Uncharted 4: A Thief’s End acabou se tornando um dos jogos mais celebrados da Naughty Dog, mas a versão que chegou aos jogadores em 2016 passou por mudanças significativas durante seu desenvolvimento.

Segundo Matt Radford, ex-artista de efeitos visuais da Naughty Dog, a visão original de Amy Hennig para o jogo era bastante diferente daquela que acabou sendo conduzida posteriormente por Neil Druckmann e Bruce Straley.
Em entrevista ao Kiwi Talkz, Radford contou que entrou na Naughty Dog enquanto Hennig ainda trabalhava em Uncharted 4 e teve contato direto com uma versão muito inicial do projeto. Entre as maiores diferenças estava justamente um dos personagens que posteriormente se tornaria peça central da história: Sam Drake.
Sam Drake seria o vilão
Segundo Radford, Sam já fazia parte da versão de Hennig, mas sua personalidade e função na história eram completamente diferentes.
“A visão da Amy para o jogo que eu vi não tinha os mesmos personagens, como Sam. Quer dizer, Sam estava nele, mas não era o mesmo cara. Era muito diferente. Sam era o vilão.”
Na versão final de Uncharted 4, Sam é apresentado como o irmão mais velho de Nathan Drake, que retorna à vida do protagonista depois de anos sendo considerado morto. A situação envolvendo Sam acaba sendo justamente um dos principais motivos para Nathan voltar à caça ao tesouro.
Na concepção que Radford conheceu durante o desenvolvimento inicial, entretanto, Sam ocupava o papel de antagonista.
O desenvolvedor também revelou que o personagem originalmente seria interpretado por outro ator. Segundo suas lembranças, o ator chegou a circular pela Naughty Dog durante o desenvolvimento e posteriormente passou a trabalhar novamente com Hennig em outro projeto.
Essa informação se conecta a relatos anteriores sobre a produção de Uncharted 4, segundo os quais Todd Stashwick havia sido originalmente escalado para interpretar Sam antes de Troy Baker assumir o personagem na versão final.
Um projeto ainda extremamente experimental
As mudanças na história não foram a única diferença entre a versão de Hennig e o jogo que os jogadores receberam.
Radford entrou na Naughty Dog em uma fase extremamente inicial do projeto e lembrou que a equipe ainda estava longe de possuir uma versão próxima do produto final.
Segundo ele, a equipe chegou a produzir uma demonstração interna para conseguir a aprovação do projeto, mas o material era tão preliminar que praticamente não funcionava.
“Lembro que construímos esta demo de aprovação para Uncharted 4 e ela rodava a tipo um frame por segundo em um PC. Era muito cedo. Era tudo muito improvisado naquela época.”
A lembrança ajuda a colocar as informações em perspectiva. O que Radford viu não era simplesmente uma versão alternativa quase pronta de Uncharted 4, mas um projeto que ainda estava sendo construído e poderia passar por inúmeras mudanças antes de chegar ao público.
Mesmo assim, ele ficou impressionado com a direção que Hennig estava tomando.
“A visão da Amy parecia legal. Para ser honesto, parecia legal.”
A mudança de liderança transformou o projeto
Amy Hennig deixou a Naughty Dog em 2014, enquanto Uncharted 4 ainda estava em desenvolvimento. Depois de sua saída, Neil Druckmann e Bruce Straley assumiram a liderança do projeto.
A produção passou então por mudanças importantes, incluindo alterações no roteiro, nos personagens e na direção geral da história.
Radford, que estava na Naughty Dog durante esse período de transição, reconhece que a versão de Hennig era diferente, mas não considera que isso signifique necessariamente que ela teria produzido um jogo melhor.
Pelo contrário, ele fez questão de elogiar o resultado que chegou às lojas.
“Mas, novamente, Uncharted 4 foi incrível. Então você não pode realmente culpar Neil e Bruce pela visão deles, porque eu amei aquele jogo e amei a história que eles criaram.”
Essa distinção é importante. O relato de Radford mostra que existiam diferenças significativas entre as duas versões do projeto, mas não permite concluir que uma delas seria necessariamente superior à outra.
A versão que acabou lançada recebeu ampla aclamação, enquanto a versão original de Hennig permanece apenas parcialmente conhecida através de relatos de pessoas que trabalharam no projeto.
Amy Hennig ainda é lembrada pelos antigos colegas
Além das diferenças criativas, Radford também falou sobre sua experiência pessoal trabalhando com Hennig na Naughty Dog.
Segundo ele, a desenvolvedora costumava trabalhar até tarde junto da equipe para cumprir os prazos do projeto e mantinha uma postura bastante acessível mesmo ocupando uma posição de liderança.
Radford também destacou que Hennig não se colocava acima dos outros integrantes da equipe e que ele se sentia à vontade para conversar com ela, mesmo sendo relativamente novo na indústria naquela época.
O desenvolvedor continua admirando o trabalho de Hennig e afirmou que gostaria de vê-la novamente à frente de um grande projeto.
Atualmente, Hennig trabalha na Skydance Games, onde está envolvida no desenvolvimento de Marvel 1943: Rise of Hydra. O projeto representa justamente uma nova oportunidade para a veterana mostrar sua visão em uma grande produção depois de sua passagem pela Naughty Dog.
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Essa é daquelas histórias que fazem a gente olhar para um jogo conhecido de outra maneira.
Hoje, quando alguém fala em Uncharted 4, a gente pensa imediatamente na história de Nathan e Sam, na relação entre os irmãos, em Nadine, Rafe e em toda aquela aventura que conhecemos. Só que, antes de tudo isso chegar às nossas mãos, existia uma outra versão de Uncharted 4 sendo construída, com Sam ocupando uma posição completamente diferente.
E o mais curioso é que não dá para olhar para isso simplesmente como “a versão da Amy era melhor” ou “a versão do Neil e do Bruce era melhor”. O próprio Radford, que teve contato com o projeto original, deixa isso claro: ele achava a visão de Hennig interessante, mas também considera que o Uncharted 4 que chegou ao público foi um jogo incrível.
Isso é desenvolvimento de videogame em estado puro. Personagens mudam, histórias são reescritas, atores são substituídos, demos inteiras são descartadas e, às vezes, um jogo que começa de uma maneira completamente diferente termina se transformando em outra coisa.
No fim das contas, o Uncharted 4 que conhecemos é apenas uma das versões que poderiam ter existido. E saber que Sam quase foi um vilão deixa aquele velho universo da Naughty Dog ainda mais interessante para quem gosta de descobrir o que acontece por trás das cortinas.
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