Review | Skautfold: Moonless Knight — Metroidvania sombrio parece um pesadelo de Mega Drive possuído por Lovecraft !!

Tem jogo que começa estranho. Skautfold: Moonless Knight já abre praticamente gritando “vai dar tudo errado” na sua cara. E o mais incrível é que ele só fica mais doido e insano conforme a gente avança.

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Você começa achando que está numa missão diplomática relativamente normal… aí, algumas horas depois, está enfrentando horrores cósmicos enquanto a própria Lua rasga o céu como se o universo tivesse partido ao meio.

Sim. É esse nível de caos, Xará. E quer saber? Funciona absurdamente bem.

Desenvolvido com aquela energia de projeto autoral sem coleira, Moonless Knight pega a base da série Skautfold e transforma tudo num metroidvania brutal, pesado e cheio de personalidade.

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Você controla Gray, o 2º Cavaleiro do Império Angélico da Britânia, enviado ao Japão numa missão diplomática que desanda rapidamente quando cultistas eldritch resolvem transformar tudo num espetáculo de horror cósmico. Daí pra frente, o jogo mergulha de cabeça na loucura… e nunca mais olha pra trás. 

O grande astro aqui é o Palácio Imperial de Oda.

Fazia tempo que um mapa não transmitia tanto desconforto. Os corredores parecem vivos, os atalhos se conectam de maneira inteligente, existem segredos em praticamente todo canto e tem aquela sensação constante de que há algo profundamente errado pulsando sob o lugar nunca desaparece.

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É o tipo de cenário que você explora dividido entre curiosidade e medo.

A estrutura é puro metroidvania raiz: novas habilidades liberam áreas antigas, relíquias abrem caminhos secretos e o mapa vai crescendo naturalmente na cabeça do jogador. Tudo mergulhado numa atmosfera sufocante.

Visualmente, o pixel art detalhado misturado com horror gótico lovecraftiano funciona demais. Em alguns momentos, parece um primo amaldiçoado de Bloodborne transformado em ação 2D. E isso é um baita elogio.

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Mas o combate… rapaz. É aqui que Moonless Knight encontra sua verdadeira identidade.

O sistema defensivo é o coração da experiência. Bloquear, desviar e quebrar a postura inimiga não são mecânicas opcionais, são sobrevivência pura. Tomar dano reduz sua defesa máxima. Os inimigos seguem a mesma lógica. Dominar o ritmo das lutas muda completamente o jogo.

Cada combate carrega tensão real. Você não vence simplesmente apertando botão na esperança de dar certo.

Armas pesadas recompensam defesa precisa e quebra brutal de guarda. Armas rápidas exigem agressividade e evasão constante. E as relíquias, com habilidades como gancho, teletransporte e invocações, deixam tudo ainda mais interessante conforme a aventura evolui.

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O grande destaque vai para o sistema de “feint”: cancelar ações para mudar instantaneamente para defesa ou esquiva. Parece detalhe. Mas, quando você aprende a usar, o combate vira uma dança mortal pixelada deliciosa.

Agora vem o papo reto de jogador raiz dos anos 90: Esse jogo não pega leve. Nem por um segundo. Moonless Knight pode ser brutal, confuso e até cruel nas primeiras horas. A narrativa aposta muito mais em atmosfera do que em explicações mastigadas, enquanto o ritmo exige atenção total do jogador.

Quem entrar esperando um metroidvania casual provavelmente vai tomar um susto.

Algumas áreas exageram na punição, principalmente quando exploração longa e combate pesado se misturam sem oferecer muito respiro.

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Mas, na moral?

Isso faz parte da alma do jogo.

Moonless Knight não está interessado em agradar todo mundo. Ele quer construir um mundo opressor, estranho e fascinante. E olha...ele consegue.

No fim das contas, esse é aquele tipo de game cult que talvez nunca vire um fenômeno gigantesco… mas que gruda forte em quem entra na proposta. E quando a Lua finalmente se abre no céu, você percebe que essa aventura nunca foi realmente sobre salvar o império.

Era sobre encarar o horror de descobrir o quão insignificante você é diante do desconhecido.

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