O lendário arquiteto do PlayStation, Mark Cerny, voltou aos holofotes para falar sobre o Project Amethyst, nova parceria entre a Sony e a AMD que promete moldar o coração tecnológico do próximo console da família PlayStation. Em entrevista à Digital Foundry, Cerny explicou os pilares dessa colaboração - e deu pistas bem claras de que o futuro do hardware da Sony será o mais ousado até hoje.
Anunciado no fim de 2024, o Project Amethyst é descrito como uma iniciativa conjunta em que a AMD lidera o desenvolvimento do hardware, enquanto a Sony foca em pesquisa e desenvolvimento de aprendizado de máquina (machine learning). Agora, com as novas informações, parece que estamos diante da base da próxima geração do PlayStation - com tecnologias inéditas e um salto significativo no uso de IA dentro do hardware.
Três grandes pilares: Neural Arrays, Radiance Cores e Universal Compression
Entre as inovações citadas por Cerny estão os Neural Arrays, que otimizam o processamento para tarefas específicas de aprendizado de máquina; os Radiance Cores, equivalentes aos “RT Cores” das GPUs RTX da Nvidia; e o Universal Compression, um sistema que promete melhorar a eficiência da memória gráfica.
Cerny explicou que a ideia é co-desenvolver o hardware junto da AMD, permitindo que as novas tecnologias sejam adotadas de forma mais ampla - não apenas no PlayStation, mas também em PCs e notebooks. Segundo ele, essa integração vai acelerar a adoção de recursos como ray tracing avançado e machine learning em todo o ecossistema.
O impacto do machine learning e o futuro da arquitetura PlayStation
Perguntado sobre a importância do machine learning na próxima geração, Cerny foi direto: “O que será aprendizado de máquina daqui a alguns anos? Acho que todos nós seremos surpreendidos.” Ele destaca que o novo hardware terá uma arquitetura poderosa e flexível para ML, abrindo espaço para novas formas de renderização, física e até inteligência artificial aplicada a NPCs e mundos dinâmicos.
Outro ponto interessante é a ênfase em acesso de baixo nível às ferramentas de aprendizado de máquina. Cerny comenta que, com o tempo, os desenvolvedores poderão trabalhar “mais próximos do metal”, o que significa um controle muito maior sobre o hardware - algo que costuma ser marca registrada dos consoles PlayStation.
PS5 Pro e além
O Project Amethyst também terá impacto direto no PlayStation 5 Pro, previsto para receber uma nova versão do FSR 4 (tecnologia de upscaling da AMD) em 2026, aprimorando o PSSR do console. Essa é mais uma etapa na transição para o futuro PlayStation, que já parece estar sendo construído com base nesses avanços.
E quando questionado sobre os desafios técnicos de compressão de dados e escalabilidade de memória, Cerny soltou uma frase que já virou manchete: “Você realmente percebeu a vitória!” - uma resposta ao entrevistador da Digital Foundry, que sugeriu que a compressão universal pode ser o grande trunfo para reduzir custos e ampliar o desempenho.
Ray tracing, rasterização e o próximo grande salto
Por fim, Cerny reforçou que, embora a rasterização tradicional continue essencial, o grande salto visual virá do avanço em ray tracing e machine learning. Em outras palavras: o foco agora é tornar a iluminação, os reflexos e a renderização neural partes naturais do design dos jogos.
Se o PlayStation 5 foi sobre velocidade e imersão, tudo indica que o próximo console será sobre inteligência e eficiência - um hardware que aprende, adapta e evolui junto com os jogos. E, vindo de Mark Cerny, isso já diz muito.
Postar um comentário