Masahiro Sakurai dispensa apresentações. Criador de Kirby, mente por trás de Super Smash Bros. e uma das figuras mais respeitadas da Nintendo, ele voltou a provocar reflexão sobre os rumos da indústria. Desta vez, o alvo são as equipes de desenvolvimento cada vez maiores. Em entrevista recente ao site japonês 47NEWS, Sakurai falou abertamente sobre como o crescimento excessivo das equipes pode diluir a satisfação criativa de quem faz jogos.
Quando o trabalho deixa de ser “seu”
Segundo Sakurai, existe uma diferença enorme entre criar algo sozinho e trabalhar dentro de uma grande engrenagem corporativa. Para ele, a sensação de realização se perde quando o processo exige validações constantes, reuniões intermináveis e alinhamentos que nunca acabam.
Ele usa um exemplo simples, mas poderoso: um artista de pixel art trabalhando sozinho finaliza sua obra do começo ao fim. Já em uma equipe grande, esse mesmo artista passa boa parte do tempo discutindo o que é ou não apropriado, ajustando detalhes, esperando aprovações. O resultado final existe, mas o sentimento de autoria se esvai no caminho.
Sakurai também observa que esse problema só cresce à medida que os jogos ficam maiores. Hoje, projetos AAA facilmente ultrapassam centenas de desenvolvedores, e com isso o papel individual muda. Não é mais sobre criar algo completo, mas sobre cuidar de pequenas partes de um sistema enorme.
Uma indústria em transformação
Na visão de Sakurai, o próprio significado de “fazer jogos” está mudando. Antes, era comum acompanhar sua criação do início ao fim. Agora, muitos profissionais contribuem intensamente, mas sem aquele vínculo direto com o produto final. Curiosamente, esse debate vem logo após Sakurai liderar o desenvolvimento de Kirby Air Riders, lançado exclusivamente para o Nintendo Switch 2, um projeto que carrega bastante da filosofia autoral que ele defende.
A fala dele não é um ataque direto aos jogos de grande escala, mas um alerta. Um lembrete de que, no meio de gráficos ultrarrealistas, orçamentos astronômicos e equipes gigantescas, a alma criativa corre o risco de se perder.
E você, concorda com Masahiro Sakurai? Jogos grandes precisam mesmo de equipes enormes, ou a indústria está esquecendo o valor do toque individual?
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