Tem jogo que tenta parecer moderno. Tem jogo que tenta parecer retrô. E tem Duskfade, que olha pra época de ouro do PS2 e fala: “Eu quero fazer um jogo como aqueles que vocês jogavam.”

E cara… fizeram.
Desde os primeiros minutos, o jogo passa aquela sensação de “porra, isso aqui poderia ter saído em 2003 e ninguém estranharia”. Não é que o gráfico seja de PS2. A proposta é outra. É o jeito de construir o mundo, a movimentação, o clima, a forma de explorar… tudo grita aquela geração.

E foi isso que me pegou.
Eu joguei a demo muito. Tanto que, quando surgiu a chance de fazer o review, eu já tava viciado. Cheguei a mandar e-mail pros caras perguntando quando ia sair a versão completa. Quando finalmente consegui o jogo, a sensação foi de reencontrar alguma coisa que eu já sabia que gostava.
E olha que eu raramente faço isso: tô jogando Duskfade em doses homeopáticas.
Não quero terminar rápido.
Uma carta de amor ao PS2
A Weird Beluga claramente fez uma carta de amor pros platformers 3D daquela época. Tem cheiro de Jak and Daxter, Ratchet & Clank e até um pouco de Kingdom Hearts. Mas não parece cópia. Parece alguém que entendeu o que funcionava e resolveu construir a própria aventura em cima disso.

Você controla Zirian junto com o Cuckoo, um companheiro mecânico, numa jornada pra restaurar o tecido do tempo e salvar a irmã. Passa por floresta, área subaquática, deserto… e tudo com aquela estrutura gostosa: correr, pular, deslizar, usar gancho, achar segredo e enfrentar chefão no final.
Simples?
Sim.
Funciona?
Pra caramba.
Gameplay gostoso de jogar
O combate é fácil de entender e vai ganhando ferramentas novas. A movimentação é o ponto alto. Você sente o personagem. O salto responde, o gancho responde, o deslize responde. Parece detalhe básico, mas é exatamente isso que separa um platformer 3D gostoso de um que começa a irritar depois de meia hora.

E Duskfade é gostoso de jogar. Graficamente, o jogo vai dividir opinião. Sempre tem alguém que vai olhar e falar: “Podia ser mais moderno.” Só que, sinceramente, se ele tentasse ser outra coisa, perderia a graça.
Ele sabe o que quer parecer.
E consegue.
Tem hora que você pega o controle, olha pro cenário e pensa: “Caramba… eu já tive essa sensação há muitos anos.”
É justamente aí que o jogo acerta.
Uma aventura que sabe o que quer
A história tem aquele ar de amadurecimento e salvação da irmã, mas o jogo nunca esquece que você tá ali pra jogar.Explora, acha segredo, ganha habilidade, volta pra outro canto, enfrenta o chefão e parte pro próximo mundo.

A fórmula antiga continua funcionando. E continua funcionando muito bem.
Vale a pena?
Vale muito.
Principalmente se você cresceu no PS2. Duskfade não tenta te convencer de que o passado era melhor. Ele só pega o que funcionava naquela época e mostra que ainda funciona hoje. Eu joguei tanto a demo que, quando peguei o jogo completo, não pensei duas vezes. Agora tô me segurando pra não zerar rápido demais.

Não porque o jogo seja ruim.
É o contrário.
Eu não quero que acabe ainda.
O gameplay é gostoso, o controle responde bem, a exploração funciona e a direção artística acerta em cheio naquele sentimento de PS2. Sempre vai ter gente reclamando de gráfico. Pra mim, isso perde importância no momento em que você sente de novo aquela vontade de ficar mais um pouco na frente da TV.
Pra quem sente saudade daquela época e curte ação e plataforma em 3D, a recomendação é fácil:
Joga.
Porque às vezes a melhor viagem pro passado não precisa de emulador.
Só precisa de um jogo que entende por que aquela época era tão especial.