NeoGeo AES+ quase foi cancelado por falta de chips e precisou ser redesenhado

O NeoGeo AES+, novo console desenvolvido pela SNK e pela Plaion para reviver a experiência do clássico hardware dos anos 1990, quase foi cancelado por causa da atual escassez global de chips. 

O problema foi tão sério que a equipe precisou redesenhar parte da arquitetura dos cartuchos para conseguir manter o projeto vivo, o que acabou provocando o atraso de quase um ano no lançamento.

O NeoGeo AES+ foi anunciado originalmente com uma proposta bastante ambiciosa: oferecer compatibilidade completa com os cartuchos originais do NeoGeo AES, além de melhorias de qualidade de vida e uma nova linha de cartuchos. Depois de uma resposta inicial muito forte e de um número significativo de pré-vendas, a Plaion começou a procurar os componentes necessários para iniciar a produção.

Foi justamente aí que surgiu o problema.

A memória necessária para o AES+ simplesmente não estava disponível

Em entrevista ao VGC durante a Tokyo Game Show, Ben Jones, diretor de hardware e software da Plaion, contou que ficou surpreso ao descobrir que os fornecedores não conseguiam garantir os chips de memória necessários para fabricar o console.

Segundo ele, depois do anúncio do AES+, a resposta do público e o volume de pré-vendas foram muito maiores do que o esperado. A equipe então entrou imediatamente na fase de aquisição dos componentes e entrou em contato com fornecedores na Ásia.

A resposta, entretanto, foi algo que Jones afirmou nunca ter experimentado em quase duas décadas trabalhando na Plaion.

Os fornecedores simplesmente não conseguiam entregar os chips necessários.

O motivo está diretamente relacionado ao atual mercado de semicondutores, que vem sendo pressionado pela enorme demanda de infraestrutura para inteligência artificial. Grandes quantidades de memória e outros componentes estão sendo direcionadas para data centers e sistemas de IA, reduzindo a disponibilidade de determinados chips para produtos eletrônicos de consumo.

No caso específico do NeoGeo AES+, o problema estava relacionado à Parallel NOR flash, um tipo de memória que, segundo Jones, estava praticamente indisponível.

A situação chegou a um ponto em que o executivo viajou até Taiwan para conversar pessoalmente com fabricantes e tentar encontrar alguma alternativa.

Mesmo assim, a perspectiva inicial não era animadora.

Segundo Jones, havia uma espera de aproximadamente seis meses apenas para descobrir se os fabricantes sequer poderiam considerar o pedido.

NeoGeo AES+ poderia ter sido cancelado

A falta dos componentes colocou o projeto em uma situação bastante complicada.

A equipe precisava decidir entre esperar por uma quantidade de memória que poderia continuar indisponível por muito tempo ou encontrar uma maneira completamente diferente de construir o sistema.

E foi aí que os engenheiros olharam para uma parte bastante curiosa do próprio projeto: os cartuchos.

O NeoGeo AES+ já utilizaria dois chips ASIC especialmente desenvolvidos para os cartuchos, responsáveis por lidar com a memória e pela comunicação com o console.

A equipe já tinha milhares desses componentes preparados para a produção dos cartuchos.

Em vez de abandonar o projeto, a Plaion decidiu investigar se poderia utilizar outro tipo de memória que estivesse mais facilmente disponível.

A alternativa encontrada foi a Serial NOR flash.

O problema é que o NeoGeo tradicional trabalha com memória Parallel NOR. Para utilizar a alternativa serial, seria necessário desenvolver uma forma de converter o sinal serial para o formato paralelo esperado pelo sistema.

Ou seja, a solução para a falta de componentes do console acabou sendo encontrada dentro dos próprios cartuchos.

Cartuchos precisaram ser redesenhados

A Plaion então redesenhou os chips utilizados nos cartuchos para incorporar a tecnologia necessária à conversão dos sinais.

Essa alteração não aconteceu de graça.

Além do desenvolvimento da nova solução, a equipe precisou realizar novos testes e validar novamente o sistema, aumentando consideravelmente o tempo necessário para colocar o produto no mercado.

O resultado foi o atraso anunciado anteriormente pela Plaion e pela SNK: o lançamento do NeoGeo AES+ foi empurrado para setembro de 2027, quase um ano depois do cronograma inicialmente planejado.

Para Bruno Steux, diretor técnico da Plaion, a decisão de redesenhar o produto e aceitar o atraso foi difícil, mas não havia muitas alternativas.

Esperar pela memória original poderia significar um atraso ainda maior e custos potencialmente muito mais altos.

Ben Jones foi ainda mais direto ao explicar a situação: sem a solução encontrada para a memória flash, segundo ele, o projeto provavelmente estaria morto.

Depois de anos de desenvolvimento, a equipe decidiu esgotar todas as possibilidades para evitar que isso acontecesse.

AES+ continua aumentando sua biblioteca

Apesar de toda a turbulência envolvendo o hardware, o projeto continua avançando.

Durante a Tokyo Game Show, Plaion e SNK anunciaram mais cinco jogos para o NeoGeo AES+, aumentando para 15 títulos a biblioteca anunciada até agora.

Os novos jogos são:

Zero Wing, Karnov’s Revenge, Magical Drop II & III, Spinmaster e Street Slam / Street Hoop.

E esse catálogo ainda deve crescer.

Segundo Jones, a empresa já assinou acordos com outros parceiros e também pretende explorar o enorme catálogo histórico da própria SNK.

A equipe também está interessada em trazer mais conversões de arcades e até versões aprimoradas de jogos clássicos.

Um exemplo citado foi Big Tournament Golf, que poderá receber uma novidade bastante curiosa: a possibilidade de jogar no campo da Escócia.

A proposta, portanto, não é apenas reproduzir exatamente aquilo que existia há 35 anos.

A equipe quer utilizar o AES+ como uma plataforma capaz de preservar o passado e, ao mesmo tempo, adicionar novos conteúdos e experiências.

Clima SussuWorld

Rapaz, essa história é muito mais interessante do que simplesmente “NeoGeo atrasou por falta de chips”.

O projeto estava literalmente dependendo de uma peça que virou ouro no mercado de componentes. A Plaion foi atrás dos fabricantes, viajou para Taiwan, tentou negociar, descobriu que poderia esperar seis meses só para saber se conseguiria comprar a memória e chegou a uma situação em que o AES+ poderia simplesmente morrer.

Aí alguém olhou para os cartuchos e falou:

“E se a gente colocar a gambiarra... digo, a engenharia... aqui?” 

E foi exatamente isso que salvou o projeto.

O mais curioso é que a solução não parece ter sido uma simples adaptação provisória. Eles tiveram que redesenhar os chips dos cartuchos, desenvolver a conversão entre Serial NOR e Parallel NOR e depois testar tudo novamente. É justamente esse trabalho que ajudou a empurrar o console para setembro de 2027.

E tem uma ironia muito bonita nisso tudo: estamos falando de um console baseado em uma máquina de 35 anos atrás, mas que está sendo afetado diretamente por um dos fenômenos tecnológicos mais modernos do planeta, a explosão da demanda por hardware para inteligência artificial.

O NeoGeo dos anos 90 olhando para 2026 e pensando:

“Até a IA está tentando me impedir de voltar.” 

Mas pelo menos o projeto não morreu. Pelo contrário, a biblioteca está crescendo, novos parceiros estão chegando e a SNK ainda tem um catálogo gigantesco para explorar.

Agora eu quero mesmo ver esse AES+ funcionando com cartucho original de NeoGeo. Porque, depois dessa novela toda de chips, Taiwan, ASIC, memória serial, memória paralela e quase cancelamento, esse troço precisa funcionar bonito. 

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