Faltando poucos meses para o lançamento de Grand Theft Auto VI, a Rockstar Games volta a enfrentar acusações relacionadas às suas condições de trabalho.

Segundo uma reportagem publicada pelo Game Developer, funcionários ligados ao Rockstar Games Workers Union (RGWU) afirmam que o estúdio continua convivendo com problemas como jornadas excessivas (crunch), falta de transparência nos salários, desigualdade salarial e um sistema de bônus que, na prática, serviria como forma de pressionar os funcionários.
Os relatos foram feitos por três integrantes do sindicato, que preferiram permanecer anônimos por receio de possíveis represálias.
Funcionários criticam sistema de bônus
Uma das principais reclamações envolve a forma como a Rockstar distribui bônus anuais.
De acordo com um dos desenvolvedores, os valores variam bastante e nem sempre seguem critérios claros.
"Quando o bônus é particularmente bom, ele representa um grande ganho financeiro. Mas, muitas vezes, ele decepciona e a remuneração anual acaba ficando muito abaixo do esperado."
Segundo os funcionários, as justificativas dadas pela empresa seriam inconsistentes entre departamentos e, em alguns casos, dependeriam de avaliações consideradas subjetivas ou até críticas feitas retroativamente.
Os relatos afirmam que esse modelo acaba sendo utilizado como uma ferramenta de controle sobre os empregados.
Alegações de desigualdade salarial
Outro ponto levantado pelos membros do sindicato diz respeito à diferença salarial entre homens e mulheres.
Segundo eles, a disparidade teria aumentado nos últimos anos, embora o relatório não apresente números oficiais que comprovem essa evolução.
A crítica reforça pedidos por maior transparência na política de remuneração adotada pelo estúdio.
Crunch ainda faria parte da cultura da Rockstar
As acusações também afirmam que a cultura de crunch continua presente na empresa.
Segundo um dos relatos, a própria Rockstar incluiria em seus contratos uma cláusula permitindo que funcionários abram mão de determinadas proteções previstas pela legislação trabalhista do Reino Unido relacionadas à carga horária.
"O crunch é tão comum que a empresa inclui nos contratos uma cláusula para abrir mão das limitações legais de horas extras."
A Rockstar já foi alvo de críticas semelhantes durante o desenvolvimento de títulos como Red Dead Redemption 2, quando diversos relatos sobre jornadas excessivas vieram à tona.
Sindicato diz que organização já trouxe resultados
Apesar das críticas, integrantes do Rockstar Games Workers Union afirmam que a mobilização dos funcionários já começou a gerar mudanças.
Segundo um dos representantes, desde outubro ocorreram aumentos salariais em estúdios sindicalizados e outras políticas internas começaram a ser revistas.
"Pela primeira vez existe algum incentivo financeiro para o crunch, e várias políticas estão mudando. O momento não é coincidência. A organização dos trabalhadores funciona."
Take-Two responde às acusações
Procurada pelo Game Developer, a Take-Two Interactive, empresa controladora da Rockstar Games, respondeu por meio de um comunicado oficial.
Segundo a companhia, seu objetivo é oferecer um ambiente de trabalho de alto nível para seus funcionários.
"Nos esforçamos para criar os melhores jogos possíveis oferecendo ambientes de trabalho de classe mundial e oportunidades contínuas de carreira. Temos uma cultura baseada em trabalho em equipe, excelência e respeito."
A empresa também destacou que possui índices de retenção de funcionários acima da média da indústria e confirmou ter recebido um pedido formal do sindicato para discutir o reconhecimento voluntário da organização.
Segundo a Take-Two, uma reunião será agendada para dar continuidade ao diálogo.
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Sempre que surgem notícias envolvendo crunch na Rockstar, muita gente lembra das declarações feitas durante o desenvolvimento de Red Dead Redemption 2, quando a empresa prometeu rever sua cultura interna.
Agora, às vésperas do lançamento de GTA 6, essas novas acusações mostram que parte dos funcionários acredita que muitos dos problemas continuam existindo.
É importante destacar que, até o momento, tratam-se de alegações feitas por membros do sindicato e contestadas pela Take-Two. Ainda assim, o caso reforça um debate que ganhou força nos últimos anos: até que ponto a busca por jogos gigantescos e extremamente detalhados pode continuar dependendo de jornadas de trabalho tão intensas?
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