A Square Enix está colocando praticamente todas as suas fichas em Final Fantasy VII Revelation, terceiro e último capítulo da trilogia que reimagina um dos maiores clássicos da história dos RPGs japoneses.

O projeto promete fechar a história iniciada em Final Fantasy VII Remake e continuada em Final Fantasy VII Rebirth, levando a aventura para uma estrutura ainda mais ambiciosa, com mundo aberto, novas possibilidades de exploração, refinamentos no sistema de combate e uma série de novidades envolvendo personagens como Cid e Vincent.
Mas enquanto a Square Enix trata Final Fantasy VII Revelation como o encerramento dessa longa jornada, uma declaração do produtor Yoshinori Kitase deixou uma porta curiosamente entreaberta para o futuro. E, considerando o tamanho que Final Fantasy VII alcançou dentro da própria franquia, talvez essa porta nunca seja completamente fechada.
O sucesso de Final Fantasy VII pode falar mais alto novamente
Em entrevista, Kitase explicou que a equipe está colocando tudo o que tem em Final Fantasy VII Revelation, justamente por enxergar o jogo como a conclusão da trilogia. A intenção é entregar o projeto com o mais alto nível de qualidade possível e fechar esse capítulo da melhor maneira.
O produtor, porém, lembrou de algo que aconteceu décadas atrás. Quando o Final Fantasy VII original terminou, a equipe também acreditava que havia concluído aquela história. Só que a reação dos jogadores foi tão forte que os personagens continuaram vivos de outras maneiras.
Foi justamente essa popularidade que ajudou a dar origem a projetos como Final Fantasy VII: Advent Children e Crisis Core, além de toda a chamada Compilation of Final Fantasy VII.
E Kitase não descartou que algo semelhante possa acontecer novamente. Segundo ele, tudo dependerá da reação dos fãs ao novo jogo e de como o público receberá esse capítulo final. Em outras palavras, Revelation pode ser o fim da trilogia, mas isso não significa necessariamente que será a última vez que veremos esse universo.
É uma declaração bastante compreensível. Cloud, Tifa, Aerith, Barret e Sephiroth deixaram de ser simplesmente personagens de um único jogo há muito tempo. Eles se transformaram em alguns dos rostos mais reconhecidos da história dos videogames. Quando existe uma base de fãs desse tamanho, a tentação de voltar para Midgar e seus arredores provavelmente nunca desaparece completamente.
Mas existe uma pergunta muito maior escondida nisso tudo
O curioso é que essa declaração acontece justamente em um momento bastante diferente para a franquia.
Final Fantasy VII Remake e Final Fantasy VII Rebirth chegaram enquanto ainda existia um novo episódio principal da série no horizonte. Final Fantasy XVI ocupava esse espaço como a grande nova experiência da franquia, enquanto o projeto de VII seguia seu próprio caminho.
Agora a situação é diferente.
Com Final Fantasy VII Revelation sendo desenvolvido e nenhuma nova entrada principal claramente apresentada ao público, o silêncio em torno de Final Fantasy XVII começa a chamar atenção. A Square Enix não revelou oficialmente qual será o próximo grande capítulo da franquia, e isso inevitavelmente levanta algumas perguntas sobre os planos da empresa.
Será que a Square Enix está esperando o resultado de Revelation antes de definir os próximos passos? Será que Naoki Hamaguchi, diretor dos jogos do remake, poderia assumir um papel ainda maior no futuro da série? Ou simplesmente estamos diante de um projeto que ainda está longe de poder ser apresentado?
Por enquanto, não existe resposta oficial.
E é justamente aí que mora a parte interessante da história.
Final Fantasy não pode viver eternamente de Final Fantasy VII
Por mais que Final Fantasy VII seja gigantesco, existe um risco em transformar um único capítulo no rosto permanente da franquia.
E aqui eu acho que vale separar duas coisas. Continuar explorando Final Fantasy VII não é necessariamente ruim. A própria história mostrou que existem maneiras interessantes de revisitar esse universo, e a trilogia Remake provou que ainda existe muito espaço para reinterpretar personagens, sistemas e acontecimentos que já conhecemos há décadas.
O problema aparece quando isso começa a ocupar o espaço que deveria pertencer às novas ideias.
Uma das maiores características de Final Fantasy sempre foi justamente a capacidade de mudar completamente de mundo, personagens, sistemas e conceitos. Você terminava um jogo e nunca sabia exatamente para onde a Square Enix iria levar a série na próxima vez. Foi assim durante décadas.
É isso que torna tão importante a existência de um Final Fantasy XVII realmente novo.
Um universo completamente inédito daria aos desenvolvedores liberdade para experimentar sem precisar encaixar cada mecânica dentro das regras, personagens e acontecimentos estabelecidos de Final Fantasy VII. A trilogia atual pode ter um sistema de combate excelente, mas existe uma diferença enorme entre criar algo novo e criar algo novo dentro de uma história que já possui décadas de memória afetiva.
E Final Fantasy sempre foi uma série que cresceu justamente quando teve coragem de virar a página.
O futuro pode precisar de mais de um Final Fantasy
Talvez a solução nem precise ser escolher entre Final Fantasy VII e um novo episódio.
A Square Enix pode continuar explorando seus clássicos enquanto desenvolve novas histórias. Pode revisitar jogos antigos, produzir remakes quando fizer sentido e, ao mesmo tempo, continuar investindo em mundos inéditos.
E existe ainda outro caminho que pode ganhar força caso Final Fantasy Resonance tenha uma boa recepção: recuperar de maneira mais consistente o estilo tradicional de RPG por turnos dentro da franquia.
Isso seria interessante porque Final Fantasy possui hoje um público enorme e extremamente dividido em preferências. Há quem queira ação, quem prefira sistemas tradicionais, quem adore os mundos clássicos e quem queira algo completamente novo.
Talvez o futuro ideal seja justamente permitir que todas essas vertentes existam.
No fim das contas, Final Fantasy VII Revelation ainda precisa chegar primeiro. A Square Enix está tratando o jogo como o grande encerramento de uma era, e tudo indica que a equipe quer fazer desse último capítulo algo gigantesco.
Mas a declaração de Kitase deixa uma pequena luz acesa no corredor.
Se os fãs continuarem pedindo, talvez Cloud e companhia ainda tenham algumas histórias para contar.
Só espero que, quando chegar a hora de pensar no próximo Final Fantasy, a Square Enix também olhe para frente.
Porque depois de tantos anos, eu quero entrar em um novo mundo de Final Fantasy sem saber absolutamente nada sobre ele. Quero aquela sensação antiga de colocar o disco ou cartucho, começar uma aventura e pensar: “que mundo é esse?”
É justamente essa sensação que fez a franquia chegar tão longe.
Clima SussuWorld 🎮
Eu adoro Final Fantasy VII. Quem acompanha o SussuWorld sabe disso. E justamente por gostar tanto dele, eu acho que a melhor homenagem que a Square Enix pode fazer ao jogo é não deixar que ele vire uma prisão criativa para a franquia.
Final Fantasy VII já ganhou remake, continuação, filmes, spin-offs e praticamente uma segunda vida inteira. E tudo bem continuar explorando esse universo quando existir uma boa ideia.
Mas eu quero Final Fantasy XVII.
Quero um mundo novo, personagens novos, uma história que ninguém conhece e aquele friozinho de começar uma aventura sem saber onde ela vai terminar. Se a Square conseguir entregar isso, enquanto continua tratando seus clássicos com carinho, aí teremos o melhor dos dois mundos.
Agora é esperar Revelation fechar essa história.
E depois... abre a cortina, Square Enix. Quero ver o próximo mundo.
Postar um comentário