Ex-chefe da PlayStation diz que recuo nos lançamentos para PC é um erro: "Não custou uma única venda de console" !!

A decisão da PlayStation de reduzir o envio de seus grandes exclusivos para o PC continua gerando debates na indústria. Agora, quem entrou na discussão foi Shawn Layden, ex-presidente da PlayStation Worldwide Studios, que acredita que a estratégia anterior era muito mais vantajosa para a Sony.

https://i.gyazo.com/baf78227031581fd738daf7e0e7ff15d.jpg

Durante uma entrevista ao canal PSI, Layden afirmou que levar os exclusivos para o PC cerca de 18 meses após o lançamento nos consoles era uma forma inteligente de expandir o alcance da marca sem prejudicar as vendas do PlayStation.

Segundo ele, voltar atrás nessa estratégia pode ser um erro.

Os ports para PC nunca prejudicaram o PlayStation

Nos últimos anos, jogos como God of War, The Last of Us, Marvel's Spider-Man, Ghost of Tsushima e outros chegaram ao PC após um período de exclusividade nos consoles da Sony.

Recentemente, porém, o atual presidente da Sony Interactive Entertainment, Hideaki Nishino, confirmou que a empresa pretende mudar de direção. A partir de agora, apenas jogos multiplayer e serviços online deverão chegar simultaneamente ou rapidamente ao PC, enquanto os grandes títulos single-player voltarão a permanecer exclusivos do PlayStation.

Para Layden, essa mudança ignora uma realidade importante.

"Se alguém esperou 18 meses para jogar no PC, nós não perdemos uma venda de console. Essa pessoa nunca compraria um PlayStation apenas por aquele jogo. Você simplesmente está monetizando alguém que estava completamente fora do seu ecossistema."

Na visão do ex-executivo, os ports para PC não diminuíam o valor da marca. Pelo contrário, ampliavam seu alcance.

Expandindo o universo PlayStation

Layden explicou que a estratégia fazia ainda mais sentido considerando que a Sony vem transformando suas franquias em marcas multimídia.

Hoje, propriedades como The Last of Us, God of War, Horizon e Ghost of Tsushima não vivem apenas nos videogames, mas também em séries, filmes, quadrinhos e diversos outros produtos.

Segundo ele, quanto mais pessoas conhecerem esses personagens, maior será o interesse pelo restante da franquia.

"Quando alguém vê um filme ou uma série e pensa: 'Eu conheço esse personagem, gosto dele', isso fortalece toda a marca."

O enorme sucesso da série de The Last of Us, produzida pela HBO, é citado como um exemplo claro de como essa estratégia pode beneficiar toda a propriedade intelectual.

Exclusividade ainda é importante

Apesar de defender os lançamentos no PC, Layden deixou claro que continua acreditando no valor dos exclusivos.

Segundo ele, consoles precisam oferecer experiências únicas para convencer o consumidor a comprar determinado hardware.

"É isso que diferencia uma plataforma. Se você quer aquela experiência, precisa comprar aquele console."

Por outro lado, ele acredita que existe um equilíbrio saudável: manter a exclusividade por um período e, posteriormente, lançar o jogo para PC.

Essa abordagem preservaria o valor do console enquanto abriria uma nova fonte de receita sem afetar as vendas do hardware.

Xbox serve como exemplo?

Layden também comentou, ainda que indiretamente, sobre a estratégia adotada pela Microsoft nos últimos anos.

Com praticamente todos os exclusivos chegando ao PC no mesmo dia do lançamento nos consoles, muitos consumidores deixaram de enxergar motivos para comprar um Xbox.

Segundo o ex-executivo, quando tudo está disponível em todas as plataformas imediatamente, o hardware perde parte da sua identidade.

"Se tudo estiver disponível em qualquer lugar, você vira apenas uma commodity. E quando isso acontece, a disputa passa a ser apenas por preço."

Essa análise coincide com um momento delicado vivido pela divisão Xbox, que recentemente anunciou mudanças em sua estratégia, cortes internos e até a volta de alguns exclusivos para fortalecer a marca.

Sony continua apostando nos consoles

Mesmo com o crescimento do mercado de PC, tudo indica que a Sony continuará tratando o PlayStation como o principal destino para seus grandes jogos.

Produções futuras como Marvel's Wolverine e God of War: Laufey devem permanecer exclusivas do console por um longo período antes de qualquer possível lançamento em outras plataformas.

Clima SussuWorld 🎮

A fala do Shawn Layden faz bastante sentido quando olhamos para os números. Quem esperou um ano e meio para jogar God of War ou Ghost of Tsushima no PC dificilmente compraria um PS5 só por causa disso. A Sony ganhou uma venda que simplesmente não existiria.

Ao mesmo tempo, ele também acerta quando diz que consoles precisam ter identidade. Se tudo chega em todos os lugares no mesmo dia, o consumidor naturalmente começa a questionar por que investir em um hardware específico.

Talvez o meio-termo seja exatamente o que a própria Sony vinha fazendo: lançar primeiro no PlayStation, valorizar quem investiu no console e, algum tempo depois, abrir as portas para milhões de novos jogadores no PC. Era uma estratégia que parecia beneficiar praticamente todos os lados.

0 Comentários

Postar um comentário

Post a Comment (0)

Postagem Anterior Próxima Postagem