O Diretor Paul W. S. Anderson, responsável por adaptações como Resident Evil, Mortal Kombat (1995) e Monster Hunter, soltou o verbo em entrevista recente ao podcast Post Games. E a frase que ecoou forte foi direta: fazer filme baseado em videogame sem jogar o game é “absurdo”.
Sim, xará. Ele falou exatamente isso.
“Você adaptaria um livro sem ler?”
Durante a conversa, Anderson deixou claro que sempre foi Jogador - algo que, segundo ele, é essencial para adaptar um jogo.
“Sempre me choca quando diretores dizem que estão fazendo um filme de videogame e nunca jogaram o jogo. Isso é absurdo.”
Ele comparou a situação a adaptar Guerra e Paz sem ler o livro original. Para o diretor, ignorar o material-base é um desrespeito com os fãs que investiram horas (ou anos) naquele universo. É uma cutucada que não passou despercebida na indústria.
DNA do jogo dentro do filme
Anderson explicou que, em suas produções, ele faz questão de mergulhar toda a equipe no material original. Segundo ele:
designers jogam o game ou assistem playthroughs
diretor de fotografia estuda os movimentos de câmera do jogo
elementos visuais icônicos são recriados fielmente
Ele citou exemplos claros em Resident Evil, como:
enquadramentos em ângulo fixo
portas sendo atravessadas
composições que remetem diretamente ao estilo do game
E contou uma história curiosa sobre Mortal Kombat (1995): quando o cenário “The Pit” apareceu fiel ao jogo, um fã levantou no cinema e gritou “The Pit!”, arrancando aplausos da sala inteira. É esse tipo de momento que ele diz buscar.
Adaptar não é copiar
Apesar da defesa apaixonada da fidelidade, Anderson também fez uma distinção importante.
Filme não é jogo.
Ele citou o exemplo de Doom, que tentou reproduzir o visual em primeira pessoa no cinema. Visualmente fiel? Talvez. Mas emocionalmente diferente, porque o espectador não controla nada. Segundo ele:
jogo é experiência interativa
filme é experiência passiva
o impacto visceral precisa ser traduzido, não replicado
No caso de Resident Evil, ele diz que o foco foi manter o elemento do medo - porque o jogo assustava. Ele relembra a cena clássica dos cães atravessando a janela no primeiro jogo e como aquilo o marcou. Para ele, o filme precisava manter essa sensação de susto inesperado.
"O primeiro jogo que você está nesta mansão, é muito assustador e gótico, e então por baixo dele você descobre este laboratório de alta tecnologia onde todos esses monstros estão correndo por aí. Mas nunca há realmente qualquer explicação de como os monstros meio que começaram a correr por aí. Qual foi o incidente incitante que causou todo esse desastre? E eu pensei, bem, para mim como um jogador de videogame, eu adoraria jogar esse jogo, então eu adoraria ver esse filme.
Anderson revelou também que jamais pensou em fazer uma adaptação direta dos jogos, pois isso significaria que toda a audiência principal dos filmes já iria saber o que acontece.
“Isso também trouxe alguns problemas narrativos para mim, pois eu não queria apenas fazer uma adaptação direta de um dos videogames, porque isso é um filme de horror com ação, e com horror você não pode entregar todos os segredos. Se eu fizesse uma adaptação direta do primeiro jogo, você já saberia, se você é um fã, que Wesker é um traidor. Este personagem vai morrer aqui. Este personagem vai morrer lá. Imagine assistir Alien se, indo para o cinema, alguém lhe dissesse que todos eles morrem, menos a Ripley, (Sigourney Weaver). Isso rouba esse filme de muito do seu poder."
Franquias que viram eternas
Anderson também comentou sobre como franquias como Resident Evil, Alien e Predator se tornaram praticamente eternas na cultura pop. Ele reconhece que essas marcas continuarão sendo reinventadas por décadas. Mas reforça que os princípios básicos para adaptar um game continuam os mesmos:
respeito ao IP
entendimento do que o público sente jogando
tradução da essência, não da mecânica
Clima SussuWorld
Xará… ele falou o óbvio que muita gente evita dizer. Você pode gostar ou não dos filmes de Resident Evil, mas é inegável que Anderson entende o material que está adaptando. E num momento em que adaptações de games viraram mina de ouro em Hollywood, essa discussão é importante demais.
Porque no fim das contas… dá pra sentir quando quem está dirigindo ama o que está adaptando.
E você? Diretor precisa jogar o game antes de adaptar ou isso não faz diferença?
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