The Lord of the Rings: War in the North ganhou uma segunda chance nos consoles e PC com a nova Legacy Edition, mas, para um ex-diretor da Warner Bros. Games, o jogo já começou sua vida em uma situação bastante ingrata.

Christian Allen, veterano com 24 anos de indústria e que fazia parte da liderança da Warner Bros. Games na época do lançamento original, revelou que chegou a argumentar contra a decisão de colocar o jogo nas lojas tão próximo de The Elder Scrolls V: Skyrim.
E não estamos falando de alguns meses de diferença. War in the North chegou apenas 15 dias antes de Skyrim.
“Eu argumentei para não lançar contra Skyrim”
Allen comentou sobre o relançamento nas redes sociais e afirmou que, 15 anos atrás, tentou convencer a Warner Bros. de que aquela janela de lançamento seria péssima para o jogo.
“Há 15 anos, argumentei veementemente para não lançá-lo contra Skyrim, pois ele não teria uma chance justa. Fui vencido na decisão. É bom vê-lo finalmente tendo um lançamento adequado.”
Segundo Allen, ele não trabalhou diretamente no desenvolvimento de War in the North. Sua participação era na equipe de liderança do estúdio, enquanto Snowblind Studios era responsável pelo jogo.
Mesmo assim, ele acredita que a equipe acabou sendo prejudicada pela comparação inevitável com o gigantesco RPG da Bethesda.
“Na época, parecia realmente ter se perdido no meio de tudo, e todas as análises simplesmente o comparavam a Skyrim, exatamente como eu previa.”
E não foi apenas a proximidade com Skyrim que teria atrapalhado. Allen também afirma que o jogo recebeu pouquíssimo marketing e que praticamente não teve espaço na imprensa durante sua semana de lançamento.
Segundo ele, chegou a existir algo próximo de apenas uma análise publicada na semana em que o jogo chegou às lojas.
O problema pode ter sido o calendário financeiro
Allen também levantou uma possibilidade que é velha conhecida da indústria: o calendário fiscal pode falar mais alto que o calendário ideal para um jogo.
Para ele, decisões desse tipo muitas vezes são influenciadas pela necessidade de registrar determinada receita dentro de um trimestre específico.
“Motivações de receita trimestral influenciam mais decisões do que as pessoas imaginam.”
Ele chegou a explicar o dilema de maneira bastante direta: mesmo que um jogo pudesse vender muito mais se fosse adiado para março, o executivo responsável poderia sofrer financeiramente por não atingir as metas do período atual.
É uma visão particularmente interessante porque transforma o lançamento de War in the North em um daqueles casos de “o jogo estava no lugar errado, na hora errada”.
War in the North finalmente ganha uma segunda chance
Agora, porém, a história ganhou um capítulo novo.
The Lord of the Rings: War in the North – Legacy Edition foi lançado pela Aspyr para PS5, Xbox Series X|S, Switch 2, Switch e PC, custando US$ 19,99.
A nova versão traz melhorias pensadas para o hardware atual, incluindo suporte a 60 FPS, com exceção do Switch original, sistema de lock-on contra inimigos, novos slots de salvamento, autosave e uma inteligência artificial aprimorada, além de barras visíveis de vida, mana e experiência.
E tem um detalhe que deixa tudo ainda mais interessante: a Aspyr já afirmou que outros jogos clássicos de O Senhor dos Anéis também receberão novos lançamentos.
Ou seja, talvez War in the North não esteja apenas ganhando uma segunda chance. Ele pode estar abrindo a porta para uma pequena ressurreição dos jogos antigos da Terra-média.
Clima SussuWorld 🎮
Essa história é muito boa porque mostra como timing pode matar a percepção de um jogo.
War in the North não precisava necessariamente ser melhor que Skyrim. O problema é que, ao lançar apenas duas semanas antes de um dos maiores RPGs da história, ele praticamente foi obrigado a responder à pergunta errada: “É melhor que Skyrim?”
E aí não tinha conversa.
O jogo tinha uma proposta diferente, focada em ação cooperativa e no universo de Tolkien, mas acabou sendo colocado lado a lado com um monstro de mundo aberto que dominou completamente aquele período.
É justamente por isso que esse relançamento me parece tão interessante. Sem Skyrim na prateleira ao lado, talvez muita gente finalmente consiga olhar para War in the North pelo que ele realmente é.
E depois daquela informação de que a Aspyr pretende trazer mais clássicos de O Senhor dos Anéis, eu já estou olhando para The Two Towers e Return of the King com aquela cara de quem está esperando uma carta chegar pelo correio.
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