Hinako Shimizu promete ser uma das protagonistas mais intrigantes que já vimos em um jogo da série Silent Hill. Mesmo após três horas jogando o início de Silent Hill f, ainda é difícil dizer se ela é realmente tão inocente e altruísta quanto aparenta. Mas uma coisa é clara: assim como outros personagens icônicos da franquia, Hinako carrega um peso enorme de traumas e dores não resolvidas.
(Aviso: leves spoilers de Silent Hill f a seguir)
Em conversa com o PC Gamer durante a Gamescom 2025, o produtor da série, Motoi Okamoto, explicou como a narrativa da jovem foi moldada.
“O jogo acompanha os tormentos e turbulências de Hinako [Shimizu], uma jovem reprimida”, disse Okamoto. “Ela passou por muita repressão, e isso gera diversos conflitos internos. O foco que colocamos na história é em como Hinako reúne coragem para enfrentar essa repressão.”
Logo de início percebemos que Hinako não quer se conformar com o papel de filha submissa ou futura esposa obediente, como a sociedade japonesa da época esperava das mulheres. Diferente de sua irmã mais velha, ela não demonstra interesse em casamento e já não sente qualquer afeto por seu pai abusivo, que a ignora ou a agride verbalmente dependendo de seu humor.
Essa bagagem emocional pesada se alinha ao padrão dos protagonistas de Silent Hill. Afinal, sem traumas profundos, não existiriam monstros simbólicos para nos perseguir nos becos enevoados da cidade. Mas Silent Hill f vai além ao situar a história de Hinako na década de 1960 — um período crucial para o movimento feminista no Japão.
“A razão pela qual chegamos aos anos 60 é porque essa era representa a repressão feminina na sociedade japonesa”, explicou Okamoto. “Foi uma época em que essa opressão era muito forte, mas também um marco histórico para os movimentos pelos direitos das mulheres.”
O diretor Al-Yang, da desenvolvedora NeoBards, detalhou como essa dualidade se reflete na experiência do jogador:
“Dividimos a tensão e o horror em duas partes. A primeira envolve coisas que já aconteceram com ela ou com pessoas próximas. A segunda é o medo do que pode acontecer - a ansiedade sobre o futuro. Essas são as duas principais direções que seguimos, de forma semelhante a como Heather funciona em Silent Hill 3.”
Esse conceito do “medo do futuro” é algo que muitos jogadores conseguem relacionar com suas próprias vidas -0 desde preocupações banais até angústias existenciais mais pesadas. E, claro, Silent Hill sabe explorar esse tipo de fragilidade como ninguém.
Além disso, escolher os anos 60 dá um charme especial à ambientação:
“Essa era foi escolhida também porque está distante o suficiente para causar estranheza, mas ainda próxima da memória coletiva”, disse Al-Yang. “Você pode reconhecer um telefone, mas talvez nunca tenha usado um de disco. É a fronteira entre passado e mitologia, onde coisas familiares aparecem em formatos estranhos.”
Com lançamento marcado para 25 de setembro de 2025, Silent Hill f chega ao PS5, Xbox Series X|S e PC, prometendo mergulhar fundo em temas de repressão, feminismo e os terrores psicológicos que a franquia sempre soube entregar.
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