Poucos dias depois do lançamento de Halo: Campaign Evolved, a Halo Studios se tornou o mais recente estúdio da divisão Xbox a ser atingido pela nova rodada de demissões da Microsoft. Diversos funcionários confirmaram nas redes sociais que seus cargos foram eliminados, enquanto novos relatos indicam que o desenvolvimento do remake teria sido bem mais complicado e caro do que o planejado originalmente.

Entre os profissionais afetados está o produtor Nick Treitman, que trabalhou durante seis anos e meio com a franquia Halo. Em uma publicação no LinkedIn, Treitman comentou que conseguiu sobreviver a diversas rodadas anteriores de cortes, mas que desta vez acabou sendo atingido.
O produtor afirmou que continua tendo enorme carinho por Halo e pelas pessoas do estúdio, classificando a situação como parte de uma realidade particularmente difícil enfrentada atualmente pela indústria de videogames.
Outro funcionário afetado foi Paul Morris, Scrum Master da Halo Studios. Ele confirmou que seu período no estúdio chegará ao fim justamente após o lançamento de Campaign Evolved e destacou a dificuldade de procurar uma nova posição em um dos mercados de trabalho mais complicados que a indústria viu nos últimos anos.
Outros profissionais ligados ao estúdio também atualizaram seus perfis indicando que estão disponíveis para novas oportunidades.
Campaign Evolved teria enfrentado um desenvolvimento problemático
As demissões acontecem justamente quando começam a surgir novos detalhes sobre os bastidores de Halo: Campaign Evolved.
Segundo os relatos, o desenvolvimento teria consumido mais recursos do que inicialmente previsto, afetando inclusive outros projetos da franquia. Um deles seria um novo jogo multiplayer de Halo que acabou sendo cancelado.
Um dos problemas estaria relacionado justamente à tecnologia escolhida para produzir Campaign Evolved.
A Halo Studios anunciou anteriormente sua migração para a Unreal Engine 5, abandonando gradualmente as ferramentas proprietárias utilizadas durante décadas pela franquia. A mudança tinha como um de seus objetivos facilitar e acelerar o desenvolvimento dos próximos jogos.
Campaign Evolved, entretanto, acabou adotando uma solução híbrida.
Em vez de desenvolver completamente o remake na Unreal Engine 5, o estúdio utilizou uma versão modificada da tradicional Blam Engine, tecnologia que serviu de base para diversos jogos da série, incluindo Halo: Reach, enquanto elementos gráficos e assets produzidos na Unreal Engine 5 foram colocados por cima dessa estrutura.
No papel poderia parecer uma maneira de preservar o comportamento clássico de Halo enquanto modernizava seus gráficos.
Na prática, aparentemente virou uma bela dor de cabeça.
Trabalho da Abstraction teria sido descartado
A situação teria ficado ainda mais complicada envolvendo a Abstraction, estúdio terceirizado que trabalhou no projeto.
Segundo os relatos, a equipe teria enfrentado dificuldades para cumprir os prazos estabelecidos pela Halo Studios e acabou sendo retirada do desenvolvimento. Com isso, uma quantidade significativa do trabalho produzido externamente teria sido descartada.
A própria Halo Studios então precisou reconstruir diversos assets para que funcionassem adequadamente dentro da estrutura baseada na Blam Engine.
Isso teria aumentado custos, utilização de pessoal e tempo de desenvolvimento, justamente o contrário da eficiência que a Microsoft procura alcançar atualmente em seus estúdios.
E existe uma sensação inevitável de déjà vu nessa história.
Os fantasmas de Halo Infinite
Quem acompanhou os bastidores de Halo Infinite provavelmente reconheceu alguns elementos dessa história.
Infinite também enfrentou um desenvolvimento bastante turbulento, envolvendo dificuldades técnicas, utilização intensa de profissionais contratados e problemas relacionados às ferramentas internas da franquia.
Na época, o jogo utilizava a Slipspace Engine, apresentada como uma tecnologia preparada para levar Halo ao futuro, mas construída sobre décadas de evolução da própria Blam.
Depois dos problemas enfrentados por Infinite, a antiga 343 Industries passou por uma profunda reestruturação, tornou-se Halo Studios e anunciou justamente a adoção da Unreal Engine 5 como uma maneira de modernizar seu processo de produção.
Por isso, os relatos envolvendo Campaign Evolved chamam tanta atenção. O remake deveria representar justamente o começo dessa nova fase, mas aparentemente acabou carregando consigo parte dos antigos problemas técnicos da série.
Cortes fazem parte da nova rodada de demissões do Xbox
As demissões também acontecem dentro de um contexto muito maior.
A Microsoft já havia confirmado 3.200 cortes adicionais na divisão Xbox, sendo que aproximadamente 1.600 funcionários foram dispensados em julho. Os outros cortes deverão acontecer ao longo do atual ano fiscal.
Agora a Halo Studios aparece entre as equipes atingidas.
Ainda não está claro quantas pessoas foram dispensadas nem quais áreas sofreram os maiores cortes, mas a proximidade com o lançamento chama bastante atenção: Campaign Evolved chegou ao mercado e, poucos dias depois, integrantes da própria equipe responsável pelo jogo começaram a anunciar suas demissões.
ATUALIZAÇÃO 7 de agosto: Foi confirmado que aqueles que foram demitidos foram contratados e tiveram seus contratos chegando ao fim ou rescindiram. Nenhum pessoal a tempo inteiro foi despedido.
Clima SussuWorld 🎮💚
Cara... é difícil olhar para uma notícia dessas e enxergar apenas uma “reestruturação”.
Você passa anos fazendo um jogo, atravessa problemas técnicos, prazos, mudanças de planejamento e toda aquela loucura que existe nos bastidores de uma produção desse tamanho. O jogo finalmente fica pronto. É lançado. Você provavelmente passa aquele primeiro fim de semana olhando jogadores descobrindo aquilo que ajudou a construir.
E poucos dias depois chega a notícia de que seu emprego acabou.
O caso de Halo ainda tem uma camada adicional bastante incômoda porque essa franquia já passou por esse filme antes. Halo Infinite teve um desenvolvimento complicado, a 343 Industries foi profundamente reformulada, virou Halo Studios e a Unreal Engine 5 apareceu praticamente como símbolo de um novo começo.
Agora descobrimos que Campaign Evolved aparentemente acabou preso entre o velho e o novo, utilizando uma solução híbrida que trouxe dificuldades, consumiu mais recursos do que o planejado e teria obrigado a equipe a refazer parte do trabalho.
Se esses relatos estiverem corretos, fica uma pergunta importante para o futuro: quando Halo finalmente estiver sendo desenvolvido integralmente dentro da Unreal Engine 5, esses problemas realmente desaparecerão?
Porque trocar o motor ajuda. Trocar ferramentas ajuda. Reorganizar equipes pode ajudar.
Mas se problemas de planejamento, prazos e gerenciamento continuarem atravessando diferentes jogos, diferentes tecnologias e até diferentes versões do próprio estúdio, talvez o problema nunca tenha sido apenas a engine.
E ver funcionários pagando essa conta poucos dias depois de colocarem um novo Halo nas lojas torna tudo ainda mais amargo.
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