A situação envolvendo o fechamento do estúdio da Ubisoft em Halifax acaba de ganhar um novo e pesado capítulo. O CWA Canada, sindicato que representava 61 dos 71 funcionários demitidos, entrou oficialmente com uma queixa legal, acusando a publisher de ter fechado o estúdio para impedir a sindicalização dos trabalhadores. Segundo o sindicato, a decisão não foi apenas financeira, como a Ubisoft afirma, mas sim uma forma direta de afastar a presença do sindicato dentro da empresa.
“É contra a lei impedir trabalhadores de se sindicalizarem no Canadá, mas o tapinha no pulso que as empresas normalmente recebem não é suficiente para coibir esse tipo de prática”, afirmou Carmel Smyth, presidente do CWA Canada. “A penalidade precisa refletir a realidade de um bullying corporativo intencional.”
Ubisoft nega relação com o sindicato
A Ubisoft, por sua vez, nega qualquer ligação entre o fechamento do estúdio e a sindicalização. Segundo a empresa, a decisão já estava planejada “bem antes” da formação do sindicato e faz parte de um processo de 24 meses para enxugar operações, melhorar eficiência e reduzir custos. É um discurso que a indústria já conhece bem. Mas, para o sindicato, os fatos não batem.
O que o sindicato está pedindo agora
Após o anúncio das demissões, os advogados do CWA entraram em contato com a Ubisoft exigindo documentos e registros financeiros que comprovem que o fechamento foi motivado exclusivamente por necessidade econômica. Além disso, o sindicato quer mudanças mais profundas na legislação trabalhista. Entre os pedidos estão:
Que conselhos trabalhistas, como o Nova Scotia Labor Board, tenham poder para obrigar empresas a reabrirem estúdios por pelo menos um ano em casos desse tipo.
Que empresas sejam obrigadas a realocar funcionários afetados ou, alternativamente, pagar até três anos de salário aos trabalhadores demitidos.
Smyth também destacou o impacto público da decisão:
“A Ubisoft recebeu 12 milhões de dólares em dinheiro dos contribuintes da Nova Scotia para nutrir talentos e ajudar a construir uma indústria de tecnologia. Agora, está indo embora sem sequer um pedido de desculpas.”
Um debate que vai além da Ubisoft
O caso reacende uma discussão que vem crescendo na indústria de games: o equilíbrio de poder entre grandes publishers e seus trabalhadores. Em um cenário marcado por layoffs constantes, fechamento de estúdios e reestruturações agressivas, a pergunta que fica é até onde vai a linha entre corte de custos e práticas antissindicais.
O processo ainda está em andamento, mas uma coisa é certa: o fechamento do estúdio de Halifax não vai sair do radar tão cedo. E você, como enxerga essa situação? Corte necessário ou retaliação velada contra trabalhadores organizados?
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