Agora é oficial. A Electronic Arts concluiu nesta terça-feira, 4 de agosto, sua venda por US$ 55 bilhões e passa a operar como uma empresa privada pela primeira vez desde 1990.
Uma das maiores companhias da história dos videogames inicia, assim, um capítulo completamente novo, agora controlada por um consórcio formado pelo Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, Silver Lake e Affinity Partners.
A conclusão do negócio já era esperada depois que a EA confirmou recentemente ter recebido todas as aprovações regulatórias necessárias. Com o fechamento da transação, suas ações deixam de ser negociadas publicamente, encerrando uma trajetória de aproximadamente 36 anos como companhia aberta.
Um negócio de US$ 55 bilhões e uma dívida gigantesca
O tamanho da operação por si só já chama atenção. Avaliada em US$ 55 bilhões, a aquisição da Electronic Arts passa a ser considerada a maior compra alavancada (leveraged buyout) da história.
Esse detalhe é particularmente importante porque uma aquisição alavancada funciona de maneira diferente de uma compra convencional. Uma parcela significativa do dinheiro utilizado para financiar o negócio vem de empréstimos, e parte dessa dívida acaba sendo incorporada pela própria companhia adquirida.
No caso da EA, serão aproximadamente US$ 20 bilhões em novas dívidas colocadas nas contas da empresa.
Portanto, embora a Electronic Arts esteja deixando para trás as pressões trimestrais típicas de uma companhia listada em Bolsa, ela começa essa nova fase carregando uma enorme obrigação financeira. E naturalmente haverá muita atenção sobre como isso poderá afetar investimentos, custos, estúdios e futuros projetos.
Andrew Wilson permanece no comando
Apesar da mudança radical na estrutura de propriedade, Andrew Wilson continuará como presidente e CEO da Electronic Arts.
Em comunicado divulgado após a conclusão da negociação, Wilson afirmou que a nova fase reconhece o trabalho das pessoas que transformaram a EA em uma das maiores empresas de entretenimento interativo do mundo.
Segundo o executivo, a companhia entra nesse novo capítulo "em uma posição de força", acompanhada de parceiros que compartilham sua visão e ambição. Wilson promete investimentos mais agressivos, aceleração da inovação e a criação de uma nova geração de jogos e experiências.
Para os jogadores, porém, a grande questão será descobrir o que exatamente essa promessa significará na prática.
PIF amplia ainda mais sua presença nos videogames
A aquisição também representa mais um movimento gigantesco do Public Investment Fund da Arábia Saudita dentro da indústria de entretenimento e videogames.
Turqi Alnowaiser, vice-governador e chefe de investimentos internacionais do PIF, destacou que o fundo já conhecia profundamente a Electronic Arts depois de passar mais de cinco anos como investidor minoritário da companhia.
Segundo Alnowaiser, as grandes franquias esportivas, propriedades intelectuais e alcance mundial da EA foram fatores fundamentais para o investimento. O executivo também classificou esportes e entretenimento como áreas estratégicas para o fundo saudita e afirmou que o consórcio pretende atuar como parceiro de longo prazo da administração da Electronic Arts.
Uma EA diferente começa agora
É difícil exagerar o tamanho dessa mudança. Estamos falando da companhia responsável ou proprietária de franquias como EA Sports FC, Battlefield, The Sims, Apex Legends, Mass Effect, Dragon Age, Need for Speed e Madden NFL, entre muitas outras.
A Electronic Arts vinha operando como empresa pública desde 1990. Agora, mais de três décadas depois, não precisará mais responder ao mercado acionário da mesma maneira, mas terá novos proprietários e uma dívida considerável decorrente da própria aquisição.
E essa segunda parte provavelmente será observada com lupa.
A companhia passou recentemente por diferentes rodadas de demissões, e funcionários de alguns de seus estúdios já haviam demonstrado preocupação com o impacto que uma operação tão fortemente financiada por dívida poderia provocar após sua conclusão.
A venda terminou. Agora começa a parte realmente importante: descobrir qual Electronic Arts sairá dela.
Clima SussuWorld 🎮💚
É um daqueles momentos que provavelmente vamos olhar daqui a alguns anos como um divisor de águas na história da EA.
US$ 55 bilhões é uma cifra monstruosa, mas o número que mais me chama atenção aqui é outro: US$ 20 bilhões em novas dívidas. Esse dinheiro não evapora depois da assinatura do contrato. Em algum momento, a conta precisa fechar, e é justamente aí que surge a preocupação com estúdios, projetos considerados menos rentáveis e possíveis novos cortes.
Ao mesmo tempo, sair da Bolsa pode permitir que a EA pense em estratégias de prazo maior sem aquela eterna cobrança pelo próximo trimestre. Esse seria o cenário positivo. O problema é que uma aquisição alavancada desse tamanho também cria sua própria pressão financeira.
Por isso, ainda é cedo para comemorar ou decretar desastre. O que dá para afirmar é que a Electronic Arts que conhecemos como companhia pública acabou hoje. Depois de 36 anos, começa uma nova EA, com novos donos, novas obrigações e provavelmente novas prioridades.
E, para uma empresa com tantas franquias importantes nas mãos, vale ficar de olho em cada movimento daqui para frente.
Postar um comentário