Só quem cresceu assistindo City Hunter sabe que o charme da série nunca esteve só na ação. Era a mistura curiosa de tiroteio, humor absurdo, momentos dramáticos e aquele protagonista que conseguia ser ao mesmo tempo herói, detetive e um completo desastre social. Quando um jogo baseado nesse universo aparece, a expectativa natural é ver tudo isso traduzido para o gameplay.

O jogo publicado pela Clouded Leopard Entertainment e desenvolvido pela Red Art Games tenta justamente isso: trazer o espírito clássico do anime para uma experiência de ação com aquela pegada retrô. Em vários momentos, ele consegue capturar esse clima. Em outros, fica a sensação de que poderia ter ido um pouco mais longe. Mas em nenhum momento isso é ruim.
A estrutura segue o caminho mais direto possível: ação lateral, inimigos surgindo pelo cenário e um combate simples focado em golpes rápidos e armas, aquela fórmula de sucesso que a gente conhece tão bem. Não existe muita complexidade aqui, e isso não é necessário e muito menos um problema. A ideia claramente é criar algo acessível, que qualquer fã possa pegar e jogar sem precisar aprender sistemas complicados. E ponto para eles, pois conseguiram.

Controlar Ryo Saeba tem seu charme. Os ataques são rápidos, as armas aparecem com frequência e o ritmo das fases mantém a ação andando sem muita enrolação. O jogo acerta o fluxo de inimigos e mistura combate com alguns momentos de exploração leve, conseguindo capturar aquele clima de aventura episódica típica do anime. Se você não conhece, Xará. recomendo assistir. É diversão certa.
Visualmente, o jogo traz em uma estética que conversa diretamente com o material original. Os personagens mantêm o estilo clássico, e os cenários tentam reproduzir o clima urbano que sempre fez parte da identidade de City Hunter. Não é um espetáculo técnico e nem precisa ser, pois funciona bem o suficiente para quem quer sentir que está dentro daquele universo.

Mas vamos lá, a variedade de inimigos poderia ser maior, e algumas fases acabam seguindo aquele padrão previsível de combate que diminui o impacto da experiência ao longo do tempo. Mas é como eu falei em outros reviews; a galera mais old school nem vai ligar pra isso. É aquele tipo de jogo que diverte sem precisar reinventar a roda..
Mas certas oportunidades narrativas poderiam ter sido melhor aproveitadas. City Hunter sempre teve personagens carismáticos e situações absurdas que renderiam momentos memoráveis no jogo. Aqui, a história funciona mais como pano de fundo para a ação do que como algo realmente marcante. É o que eu falei lá em cima sobre ir um pouco mais longe.

Mesmo assim, tem muito valor na proposta. Para os fãs da série, ver esse universo transformado em jogo já tem um peso próprio. E quando o gameplay encontra o ritmo certo, a experiência entrega diversão direta, sem complicações.

No fim das contas, City Hunter é um jogo que funciona melhor quando encarado como uma homenagem ao anime. Não tenta reinventar nada, mas também não esquece de respeitar o material que o inspirou. Para quem tem carinho pela série, vale a visita. Para quem busca algo mais profundo, talvez fique a sensação de que faltou um pouco mais de munição.
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