Você abre o jogo esperando uma aventura sci-fi qualquer.
E então, em menos de cinco minutos, percebe:
Lia: Hacking Destiny é diferente.
É barulhento, estiloso, frenético e - principalmente - brasileiro até o último pixel.

Lia: Hacking Destiny, desenvolvido pela Orube Game Studio, conhecida por pérolas como Super Mombo Quest e Dwarf Journey, é um roguelite 2D de ação ambientado em uma Terra pós-apocalíptica dominada pela MegaCorp - uma inteligência artificial corporativa que escraviza gatinhos, explora robôs e controla o planeta através de propaganda e manipulação.
O jogo mistura combate acelerado, humor metalinguístico e elementos narrativos leves, entregando uma experiência divertida, estilosa e cheia de personalidade. E você não leu errado: Tudo isso acontece em uma Terra pós-apocalíptica dominada por…
uma megacorporação tirânica que escraviza gatinhos.
Sim. Gatinhos.
Que dançam.
Tocam piano.
E usam fantasias ridículas.
E esse é só o começo.
MEGACORP, PROPAGANDAS, ROBÔS E UM FUTURO QUE FOI LONGE DEMAIS
O mundo de Lia é sujo, irônico e absurdo - e ao mesmo tempo assustadoramente familiar. Um futuro onde uma inteligência artificial chamada Executor comanda tudo, envia robôs para trabalhar até quebrar… e ainda solta ameaças de morte com educação corporativa:
“Olá colaborador! Você está sendo eliminado. Tenha um ótimo dia!”
Você não apenas luta contra robôs: você esbarra em propagandas manipuladoras, resolve CAPTCHAS insanos para provar que NÃO é humano (sim, é isso mesmo), coleta conversas de WhatsApp de robôs explorados e tenta sobreviver a um sistema inteiro que está absolutamente corrompido.
É distopia.
É comédia.
É crítica social.
É Brasil, mas com lasers.
LIA - UMA PROTAGONISTA QUE CARREGA MAIS DO QUE UM NOME
Lia é jovem, inteligente e inquieta, não é uma heroína tradicional. Uma personagem que não aceita simplesmente que seu futuro está escrito em alguma linha invisível. Ela é uma jovem tentando entender seu lugar num sistema que parece maior do que ela consegue compreender. Ela quer entender. Ela quer quebrar. Ela quer reconstruir. E o jogo te faz sentir isso todos os minutos.
Essa não é a típica heroína de ação.
Lia é… curiosa.
O tipo de protagonista que evolui não por violência, mas por compreensão.
E isso é incrivelmente refrescante.
COMBATE - ACELERADO, VICIANTE E EXPLOSIVO COMO TODO BOM ROGUELITE DEVERIA SER
A Orube não brincou no combate. Lia: Hacking Destiny entrega um gameplay frenético, polido e cheio de impacto visual. O gameplay alterna entre combate corpo-a-corpo e à distância, permitindo ao jogador construir seu próprio ritmo. Cada run traz armas sorteadas com raridades diferentes, pistolas, metralhadoras, katanas, lança-chamas, bazucas, árvores de upgrades variadas e poderes especiais com efeitos visuais exagerados
Lembrando: os mapas são gerados proceduralmente. Assim cada partida é única. Os complexos de segurança mudam a cada vez, com salas, armadilhas e inimigos gerados proceduralmente. Então o jeito é se adaptar para avancar.
As combinações são praticamente infinitas, transformando cada tentativa em uma experiência nova. É aquele tipo de roguelite que te faz dizer:
“Só mais uma.”
E quando você percebe: já foram três horas.
HISTÓRIA, VOZES ORIGINAIS E IDENTIDADE BRASILEIRA
A narrativa é leve, cheia de gírias e piadas com cultura digital e corporativa. O destaque vai para a dublagem completa em português - feita por atores profissionais de séries e jogos renomados, COMO Arcane, Castlevania, Destiny 2 e Assassin’s Creed - que dá vida a cada personagem e reforça a personalidade única do jogo. O resultado é natural, engraçado, cheio de gírias, a tão cobrada brasilidade e MUITA personalidade.
É raro ver um indie com um trabalho de voz tão consistente e divertido.
SÓ QUE RAPADURA É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO
Mas fica aqui o aviso. Esse não é um jogo fácil. Não é um jogo que todo mundo vai achar maravilhoso por conta da sua dificuldade. Vou exemplificar para vocês entenderem. Imaginem que você passaram pelo primeiro "labirinto", limparam todas as salas, mataram todos os inimigos, encararam o chefão e ganharam. Aí vocês felizes avancam para o próximo nível, com as coisas ficando mais pegadas e infelizmente morrem. Vocês reaparecem na cápsula com energia renovada e toma o elevador...PARA O PRIMEIRO NÍVEL DE NOVO.
Isso mesmo. Você vai ter que refazer tudo que fez, inclusive matar o chefão de novo. Quem moleza, Xará? Mastiga Água.
CONCLUSÃO
Lia: Hacking Destiny é tudo o que um roguelite brasileiro deveria ser: caótico, engraçado, afiado, estiloso e completamente apaixonado por fazer o jogador sorrir. É um dos roguelites mais divertidos e criativos da cena indie brasileira. Combate excelente, dificuldade progressiva, visual vibrante, dublagem de alto nível e muito humor tornam o jogo uma experiência memorável - e incrivelmente viciante.
A Orube entregou um jogo que explode na tela e aquece no coração. Um indie obrigatório para os fãs de ação 2D acelerada.
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