Ubisoft cancela remake de Prince of Persia: The Sands of Time e inicia um grande reset interno !!

A Ubisoft apertou o botão de reset. Em um movimento pesado e nada discreto, a empresa anunciou o cancelamento de seis jogos, incluindo o aguardado Prince of Persia: The Sands of Time Remake, que era esperado para 2026. A decisão faz parte de uma reestruturação profunda que atinge projetos, estúdios, cronogramas e até a forma como a Ubisoft pretende criar jogos daqui pra frente.

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E sim, isso é muito maior do que apenas um remake cancelado.

Prince of Persia cai, junto com outros projetos

Além do remake de The Sands of Time, a Ubisoft também cancelou quatro jogos não anunciados, sendo três novas IPs, e ainda um título mobile. Segundo a empresa, esses projetos não se encaixavam mais nos novos critérios de qualidade, foco estratégico e retorno de longo prazo. É um sinal claro de que a Ubisoft decidiu parar de insistir em projetos que não atingem um novo “padrão mínimo” interno - mesmo que isso custe franquias queridas ou anos de desenvolvimento.

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Alguns jogos atrasam para evitar outro tropeço

Nem tudo foi cancelado. A Ubisoft também confirmou que sete jogos receberão mais tempo de desenvolvimento, justamente para garantir qualidade maior no lançamento. Um desses títulos, ainda não anunciado, estava previsto para o ano fiscal de 2026 e agora foi empurrado para 2027. Na prática, a mensagem é direta: lançar menos jogos, com mais cuidado, mesmo que isso doa no curto prazo.

E no meio desse turbilhão, uma notícia caiu como bala de canhão no convés: o remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag pode ter sido adiado em até um ano.

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Lançado originalmente em 2013, Assassin’s Creed IV: Black Flag segue sendo, para muitos fãs, o auge da franquia. Piratas, Caribe, batalhas navais, trilha marcante e uma liberdade que até hoje não foi totalmente superada. Não à toa, o remake virou um dos projetos mais comentados da Ubisoft nos últimos anos, mesmo sem anúncio oficial. O novo documento da empresa traz o trecho que acendeu o alerta vermelho:

“O Grupo irá alocar tempo adicional de desenvolvimento para sete jogos, a fim de garantir padrões elevados de qualidade. Isso inclui um título não anunciado, originalmente planejado para o ano fiscal de 2026, agora adiado para o ano fiscal de 2027.”

Segundo informações exclusivas do site Insider Gaming, o remake de Black Flag estava previsto para março de 2026, ainda dentro do FY26. Ele também segue oficialmente não anunciado, o que encaixa perfeitamente na descrição do jogo adiado. Na prática, isso significa que o retorno de Edward Kenway pode ficar para 2027, embora ainda exista a possibilidade de aparecer mais cedo, entre maio ou junho, dependendo do tamanho real do atraso. Por enquanto, a Ubisoft e a Vantage Studios seguem em silêncio.

Fim do trabalho remoto e clima de apreensão

A reestruturação não atinge apenas os jogos. A Ubisoft também confirmou o retorno obrigatório ao escritório cinco dias por semana, com apenas uma quantidade limitada de dias de home office ao ano. Segundo a empresa, a decisão busca “fortalecer a colaboração, o compartilhamento de conhecimento e a eficiência criativa” em um mercado AAA cada vez mais seletivo. Na prática, porém, a medida já gerou preocupação interna.

Em entrevista ao GamesIndustry.biz, a SVP de Operações de Estúdios, Marie-Sophie de Waubert, afirmou que a Ubisoft ainda considera o modelo híbrido, “mas distribuído de forma diferente”. Fontes ouvidas indicam que novas demissões são esperadas, possivelmente na casa das centenas, embora a Ubisoft tenha evitado comentar números durante sua conferência com investidores.

Um reset completo na estrutura da Ubisoft

Segundo a própria empresa, estamos diante de um reset organizacional, operacional e de portfólio, com um objetivo bem claro: “reconquistar a liderança criativa e restaurar um crescimento sustentável.” Isso inclui:

  • Cancelamento e adiamento de projetos

  • Fechamento e reestruturação de estúdios

  • Redução agressiva de custos

  • Mudança total no modelo de operação

  • Expectativas financeiras mais baixas no curto prazo

A Ubisoft admite que o mercado AAA está mais seletivo, mais caro e mais competitivo - especialmente em shooters e novas IPs. Errar hoje custa muito mais caro do que há dez anos.

Nasce o modelo das “Creative Houses”

Talvez a parte mais interessante (e arriscada) desse anúncio seja o novo modelo interno. A Ubisoft vai se dividir em cinco Creative Houses, cada uma responsável por gêneros e franquias específicas, com controle criativo, financeiro e estratégico completo. Alguns exemplos:

  • Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six ficam juntos, com foco em virar marcas bilionárias recorrentes

  • The Division, Ghost Recon e Splinter Cell entram no bloco de shooters

  • Prince of Persia, Rayman, Anno e Beyond Good & Evil ficam no núcleo de fantasia e narrativa

A ideia é descentralizar decisões, acelerar processos e aproximar quem cria de quem responde pelos resultados.

O reset também vem acompanhado de números duros. A Ubisoft quer reduzir €500 milhões em custos fixos até 2028. Alguns estúdios já foram fechados ou reestruturados, incluindo unidades em Halifax, Estocolmo, Abu Dhabi, RedLynx e Massive. Além disso, a empresa vai exigir retorno presencial cinco dias por semana, reduzindo o home office, numa tentativa de aumentar colaboração e eficiência interna.

O que tudo isso diz sobre o futuro da Ubisoft?

O cancelamento de Prince of Persia: The Sands of Time Remake simboliza algo maior: a Ubisoft não quer mais carregar projetos problemáticos indefinidamente, mesmo que isso custe nostalgia, goodwill ou promessas antigas. Esse reset é arriscado, doloroso e vai impactar os próximos anos da empresa. Mas também é uma admissão rara na indústria: o modelo antigo não estava funcionando.

Agora resta saber se esse “novo Ubisoft” vai realmente entregar jogos melhores - ou se estamos apenas assistindo a mais um grande reposicionamento corporativo tentando sobreviver a uma indústria cada vez mais implacável.

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