Fable sobreviveu a um longo desenvolvimento por ser “vital” para o Xbox

Depois de anos de desenvolvimento e alguns adiamentos pelo caminho, Fable continua avançando como um dos projetos mais importantes da atual estratégia do Xbox. 

E, segundo o diretor Ralph Fulton, existe uma razão importante para o jogo ter conseguido atravessar esse longo processo: dentro da própria Microsoft, muita gente considera a franquia “vital para o DNA da plataforma”.

Em entrevista ao The Guardian, destacada pelo Eurogamer, Fulton falou sobre o desenvolvimento do novo Fable e explicou como a importância da franquia ajudou a Playground Games a ter espaço para perseguir a qualidade que considerava necessária.

“Vital para o DNA do Xbox”

De acordo com Fulton, o novo Fable teve um ciclo de desenvolvimento particularmente longo, mas a equipe contou com o apoio de pessoas dentro do Xbox que enxergam a franquia como algo fundamental para a identidade da plataforma.

O diretor afirmou que “muitas pessoas dentro do Xbox veem Fable como vital para o DNA da plataforma”, algo que, segundo ele, ajudou o projeto durante esse período mais extenso de desenvolvimento.

A declaração ganha peso quando lembramos que a Playground Games ficou conhecida principalmente por Forza Horizon, uma franquia de corrida que se tornou uma das grandes vitrines do Xbox. Fable representa uma mudança completa de gênero para o estúdio, embora Fulton ressalte que a equipe conseguiu aproveitar conhecimentos adquiridos trabalhando com mundos abertos.

“Não temos carros”, brincou o diretor ao falar sobre a diferença entre os projetos, mas destacou que o mundo aberto é justamente uma das áreas em que a experiência adquirida pela Playground pode ser transferida para Fable.

Playground quis provar que também consegue fazer RPG

Fulton também revelou que trabalhar em Fable fez com que ele pensasse sobre videogames de uma maneira mais profunda do que em qualquer outro projeto de sua carreira.

Existe, segundo o diretor, um certo orgulho em provar que a Playground Games poderia entregar um jogo de um gênero completamente diferente daquele pelo qual ficou conhecida.

Mas a equipe também tomou cuidado para não abandonar completamente aquilo que já sabia fazer.

A experiência com mundos abertos se tornou uma espécie de ponte entre Forza Horizon e Fable. O estúdio precisou aprender uma série de novas ferramentas e conceitos relacionados ao RPG, mas continuou utilizando sua experiência na construção de grandes ambientes exploráveis.

É uma mudança de gênero considerável, mas não uma ruptura completa com aquilo que tornou a Playground conhecida.

Fable quer fazer o jogador questionar suas escolhas

Outro ponto destacado por Fulton envolve a própria conclusão da aventura.

O diretor afirmou que a equipe “perseguiu incansavelmente a qualidade” durante o desenvolvimento e que esse esforço culmina em uma escolha capaz de fazer o jogador refletir sobre quem ele é, colocando um custo pessoal real em relação ao resultado dessa decisão.

A declaração reforça uma das características históricas de Fable: a ideia de que as escolhas do jogador não precisam simplesmente determinar uma resposta certa ou errada, mas podem carregar consequências capazes de afetar a própria jornada.

Ainda não sabemos exatamente como essa escolha funcionará no jogo final, mas Fulton parece bastante confiante de que a equipe conseguiu chegar a um ponto satisfatório depois de tantos anos de trabalho.

Um jogo importante para além do Xbox

Talvez a afirmação mais ambiciosa de Fulton seja justamente a de que Fable não é importante apenas para o Xbox.

Segundo o diretor, o novo jogo é “importante para os videogames como um todo”, porque possui elementos que, na visão dele, não existem em nenhum outro lugar.

É uma declaração naturalmente bastante confiante, principalmente para um projeto que ainda precisa provar seu valor quando finalmente chegar às mãos dos jogadores. Mas também mostra o tamanho da responsabilidade que a Playground Games colocou sobre o novo Fable.

A franquia original construiu uma identidade bastante particular dentro dos RPGs, misturando fantasia, humor britânico, escolhas morais e uma série de sistemas que permitiam ao jogador moldar seu personagem e sua trajetória.

Agora, a Playground precisa transportar essa identidade para uma nova geração sem simplesmente tentar reproduzir os jogos antigos.

E esse talvez seja o maior desafio de todos.

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Essa frase do Ralph Fulton, “vital para o DNA do Xbox”, explica bastante coisa.

Porque olhando de fora, é fácil perguntar: “Rapaz, mas por que a Microsoft está deixando esse negócio cozinhar tanto tempo?” 

A resposta parece estar justamente no peso que Fable ainda possui dentro da identidade do Xbox. Não é uma IP qualquer que apareceu ontem. É uma franquia associada à história da plataforma e que representa um gênero que o Xbox precisa ter em seu catálogo.

E tem outra coisa interessante: colocar a Playground Games, conhecida mundialmente por Forza Horizon, para ressuscitar Fable é uma aposta enorme. É quase como pegar um estúdio especialista em construir mundos onde você passa horas dirigindo e dizer: “agora coloca aldeões, monstros, magia, escolhas morais e um monte de britânico estranho aqui dentro”. 

Só que é justamente essa mudança que torna o projeto interessante.

Agora, depois de tantos anos, a cobrança também aumenta. Se Fable realmente é tão vital para o DNA do Xbox quanto Fulton afirma, o jogo precisa chegar mostrando por que a Microsoft teve tanta paciência com ele.

Porque depois de uma espera dessas, o jogador não quer apenas um Fable novo.

Quer descobrir por que esse Fable precisava de todo esse tempo.

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