Satoru Iwata defendia há mais de uma década que demissões prejudicam a criatividade nos games !!

Em meio a uma indústria marcada por reestruturações, fechamento de estúdios e milhares de demissões nos últimos anos, uma declaração feita por Satoru Iwata em 2013 voltou a ganhar força nas redes sociais.

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Na época, o então presidente da Nintendo explicou aos investidores por que a empresa não pretendia realizar cortes em massa, mesmo enfrentando dificuldades após o lançamento abaixo das expectativas do Nintendo 3DS.

Para Iwata, melhorar os resultados financeiros no curto prazo às custas dos funcionários poderia gerar exatamente o efeito contrário no longo prazo.

"Funcionários com medo não criam grandes jogos"

Durante uma reunião com investidores, Iwata reconheceu que reduzir o quadro de funcionários poderia melhorar temporariamente os números da empresa.

No entanto, ele acreditava que isso destruiria algo muito mais importante: a motivação das equipes.

"Se reduzirmos o número de funcionários para obter melhores resultados financeiros no curto prazo, o moral da equipe diminuirá. Sinceramente, duvido que funcionários que vivem com medo de serem demitidos consigam desenvolver jogos capazes de impressionar pessoas do mundo inteiro."

A declaração se tornou uma das frases mais conhecidas do executivo e voltou a circular justamente em um momento em que diversas empresas do setor anunciaram grandes cortes.

Eficiência sem abrir mão das pessoas

Iwata deixou claro que a Nintendo também buscava eficiência financeira.

Segundo ele, reduzir gastos desnecessários e melhorar processos fazia parte da estratégia da empresa.

O que ele questionava era a ideia de utilizar demissões como principal ferramenta para aumentar rapidamente os lucros.

Em outro trecho da apresentação, afirmou:

"Sei que algumas empresas anunciam reestruturações e demissões para melhorar seu desempenho financeiro, mas, na Nintendo, nossos funcionários fazem contribuições valiosas em suas respectivas áreas. Não acredito que demitir um grupo de pessoas fortaleça a empresa no longo prazo."

Uma filosofia que marcou sua gestão

Essa postura acabou se tornando uma das características mais lembradas da gestão de Satoru Iwata.

Em vez de promover grandes cortes quando a Nintendo enfrentava dificuldades financeiras, a empresa optou por outras medidas para atravessar períodos complicados.

O próprio Iwata chegou a reduzir seu salário durante momentos difíceis da companhia, defendendo que preservar as equipes ajudaria a manter a criatividade necessária para desenvolver novos jogos de sucesso.

Uma reflexão que volta à tona em 2026

As palavras de Iwata ganharam nova repercussão justamente após uma sequência de grandes demissões na indústria.

Nos últimos meses, empresas como Microsoft, Ubisoft, Electronic Arts e diversas outras passaram por reestruturações que resultaram em milhares de desligamentos, reacendendo o debate sobre o impacto dessas decisões na criatividade e na qualidade dos jogos produzidos.

Embora cada empresa tenha sua própria realidade financeira e operacional, a declaração do ex-presidente da Nintendo continua sendo frequentemente citada como uma visão diferente sobre a gestão de estúdios de desenvolvimento.

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É impossível ler esse discurso hoje sem lembrar do momento que a indústria atravessa. Quase toda semana aparece uma nova notícia sobre cortes, fechamento de estúdios ou equipes inteiras sendo desmontadas, muitas vezes logo após lançarem jogos elogiados ou comercialmente bem-sucedidos.

Isso não significa que toda empresa consiga evitar demissões. Cada situação envolve fatores financeiros, estratégicos e de mercado que variam bastante. Mas Iwata levantava um ponto que continua atual: criatividade e insegurança dificilmente caminham juntas.

Desenvolver um grande jogo exige anos de trabalho coletivo, confiança entre as equipes e liberdade para experimentar. Quando o medo de perder o emprego passa a fazer parte da rotina, é natural que muita gente se pergunte quanto isso pode afetar o processo criativo.

Mais de dez anos depois, as palavras de Satoru Iwata continuam servindo menos como uma resposta definitiva e mais como uma reflexão importante para toda a indústria.

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