A decisão da Sony de encerrar a produção de jogos em mídia física para novos lançamentos a partir de janeiro de 2028 continua gerando repercussão. Agora, uma pesquisa realizada pela Digital Foundry reforça o tamanho da insatisfação entre os jogadores mais entusiastas.

Após mais de 45 mil votos, 86% dos participantes afirmaram que a Sony deveria reconsiderar a decisão de abandonar os discos físicos.
Embora a enquete represente apenas a audiência da Digital Foundry, ela mostra que uma parcela bastante engajada da comunidade vê a mudança com enorme preocupação.
A maioria quer que a Sony volte atrás
A enquete foi publicada no canal oficial da Digital Foundry no YouTube e rapidamente acumulou dezenas de milhares de votos, além de centenas de comentários.
O resultado foi bastante expressivo:
- 86% acreditam que a Sony deveria rever seus planos;
- 14% concordam com a transição para um futuro totalmente digital.
O jornalista John Linneman, da própria Digital Foundry, comentou que espera que a reação negativa dos jogadores seja suficiente para fazer a Sony repensar sua estratégia.
Segundo ele, o anúncio ficou ainda mais preocupante por ter acontecido praticamente ao mesmo tempo em que a empresa confirmou o fechamento das lojas digitais do PlayStation 3 e do PS Vita.
Licença digital voltou ao centro da discussão
Linneman também destacou um tema que vem ganhando força nos últimos meses: a diferença entre possuir um jogo e apenas ter uma licença de acesso.
O jornalista lembrou que recentemente a Sony removeu centenas de filmes adquiridos digitalmente por usuários do PlayStation, consequência do encerramento de acordos de licenciamento. O episódio reacendeu o debate sobre até que ponto uma compra digital realmente garante acesso permanente ao conteúdo.
Para muitos jogadores, esse caso reforça a percepção de que uma licença digital oferece menos segurança do que uma cópia física.
"O PS5 será meu último console"
Entre os comentários da pesquisa, uma frase apareceu repetidamente:
"O PS5 será meu último console."
Diversos usuários afirmaram que a decisão da Sony fez com que desistissem da ideia de comprar um PlayStation 6.
Outros escreveram mensagens semelhantes, como:
- "O PS5 será meu último console da Sony."
- "Sem mídia física, não compro o próximo PlayStation."
Naturalmente, ainda é cedo para saber quantos desses comentários realmente se transformarão em decisões de compra quando a próxima geração chegar.
O vídeo de 2013 voltou à tona
Outro momento curioso foi o ressurgimento de um vídeo publicado pela própria Sony em 2013.
Na época, durante o lançamento do PS4, a empresa ironizou as restrições de compartilhamento de jogos que a Microsoft pretendia implementar no Xbox One.
No vídeo, dois executivos da Sony demonstravam como emprestar um jogo usado:
Bastava entregar o disco para outra pessoa.
Treze anos depois, milhares de jogadores voltaram ao vídeo para deixar comentários como:
"Vocês se tornaram exatamente o vilão que criticavam."
O mercado caminha para o digital
Apesar da forte reação dos fãs, os sinais da indústria apontam para outra direção.
Além da Sony:
- A Microsoft também é apontada por rumores como interessada em consoles totalmente digitais;
- O Xbox estaria desenvolvendo um sistema para converter jogos físicos em licenças digitais;
- Analistas estimam que aproximadamente 80% das vendas de jogos em 2025 já ocorreram em formato digital.
Para fabricantes, vender jogos diretamente nas lojas digitais significa maior margem de lucro, menor custo de distribuição e controle total sobre seu ecossistema.
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A pesquisa da Digital Foundry mostra algo importante: existe uma diferença enorme entre a tendência do mercado e o desejo do público mais apaixonado por videogames. Os números indicam que o digital domina as vendas, mas isso não significa que os jogadores que valorizam a mídia física simplesmente desapareceram.
Ao mesmo tempo, também vale colocar a enquete em perspectiva. Ela reflete a opinião da comunidade da Digital Foundry, formada por um público bastante entusiasta e interessado em tecnologia. Não representa necessariamente todos os consumidores de PlayStation.
Ainda assim, a mensagem enviada à Sony é clara: para muita gente, acabar com os discos não é apenas trocar um formato de distribuição. É abrir mão da propriedade, da preservação dos jogos e da liberdade de escolher como consumir videogames. Agora resta saber se a empresa enxergará essa reação como um simples ruído ou como um alerta para o futuro.
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