Mais um dia no século 21, mais uma polêmica envolvendo inteligência artificial substituindo trabalho humano. Desta vez, quem está no centro da confusão é Françoise Cadol, atriz que dubla Lara Croft nas versões francesas de Tomb Raider IV a VI. Ela enviou um aviso legal à Aspyr Media, subsidiária do Embracer Group, alegando que a desenvolvedora teria usado IA para “retocar” suas performances.
Como a polêmica surgiu
Segundo o site Game Developer, Cadol percebeu o problema em agosto, após um patch lançado pela Aspyr para a coleção Tomb Raider. As notas do patch mencionavam restauração de vozes, ajustes de volume e outras melhorias de áudio, o que normalmente não chamaria atenção. Mas fãs atentos notaram mudanças estranhas na atuação de Cadol.
Um vídeo do YouTuber francês Kingdom of Stott compara a atuação original da atriz com a suposta versão alterada por IA. Por volta de 9:56, é possível ouvir claramente a diferença: a performance modificada soa mais “metálica”, como descreveu Cadol ao jornal francês Le Parisien.
A atriz faz parte do movimento francês “Touch pas à ma VF”, que critica o uso de IA no áudio localizado, e muitos usuários na Steam já deixaram avaliações negativas acusando o uso de IA no jogo.
Apesar de existirem outros fatores que poderiam causar mudanças na voz, como ajustes de mixagem ou compressão de áudio, a rigidez da atuação sugere fortemente intervenção artificial.
Fãs especulam ainda mais
O vídeo também sugere que a IA pode ter sido usada em telas de carregamento recentemente adicionadas, mas essa alegação ainda é mais duvidosa. Mesmo assim, a tecnologia de IA está cada vez mais sofisticada, capaz de esconder suas “marcas registradas” - quem lembra das mãos malfeitas em primeiros testes de IA sabe bem disso.
O dilema moderno
Este caso ilustra o conflito contemporâneo: tecnologias avançadas que podem agilizar produções também ameaçam eliminar o talento humano que dá alma às obras que apreciamos. Cadol está basicamente levantando a bandeira de que voz humana importa, e que substituir isso por IA é problemático - ética e artisticamente.
Enquanto a Aspyr Media não se pronuncia oficialmente, o debate continua, com fãs e profissionais do áudio atentos a cada atualização da franquia.
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