Funcionário da id Software critica comunicação da Xbox e chama de "discurso corporativo vazio"

A onda de reestruturação da Xbox continua provocando reações dentro da própria Microsoft. Após novas demissões, mudanças na organização de estúdios e transferência de equipes entre diferentes divisões, um funcionário da id Software criticou duramente a maneira como a companhia vem comunicando suas decisões internamente.

Em entrevista ao site Aftermath, o funcionário, que não teve sua identidade revelada, afirmou que a comunicação da Xbox continua excessivamente corporativa e que existe uma percepção de falta de clareza sobre o futuro da divisão.

A declaração acontece em meio à mais recente rodada de cortes, que eliminou 268 postos de trabalho, além de mudanças envolvendo estúdios como Rare, World’s Edge e Obsidian.

“Discurso Corporativo Vazio”

Segundo o funcionário da id Software ouvido pelo Aftermath, houve uma tentativa de comunicação com os estúdios durante o processo de reestruturação, mas a forma como as mensagens estão sendo apresentadas não estaria convencendo parte dos trabalhadores.

“Embora tenha havido uma tentativa de comunicação com os estúdios, ainda é completamente um discurso corporativo vazio”, afirmou o funcionário.

Na avaliação da fonte, também não estaria claro qual é a visão de longo prazo da Xbox.

O funcionário disse ainda que, na percepção dele, a mensagem concreta que chegou aos trabalhadores é a busca por lucros maiores em um prazo curto, acompanhada de metas consideradas agressivas.

A fonte afirmou que algumas dessas metas seriam difíceis de alcançar mesmo antes da atual onda de demissões e declarou que o sentimento entre trabalhadores em relação ao futuro da divisão seria bastante negativo.

É importante destacar que essas são avaliações de um funcionário entrevistado anonimamente, e não uma declaração oficial da id Software ou uma posição que possa ser atribuída a todos os funcionários da Xbox.

Reestruturação aumenta insegurança dentro da Xbox

A declaração aparece poucos dias depois de novas mudanças na estrutura da Microsoft Gaming.

Como parte da atual reestruturação, Rare e World’s Edge passaram para a Activision, enquanto a Obsidian foi colocada sob a estrutura da Bethesda. A Microsoft também anunciou 268 demissões envolvendo diferentes áreas, incluindo Halo Studios, outros estúdios da Xbox e funções de gestão e suporte.

O momento também é marcado por outras mudanças anunciadas desde julho, incluindo a independência de alguns estúdios e alterações na estrutura de publicação e desenvolvimento de diferentes projetos.

Para os funcionários, o efeito desse processo não se limita necessariamente às equipes diretamente atingidas pelas demissões. A sucessão de mudanças também pode aumentar a incerteza entre profissionais que permanecem na empresa.

Um funcionário ouvido anteriormente pelo Insider Gaming descreveu justamente essa sensação, afirmando que existe uma percepção de que os trabalhadores precisam “pisar em ovos” durante o atual período de reorganização.

Outra fonte ouvida pelo veículo questionou os critérios utilizados para determinar quais funcionários permanecem e quais são dispensados, levantando a possibilidade de que fatores como salário tenham peso nas decisões.

Novamente, essas declarações são relatos de fontes internas e não foram apresentadas pela Microsoft como explicação oficial para os critérios utilizados nas demissões.

Xbox ainda atravessa uma transformação maior

A situação também precisa ser observada dentro do contexto mais amplo da reestruturação da Xbox.

A Microsoft já afirmou que está realizando mudanças para reorganizar sua operação após um período de forte expansão, enquanto busca concentrar recursos em determinadas áreas e adaptar seus negócios às novas condições do mercado.

O problema é que, para quem está dentro dos estúdios, essas transformações são experimentadas de uma maneira muito mais direta. Mudanças de liderança, transferência de equipes, fechamento de operações e demissões afetam projetos e pessoas que passam anos trabalhando dentro dessas estruturas.

A Microsoft também indicou anteriormente que as ações realizadas desde julho representam aproximadamente 75% da reestruturação anunciada anteriormente. Isso significa que o processo ainda não foi concluído, embora a empresa não tenha detalhado publicamente o que exatamente representa os 25% restantes.

Também existem relatos de que novas demissões podem ocorrer nos próximos meses, mas isso não significa necessariamente que a Microsoft vá atingir exatamente o número de 3.200 cortes mencionado anteriormente.

O que os relatos internos realmente mostram?

As declarações divulgadas nos últimos dias mostram que existe insatisfação entre algumas fontes internas da Xbox, especialmente em relação à segurança no emprego, à comunicação e à percepção sobre os objetivos da atual reestruturação.

Mas também é importante não transformar esses relatos individuais em uma fotografia definitiva de toda a força de trabalho da Microsoft Gaming.

A própria existência de opiniões divergentes dentro de uma organização desse tamanho seria esperada, e as declarações disponíveis publicamente representam apenas os funcionários que aceitaram conversar com veículos de imprensa, muitas vezes sob anonimato.

O que é concreto é que a Xbox atravessa uma transformação significativa, com cortes de pessoal, reorganização de estúdios e mudanças na estrutura de desenvolvimento e publicação. O impacto dessas decisões sobre os trabalhadores e sobre os próprios projetos continuará sendo observado nos próximos meses.

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Essa história é complicada porque tem duas coisas diferentes acontecendo ao mesmo tempo.

De um lado, temos fatos concretos: demissões, estúdios mudando de estrutura, equipes sendo reorganizadas e uma reestruturação que a própria Microsoft admite ainda não ter terminado.

Do outro, temos o que está sendo dito por funcionários anonimamente. E aí é importante não transformar uma fonte em porta-voz de 20 mil pessoas.

Mas também não dá para simplesmente ignorar o que essas pessoas estão dizendo.

Quando você tem uma sequência tão grande de mudanças acontecendo em poucos meses, é natural que a pergunta dentro dos estúdios seja: “Tá, mas afinal, para onde estamos indo?”

E talvez esse seja justamente o ponto mais interessante dessa declaração. Não é apenas a reclamação contra o “corporativês”. É a percepção de que existe uma distância entre as mensagens oficiais e aquilo que alguns funcionários estão enxergando no chão das fábricas, ou melhor, dos estúdios.

Agora, chamar tudo isso de incompetência é uma opinião da fonte, e não algo que nós podemos transformar em fato. O que podemos afirmar é que a Microsoft está fazendo uma das maiores reorganizações de sua história recente na área de games e que ainda existem funcionários tentando entender qual será o resultado final desse processo.

E enquanto a Microsoft fala em “reset”, quem está dentro das equipes aparentemente ainda está tentando descobrir qual será o botão que vem depois do reset.

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