Yasushi Yamaguchi, o artista que deu vida ao nosso querido Tails, abriu o jogo sobre sua experiência trabalhando na Sega durante o desenvolvimento do JRPG Magic Knight Rayearth para o Saturn:
“As fases finais do desenvolvimento de Rayearth para o Saturn foram um verdadeiro inferno, e eu pensei que ia morrer. Vivi debaixo da mesa da empresa por mais de seis meses, e pensei que se continuasse na SEGA por mais tempo, morreria em breve. Por isso, saí da empresa após o desenvolvimento de Rayearth.”
E não foi só isso. Outro ex-funcionário trouxe detalhes sobre o caos nos bastidores da Sega e revelou detalhes ainda mais cabeludos sobre as tramoias que rolavam dentro da empresa naquela época: cargas de trabalho absurdas, chefes enlouquecidos por prazos impossíveis e contratações bizarras – incluindo a amante de um dos diretores – que só aumentavam a pressão sobre a equipe. A sorte é que alguns esquemas ilegais e desvios de verba foram descobertos antes de uma reunião com acionistas, evitando ainda mais caos.
"No Japão, havia a crença de que RPGs precisavam ser “fortes” para fazer sucesso. Foi aí que Hayao Nakayama resolveu criar a tal da RPG Production Room (que depois virou RPG Production Department). Só que, por algum motivo inexplicável, os chefões estavam obcecados em nos fazer produzir “jogos licenciados meia-boca” em prazos absurdamente curtos. Mesmo tendo seis meses para finalizar, eles frequentemente explodiam:
“Por que ainda não terminou?!”
"Um caso particularmente surreal envolvia Mamoru Shigeta, que conseguiu colocar sua amante como funcionária de escritório e contabilidade na RPG Production Room. O problema? Ela não sabia fazer absolutamente nada do trabalho. Isso sobrecarregou os funcionários de verdade, que passaram a acumular o trabalho de duas pessoas e chegaram à beira de um colapso no final do mês.
E quem teve a ingrata missão de tentar acalmar a situação? Eu mesmo, que, ironicamente, vivia me atrasando e causando mais confusão. No fim das contas, foi um golpe de sorte que os contratos ilegais e desvios de dinheiro vieram à tona antes da reunião de acionistas… e, claro, os responsáveis fugiram sem deixar rastros".
O mais impressionante? No Japão, raramente ex-funcionários falam mal publicamente de seus antigos chefes. Isso torna esses relatos ainda mais valiosos para quem quer entender o lado obscuro de uma das maiores eras da história dos videogames.
Se você já se emocionou com os clássicos da Sega nos anos 90, dá pra imaginar que por trás da magia havia pessoas pagando um preço alto demais por cada frame e cada pixel que chegava às nossas mãos.
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