A China é um dos mercados mais valiosos da indústria dos games. Mas, apesar de 80% dos desenvolvedores ocidentais planejarem lançar jogos no país até 2028, uma pesquisa mostra que boa parte deles ainda não entende como funciona o mercado chinês.

Segundo um estudo realizado pela Rokky com 300 desenvolvedores dos Estados Unidos e do Reino Unido, a China já aparece como o terceiro mercado mais priorizado por estúdios ocidentais para futuros lançamentos. Ao mesmo tempo, quase metade dos entrevistados reconhece que ainda existem enormes barreiras para conseguir publicar um jogo por lá.
Entrar na China não é simplesmente apertar o botão de lançamento
O potencial é gigantesco. Estima-se que mais de 700 milhões de pessoas joguem videogame na China, movimentando dezenas de bilhões de dólares por ano. O problema é que simplesmente pegar um jogo desenvolvido para o Ocidente e colocá-lo à venda no país está longe de ser suficiente.
A pesquisa mostra que 43% dos desenvolvedores enxergam dificuldades para encontrar parceiros locais, enquanto 38% demonstram preocupação com pirataria ou roubo de propriedade intelectual. Outros 32% admitem que não sabem exatamente como fazer marketing para o público chinês, e 11% sequer sabem como funciona o processo de licenciamento no país.
E existe ainda uma confusão curiosa envolvendo as próprias plataformas. Apenas 44% dos entrevistados conseguiram identificar corretamente a WeGame, uma das principais plataformas digitais chinesas. Pior: 27% acreditavam que a WeGame era uma publicadora chinesa, quando na realidade se trata de uma plataforma de distribuição digital.
Isso mostra que o problema não é apenas burocrático. Existe também uma falta de conhecimento sobre o próprio ecossistema de games chinês.
O mercado exige adaptações
Alguns dos maiores jogos ocidentais já precisaram criar versões específicas para o mercado chinês. PUBG Mobile, Minecraft, VALORANT e outros exemplos mostram como as exigências regulatórias e comerciais podem resultar em experiências diferentes daquela disponibilizada em outros territórios.
Até mesmo jogos gigantes encontram dificuldades. Grand Theft Auto V, por exemplo, nunca recebeu um lançamento oficial na China.
Marketing também é outro desafio. Com diversas plataformas e serviços ocidentais bloqueados ou limitados no país, estratégias tradicionais simplesmente não funcionam da mesma maneira. A pesquisa aponta que alguns desenvolvedores ainda não sabem sequer como promover adequadamente seus jogos para o público chinês.
E existe uma curiosidade interessante nesse ponto: segundo o levantamento, muitos desenvolvedores ocidentais acreditam que jogadores chineses dependem principalmente de VPNs para acessar versões internacionais do Steam. Na prática, o cenário é mais complexo, com jogadores recorrendo também aos chamados game boosters para melhorar a conexão com servidores estrangeiros.
Ou seja, não basta conhecer o jogador. É preciso entender como ele compra, onde ele joga, como descobre novos jogos e quais plataformas utiliza.
E o caminho contrário também está acontecendo
Enquanto estúdios ocidentais tentam descobrir como entrar na China, desenvolvedores chineses estão cada vez mais interessados em conquistar o público internacional.
E aqui o cenário mudou bastante nos últimos anos.
Genshin Impact, Black Myth: Wukong, Wuchang: Fallen Feathers, Arena Breakout e outros títulos mostraram que os estúdios chineses não estão mais interessados apenas em disputar espaço dentro do próprio mercado.
Eles querem o mundo inteiro.
E isso cria uma situação bastante interessante para a indústria. Durante muito tempo, o fluxo de grandes produções era predominantemente de Ocidente para Oriente. Agora, cada vez mais, estamos vendo uma via de mão dupla.
O curioso é que os dois lados parecem enfrentar problemas parecidos: entender um público diferente, adaptar estratégias, encontrar os parceiros certos e aprender como funciona um ecossistema que não segue necessariamente as mesmas regras do seu mercado de origem.
A própria Rokky resumiu o cenário apontando que o interesse dos desenvolvedores ocidentais pela China é enorme, mas que simplesmente copiar as estratégias de distribuição e marketing utilizadas no Ocidente provavelmente não será suficiente para conquistar esse público.
E talvez essa seja a parte mais interessante de toda essa história. A indústria global de games está ficando cada vez mais conectada, mas estar conectado não significa necessariamente entender o mercado do outro lado da ponte.
Clima SussuWorld 🎮
A China deixou de ser um mercado que as grandes empresas podiam simplesmente ignorar. Ao mesmo tempo, os estúdios chineses estão mostrando que também podem competir de igual para igual no mercado ocidental.
Talvez o próximo grande passo da indústria não seja apenas fazer jogos para o mundo inteiro, mas aprender de verdade como conversar com públicos diferentes.
E você? Acha que os estúdios ocidentais ainda entendem pouco o público chinês? E o contrário também acontece? Será que estamos entrando em uma época em que China e Ocidente finalmente vão aprender a trocar experiências de igual para igual no mercado de games?
Postar um comentário