A fase turbulenta da Ubisoft está longe de acabar. A empresa confirmou que demitiu 29 funcionários do estúdio de Abu Dhabi, em mais um capítulo da recente onda de cortes que vem atingindo diferentes braços da publisher ao redor do mundo.
A informação foi divulgada inicialmente pelo site Game Developer, e depois confirmada pela própria Ubisoft. Segundo a empresa, a decisão foi tomada ainda em novembro do ano passado, como parte de uma reestruturação interna.
Estúdio de Abu Dhabi é reestruturado
Em comunicado, a Ubisoft afirmou que optou por encerrar alguns projetos mobile no estúdio de Abu Dhabi para concentrar esforços em Growtopia.
“Em novembro, a Ubisoft tomou a difícil decisão de reestruturar seu estúdio mobile em Abu Dhabi, descontinuando alguns projetos para focar em Growtopia. Como resultado, 29 membros da equipe foram impactados”, disse a empresa.
“Somos profundamente gratos pelas contribuições dessas pessoas e estamos oferecendo suporte durante essa transição.”
Apesar do tom institucional, o corte soma mais um número à lista crescente de demissões recentes dentro da companhia.
Halifax fechada e crise com sindicato
Além de Abu Dhabi, a Ubisoft fechou recentemente o estúdio de Halifax, no Canadá, e também realizou cortes em estúdios na Suécia e em outras regiões. O caso de Halifax, no entanto, ganhou contornos ainda mais delicados. O sindicato CWA Canada, que representa 61 dos 71 funcionários demitidos, entrou com uma queixa legal contra a empresa, exigindo mais transparência sobre a alegação de que o fechamento ocorreu por “necessidade financeira”.
A situação escalou rápido.
Reunião termina sem avanços
Apenas um dia após registrar a queixa junto ao Conselho Trabalhista da Nova Escócia, o sindicato se reuniu com a Ubisoft. O resultado? Nenhum progresso. Em declaração, a presidente da CWA, Carmel Smyth, foi direta:
“A Ubisoft veio à mesa sem nada. Nenhuma documentação provando dificuldades financeiras e nenhum plano para realocar funcionários em outros estúdios ou melhorar as condições de rescisão.”
Ela também destacou uma situação especialmente sensível: funcionários que estavam em licença parental teriam sido informados de que não teriam direito ao pacote de rescisão de dois meses proposto pela empresa. Segundo Smyth, em vez de buscar soluções, a Ubisoft apenas afirmou que enviaria suas ideias “na sexta-feira”.
“Foi frustrante. A falta de preparo e o fato de não haver aviso prévio sobre o fechamento nos fazem questionar as intenções da empresa e seu compromisso em tratar as pessoas de forma justa.”
Subsídios milionários entram na discussão
O sindicato também divulgou que a Ubisoft teria recebido quase 1 bilhão de dólares canadenses (C$ 980 milhões) em subsídios e créditos fiscais do governo entre 2020 e 2024, o que adiciona ainda mais peso ao debate sobre a real necessidade dos cortes. Até o momento, a Ubisoft não respondeu aos pedidos de comentário sobre a reunião e as acusações do sindicato. Caso haja uma resposta oficial, a matéria será atualizada.
Enquanto isso, o clima segue pesado - e a pergunta fica no ar: reestruturação necessária ou falha grave de gestão humana? Conta pra gente o que você acha dessa situação nos comentários.
Comentários