Programador de Final Fantasy X não entende febre por gráficos de PS1: “Suávamos pra evitar distorção, agora dizem que é charme” !!

A nostalgia pelos anos 90 e 2000 está com força total - e isso não é só na música ou no cinema. No mundo dos games, cada vez mais estúdios independentes estão criando jogos inspirados na era do PS1, com direito a todos os defeitos visuais e limitações técnicas que marcaram aquela época. Mas será que os veteranos que viveram isso de perto enxergam essa tendência com bons olhos?
 
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Koji Sugimoto, programador da Square Enix que trabalhou em títulos como Final Fantasy X, Xenogears e Threads of Fate, deixou bem claro que não. Em um post recente no X (antigo Twitter), ele reagiu a uma demonstração da Unity Japan mostrando um recurso para recriar facilmente o famoso “texture warping” - aquele efeito de distorção nas texturas que a gente via muito no PS1.

A resposta de Sugimoto foi direta:

“Naquela época, nós trabalhávamos duro e tentávamos de tudo para evitar a distorção de texturas, só para hoje chamarem isso de ‘charmoso’.”

O vilão da vez: o “texture warping”

Pra quem não viveu ou não lembra, o “texture warping” acontecia porque o PlayStation original não tinha um Z-buffer (o famoso buffer de profundidade) e usava algo chamado affine texture mapping. Isso significa que o console não conseguia calcular corretamente quais objetos estavam mais perto ou mais longe da câmera, nem ajustar as texturas para simular perspectiva real.

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O resultado? Superfícies distorcidas, texturas “tremendo” na tela e um trabalho dobrado pros desenvolvedores, que precisavam criar truques para esconder esses defeitos.

Sugimoto lembra com certo trauma:

“É detestável. Gastei tantas horas de trabalho tentando contornar isso. Não entendo o que tem de tão interessante em tentar recriar esse problema.”

Do pesadelo técnico ao “charme retrô”

Curiosamente, o que antes era motivo de dor de cabeça pra programadores agora virou marca registrada de uma geração - e tem muita gente tentando imitar. Hoje, desenvolvedores usam hardware moderno para replicar propositalmente as falhas que, no passado, eram combatidas a todo custo.

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E não é só do lado dos criadores. A demanda por jogos com estética low-poly, visual PS1 e aquele “ar” de fita VHS velha é altíssima entre jogadores nostálgicos. Ainda assim, dá pra entender a frustração de quem passou noites em claro tentando eliminar exatamente esses defeitos.

No fim, talvez essa seja a ironia da história: o que antes era um bug, hoje é feature.

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