiores sucessos. O vídeo de abertura também merece destaque, com montagens animadas de todos os discos do Metallica. Até mesmo St. Anger, um dos álbuns menos querido da banda, se faz presente, mesmo não tendo nenhuma música dele no jogo.

Cada membro do Metallica está fielmente representado, graças ao trabalho de captura de movimentos, o "mocap", aquela técnica em que a pessoa fica com uma roupa cheia de bolinhas que detectam seus movimentos. A banda "tocou" cada música no estúdio da produtora, até mesmo com as guitarras sem corda, para simular seus movimentos e reproduzir uma perfeita captura. James Hetfield precisou ainda realizar uma captura adicional, para que os movimentos de seu rosto e boca batessem com as músicas. Todos os membros da banda estão representados com a aparência atual, mas, destrancando extras, é possível utilizar "skins" com suas aparências nos anos 80 e 90, como Hetfield de cabelo grande e o mais bruto o possível. Os palcos que a banda tocou em sua história também estão reproduzidos, inclusive com efeitos. Há até mesmo uma fase com a participação da orquestra que está presente no álbum ao vivo "S&M".

Todo o game tem um ar de tributo, como se fosse um DVD em edição especial dedicado ao Metallica. Como conteúdo extra, além das skins, ainda podemos citar fotos e vídeos "bootlegs", com trechos gravados de shows. A qualidade é baixa, mas é um material para se guardar, principalmente para os fãs. Além disso, boa parte das músicas possuem informações descritivas, como letra completa, dados (álbum, composição, ano de lançamento, etc) e até o que é chamado de "Metallifacts", que é um clip montado a partir da engine do jogo, com dados que vão passando pela tela, como a história da composição da música ou então a história de parceiros do Metallica. O game traz ainda dados de todos os membros, passados e atuais. É um trabalho muito bem feito, totalmente direcionado para os fãs tanto de Guitar Hero, quanto de Metallica.

O VEREDITO

Dado o seu tempo de produção, menos de um ano, Guitar Hero: Metallica é um produto que beira a excelência. É um legítimo game da série Guitar Hero com a adição de uma das maiores e mais famosas bandas de rock que a história já conheceu, mesmo que ela seja também uma das mais controversas e repleta de polêmicas. O ar de tributo, com diversos extras contidos no disco, é uma excelente adição para quem é fã de carteirinha ou para quem quer conhecer o trabalho do grupo, já que há até mesmo uma série de informações e dados sobre músicas e membros. O jogo está bem mais difícil, é verdade, mas isso já era esperado, graças aos detalhados riffs das guitarras de James Hetfield e Kirk Hammett, bem como o frenético pedal duplo de Lars Ulrich, enquanto o baixo de Robert Trujillo também não fica atrás. Se você é daqueles que pegaram raiva da banda graças aos problemas com o Napster, deixe as mágoas para trás e embarque no game, já se é fã, mas segue aquela máxima de que "Metallica só é bom até o Black Album", o jogo também é para você, já que o setlist não vai muito além disso.

SCORE FINAL : 9,0


Setlist

Músicas do Metallica:

All Nightmare Long
Battery
Creeping Death
Disposable Heroes
Dyers Eve
Enter Sandman
Fade To Black
Fight Fire With Fire
For Whom The Bell Tolls
Frantic
Fuel
Hit The Lights
King Nothing
Master of Puppets
Mercyful Fate (Medley)
No Leaf Clover
Nothing Else Matters
One
Orion
Sad But True
Seek And Destroy
The Memory Remains
The Shortest Straw
The Thing That Should Not Be
The Unforgiven
Welcome Home (Sanitarium)
Wherever I May Roam
Whiplash

Outros artistas:

Alice In Chains - No Excuses
Bob Seger - Turn The Page
Corrosion of Conformity - Albatross
Diamond Head - Am I Evil?
Foo Fighters - Stacked Actors
Judas Priest - Hell Bent For Leather
Kyuss - Demon Cleaner
Lynyrd Skynyrd - Tuesdays Gone
Machine Head - Beautiful Mourning
Mastodon - Blood And Thunder
Mercyful Fate - Evil
Michael Schenker Group - Armed and Ready
Motorhead - Ace of Spades
Queen - Stone Cold Crazy
Samhain - Mother of Mercy
Slayer - War Ensemble
Social Distortion - Mommy's Little Monster
Suicidal Tendencies - War Inside My Head
System of a Down - Toxicity
The Sword - Black River
Thin Lizzy - The Boys Are Back in Town

Fonte : FinalBoss






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