Clair Obscur: Expedition 33 ficou “fácil demais” no final - e a culpa foi dos próprios jogadores !!

Clair Obscur: Expedition 33 virou um daqueles casos raros em que o sucesso do jogo acabou alterando a experiência pensada pelos próprios criadores. Segundo a Sandfall Interactive, o chefe final acabou sendo mais fácil do que o planejado, simplesmente porque os jogadores… jogaram demais. E jogaram bonito.

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Após o lançamento, Clair Obscur rapidamente se transformou em um fenômeno inesperado. Primeiro jogo do estúdio francês, ele conquistou jogadores pelo mundo com seu universo, personagens marcantes e uma estrutura que convidava à exploração. O resultado? A maioria das pessoas mergulhou fundo nos conteúdos opcionais, sidequests e dungeons extras, fortalecendo seus personagens muito além do que a equipe havia previsto.

Quando chegou a hora do confronto final, muita gente estava forte demais. Em entrevista à revista Edge (via GamesRadar), o lead game designer Michel Nohra reconheceu o erro de cálculo.

“A única coisa que eu realmente lamento é não ter deixado mais claro que, se você quisesse a dificuldade ideal do chefe final, precisava enfrentá-lo naquele momento”, explicou.

Segundo Nohra, muitos jogadores optam por deixar o fim da história para depois, justamente para completar todo o conteúdo opcional antes. Algo totalmente comum… mas que a Sandfall subestimou.

“As pessoas não querem terminar o jogo e perder a motivação para o conteúdo extra. Eu subestimei isso, e acabou fazendo com que quem queria um chefe final realmente desafiador se sentisse um pouco decepcionado.”

Ele deixa claro que não se arrepende da estrutura escolhida, mas admite que o jogo poderia ter comunicado melhor essa escolha ao jogador durante o Ato 3.

Humildade demais também pesa

Já o lead programmer Tom Guillermin acredita que esse desequilíbrio nasceu de algo bem simples: humildade.

“Nós não tínhamos certeza se o jogo seria tão bom assim”, contou. “Pensávamos que muitas pessoas talvez só quisessem ver a história e ir direto para o final.”

O sucesso, portanto, pegou o estúdio de surpresa. Os jogadores não só chegaram até o fim, como fizeram absolutamente tudo antes disso.

E, claro, a equipe ficou feliz com isso.

Eles só não viram chegando.

De surpresa indie a orgulho nacional

O impacto de Clair Obscur foi tão grande que chegou a ultrapassar o universo dos games. No fim do ano passado, o jogo recebeu elogios públicos do próprio presidente da França, Emmanuel Macron, que destacou o prêmio de Jogo do Ano como motivo de orgulho para Montpellier e para o país.

Mais recentemente, a Sandfall lançou a expansão de Expedition 33, aquela que já vinha sendo provocada há um tempo. E aqui entra a ironia: os novos chefes adicionados pelo DLC têm se mostrado bem mais desafiadores, pegando alguns jogadores desprevenidos. Talvez uma resposta silenciosa àquele chefe final que caiu rápido demais.

De qualquer forma, Clair Obscur: Expedition 33 segue como um exemplo curioso de quando o engajamento extremo do público muda completamente o equilíbrio de um jogo. Um “problema” que, convenhamos, todo desenvolvedor gostaria de ter.

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