Chefe do ID@Xbox fala sobre futuro dos indies no ecossistema Microsoft: “Trazer jogos para Xbox não pode ser um processo doloroso” !!

O Xbox está cada vez mais conectado ao PC - e, principalmente, ao Steam. E no meio dessa transformação toda, o ID@Xbox nunca foi tão importante. Para entender melhor o que está mudando, o site Windows Central conversou com Chris Charla, líder do programa indie da Microsoft, logo após mais uma edição de sucesso do Xbox Game Camp.

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ID@Xbox: muito mais do que um selo indie

Se você é novo no assunto, o ID@Xbox é o programa que viabiliza e publica jogos independentes no Xbox. Mas isso cresceu: hoje ele cuida também de títulos digitais de estúdios independentes maiores, funcionando como uma ponte direta entre criadores e a plataforma.

E essa ponte está ficando cada vez mais parecida com o PC. Com o Xbox Ally, com o próximo Xbox adotando uma arquitetura mais próxima do PC, e com o Windows dominando o desenvolvimento de jogos… o que falta mesmo é um nível de abertura mais “Steam-like”.

Xbox Game Camp: onde novos devs ganham espaço

Charla contou que o Xbox Game Camp segue firme como um dos projetos mais legais - e menos comentados - da Microsoft. São 12 semanas nas quais aspirantes a desenvolvedores recebem mentoria de profissionais da Xbox, participam de Q&As com nomes lendários como Ken Lobb e, em alguns casos, até recebem kits de desenvolvimento e certificações.

 

“Queremos que as pessoas entendam que criar jogos é possível”, diz Charla.
“É difícil? Sim. Dá trabalho? Muito. Mas é possível.”

Os Game Camps já rolaram nos EUA, na África, na Coreia e em várias outras regiões. A ideia é simples: abrir portas, formar equipes novas e mostrar caminhos para quem sonha em entrar na indústria.

Para quem quer começar sem universidade ou eventos? Charla é direto: “Assine o YouTube Premium. Sério. Uma ou duas horas por dia de vídeos sobre Unity, Unreal, Godot… dá pra montar um currículo inteiro.”

A comparação inevitável: Steam

Quando perguntamos sobre a percepção - comum entre devs - de que o Steam é muito mais fácil de lidar do que consoles, Charla foi transparente:

“Os devs não têm vergonha de dizer onde têm boas experiências e onde podemos melhorar. E sim, ouvimos tudo.”

Logo após a entrevista, a Microsoft até liberou publicamente suas regras de publicação, algo que por décadas ficou trancado sob NDA. É um passo importante para deixar o ecossistema mais aberto e previsível para quem cria jogos.

Charla reforça que simplificar processos é prioridade:

“Estamos trabalhando ativamente para tornar publicar no Xbox mais fácil e mais rápido. Não queremos que trazer jogos para o Xbox seja um processo longo e doloroso.”

E o Game Pass? Menos investimentos? Charla diz que não.

Alguns desenvolvedores têm sugerido que indie sem Game Pass dificilmente ganha visibilidade - e que o investimento no catálogo estaria diminuindo. Charla discorda:

“O investimento em jogos independentes e no ID@Xbox não está diminuindo.”

Os times de portfólio, Game Pass e ID@Xbox continuam avaliando jogos vindos do programa, e sim, assinam títulos. Não dá pra dizer “sim” para tudo, mas o canal está aberto.

O desafio da Microsoft: trazer mais jogos e mais devs para o ecossistema Xbox

A verdade é que o Xbox enfrenta um dilema complicado. A Steam já tem tudo: catálogo gigante, comunidade, ferramentas, automação, descoberta natural - e uma base enorme de jogadores. A Microsoft, por outro lado, tem hardware forte, integração com Windows e nuvem… mas falta conteúdo orgânico. Falta aquela avalanche de indies que escolhem a plataforma por conta própria.

E, pior: a Microsoft Store no PC ainda não ajuda. A curadoria é fraca, a descoberta é limitada, e o Game Pass domina tanto que acaba ofuscando jogos vendidos de forma tradicional. Enquanto isso, o Steam recomenda jogos relevantes, usa dados, movimenta vendas e eventos… e o usuário se sente mais “em casa”.

A boa notícia é que a Microsoft parece entender o problema. Com o corte de 88% para devs no PC, com a abertura das regras e com o foco em nuvem e PC gaming, o Xbox está tentando se reposicionar como uma plataforma mais aberta - e isso depende profundamente dos criadores independentes.

No fim, é simples: sem uma enxurrada de jogos novos, ousados e autorais, o ecossistema Xbox não cresce.
E é exatamente isso que o ID@Xbox quer destravar.

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