A Cloudhead Games, estúdio focado em realidade virtual, anunciou uma reestruturação pesada que resultará na demissão de cerca de 70% de seus funcionários, com efeito a partir de 7 de janeiro. O comunicado veio pelas redes sociais, assinado pelo CEO Denny Unger, e não economiza franqueza ao explicar como o estúdio chegou a um ponto que ele descreve como “impossível”.
Entre os principais fatores citados estão a queda no financiamento por parte das plataformas, os desafios ainda “embrionários” que impedem o VR de atingir o grande público e, claro, o cenário de retração geral da indústria de games. Um combo conhecido, mas que no VR costuma bater ainda mais forte.
Apesar do tom duro, a mensagem de Unger é carregada de respeito pela equipe que está saindo. Ele destaca a cultura construída ao longo dos anos e o nível de dedicação das pessoas envolvidas, ressaltando que o estúdio tentou “amortecer a queda” como pôde. A Cloudhead também divulgou uma planilha de “reverse recruiting”, incentivando outros estúdios a entrarem em contato direto com os profissionais afetados.
Mesmo com o corte profundo, a Cloudhead deixa claro que não abandonou o VR. Pelo contrário. Unger reforça que o estúdio ainda acredita no potencial da tecnologia como um meio capaz de “transformar a humanidade”, mas admite que o caminho até a relevância mainstream será longo. Segundo ele, isso só deve acontecer quando surgirem dispositivos mais versáteis, que façam “de tudo”, e quando estúdios como a Cloudhead estiverem prontos para esse momento.
Fundada há 14 anos, a Cloudhead ficou conhecida por projetos importantes no VR, como Pistol Whip, Aperture Hand Lab (em parceria com a Valve) e a série The Gallery. O estúdio ainda trabalha em um jogo não anunciado, embora o futuro do projeto agora seja naturalmente incerto.
A Cloudhead Games se torna um dos primeiros nomes de 2026 a anunciar demissões em massa, reforçando a sensação de que o ajuste estrutural da indústria ainda está longe de acabar, especialmente em áreas mais frágeis como a realidade virtual.
E você, como enxerga o VR hoje? Já investiu em um headset ou acha que o momento ainda não chegou?
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