GTA 6 terá um mundo ainda mais vivo, dinâmico e imprevisível, revela entrevista completa da Rockstar

Nova versão completa da entrevista com Rob Nelson revela detalhes sobre Jason e Lucia, crimes, polícia, inteligência dos NPCs, exploração e a enorme liberdade oferecida por Leonida

A Rockstar decidiu abrir ainda mais a caixa-preta de GTA 6. A IGN publicou na íntegra uma extensa entrevista realizada anteriormente com Rob Nelson, chefe de desenvolvimento e co-diretor da Rockstar North, na qual o executivo acompanhou uma demonstração jogável do aguardado título.

O material é enorme e reúne dezenas de detalhes que já haviam aparecido separadamente nas últimas semanas, mas também traz informações novas sobre a maneira como Leonida reage ao jogador, o relacionamento entre Jason e Lucia, o sistema criminal, a perseguição policial e a liberdade para explorar o mundo.

E talvez a palavra que melhor resuma tudo seja emergência.

A Rockstar parece estar tentando construir um mundo no qual as coisas não acontecem apenas porque uma missão mandou. Elas podem simplesmente acontecer.

Jason e Lucia não são apenas dois personagens controláveis

Uma das ideias mais interessantes reveladas na entrevista é o grau de autonomia que Jason e Lucia terão durante a exploração.

Os dois não parecem funcionar simplesmente como personagens que ficam esperando o jogador apertar um botão para trocar de protagonista.

Durante determinadas situações, um deles pode sugerir uma atividade, comentar algo que viu pelo caminho ou até mesmo tomar uma iniciativa própria.

Nelson contou que, durante a própria demonstração, estava dirigindo para realizar determinada atividade quando Jason sugeriu outra coisa ao passar por um local.

O executivo decidiu abandonar o plano original e seguir a sugestão do personagem.

Isso é importante porque demonstra que o sistema não está necessariamente ligado apenas a objetivos marcados no mapa.

Jason e Lucia podem reagir ao mundo.

E isso também vale quando os dois estão separados.

A Rockstar parece querer que cada personagem tenha personalidade suficiente para funcionar sozinho, mas que a química entre os dois também seja convincente quando estão juntos.

Até trocar de personagem pode render situações absurdas

A entrevista trouxe um exemplo bastante curioso.

Ao alternar entre Lucia e Jason, o jogador pode simplesmente descobrir que ele está fazendo alguma coisa completamente diferente, como tomar banho.

É um pequeno detalhe, mas mostra como a Rockstar está tentando fazer com que a troca entre os protagonistas pareça menos uma simples mudança de câmera e mais uma mudança de vida.

Outro exemplo envolve Lucia e uma missão secundária bastante estranha com um advogado que vive em um lixão.

Em determinado momento, a situação pode levar Lucia literalmente a entrar no contêiner onde o sujeito está.

É aquele tipo de coisa que dificilmente apareceria em uma descrição tradicional de GTA 6, mas ajuda a explicar o nível de variedade que a Rockstar está tentando colocar no mundo.

Leonida vai reagir ao comportamento do jogador

A Rockstar também parece estar levando bastante a sério a maneira como os NPCs percebem o comportamento do jogador.

Pessoas nas ruas podem reagir caso percebam que você está seguindo alguém, ficando tempo demais perto de uma conversa ou simplesmente agindo de maneira estranha.

O mesmo acontecimento pode se desenrolar de maneiras diferentes dependendo de como o jogador se comporta.

Isso significa que a Rockstar não está pensando apenas em NPCs com rotinas.

Ela quer criar sistemas que conversem entre si.

Você pode estar fazendo uma coisa, alguém pode reagir, outra pessoa pode perceber a reação e a situação pode tomar um rumo completamente diferente.

É justamente aí que o mundo aberto começa a parecer menos um cenário e mais um sistema.

Agora você também pode não ser o mais perigoso da rua

Outro ponto interessante é a maneira como GTA 6 parece estar mudando a relação de poder entre jogador e NPCs.

Os protagonistas continuam sendo criminosos extremamente perigosos, mas isso não significa que todo pedestre simplesmente vai sair correndo quando você sacar uma arma.

Dependendo da situação, alguns cidadãos podem estar armados e podem reagir.

Eles podem tentar impedir um crime, fugir ou até mesmo iniciar uma confusão completamente diferente envolvendo outro NPC.

A Rockstar parece querer acabar com aquela sensação de que o jogador é automaticamente o ser mais poderoso de qualquer lugar simplesmente porque está controlando o protagonista.

Roubar um carro será mais complicado

A própria evolução tecnológica do mundo moderno também entra no sistema criminal.

Roubar um carro em GTA 6 não será necessariamente tão simples quanto quebrar o vidro, ligar o motor e desaparecer.

Os veículos modernos possuem sistemas antifurto mais sofisticados, e determinados carros podem ter mecanismos capazes de alertar as autoridades.

Até determinados movimentos feitos com o veículo podem chamar atenção.

Existe também a possibilidade de carros possuírem sistemas de rastreamento e caixas-pretas que podem facilitar a identificação do criminoso.

Ou seja, a Rockstar está tentando adaptar o tradicional ciclo de crime da franquia ao mundo atual.

A polícia também vai prestar atenção na sua aparência

Fugir da polícia também parece ter ficado mais complexo.

Trocar o corte de cabelo pode alterar sua aparência, mas não necessariamente fará você desaparecer do radar das autoridades.

Se a polícia viu você usando determinada roupa, simplesmente mudar o cabelo não resolve tudo.

Nelson explicou que, dependendo do nível de perseguição, o jogador poderá precisar mudar de roupa, abandonar o veículo e tentar desaparecer pelas ruas.

Com três estrelas na cidade, por exemplo, fugir de carro pode ser extremamente difícil.

Às vezes, a melhor alternativa será simplesmente sair do veículo e utilizar becos e áreas menos movimentadas.

Isso cria uma relação interessante entre crime, aparência e memória do sistema.

Você não está apenas tentando ficar longe da polícia.

Está tentando deixar de parecer a pessoa que ela está procurando.

Snapmatic será mais ferramenta de observação

A presença das redes sociais também retorna em GTA 6 através do Snapmatic.

Mas existe uma diferença curiosa.

Como Jason e Lucia são um casal de criminosos fugitivos, eles não podem simplesmente sair publicando tudo o que estão fazendo.

Segundo Nelson, os personagens poderão acompanhar pessoas e navegar pelo Snapmatic, mas não terão liberdade para publicar conteúdo da mesma maneira.

Em outras palavras, o jogador será mais um observador daquela rede social.

É uma decisão que faz sentido dentro da história e também pode servir como mais uma ferramenta para acompanhar o mundo de Leonida.

Assaltos terão diferentes abordagens

O sistema de crimes também parece ter recebido uma camada de profundidade considerável.

Um roubo pode ser abordado de maneiras diferentes.

Em uma loja, por exemplo, o jogador pode utilizar explosivos para abrir um cofre rapidamente.

O problema é que isso aumenta o barulho e chama mais atenção.

Outra possibilidade seria interrogar funcionários ou procurar o código do cofre.

É mais demorado, mas pode permitir que o jogador consiga uma recompensa maior e saia do local com menos pressão.

Só existe um problema:

não demore demais.

Se o jogador passar muito tempo dentro do estabelecimento, a polícia pode chegar e cercar o local.

A partir daí, o roubo se transforma em uma fuga.

Até separar Jason e Lucia pode ajudar

E aqui aparece mais uma camada interessante.

Quando Jason e Lucia estão juntos e a polícia começa a persegui-los, os jogadores podem decidir separar os dois.

Segundo Nelson, isso pode fazer com que a polícia divida sua atenção entre os protagonistas.

Em determinadas situações, mandar Lucia seguir por um lado enquanto Jason foge por outro pode reduzir a pressão sobre cada personagem.

Durante a demonstração, Nelson chegou a brincar que deveria simplesmente ter mandado Lucia fugir porque estava sendo “um completo idiota” ao manter os dois juntos.

Isso é interessante porque transforma a fuga em algo que também pode depender de estratégia, e não apenas de velocidade.

Combates também terão mais camadas

Quando o confronto armado inevitavelmente acontecer, GTA 6 também parece oferecer mais possibilidades.

Os inimigos podem ser incapacitados ao receber tiros em determinadas partes do corpo.

Também será possível atingir armas que estejam nas mãos dos adversários, fazendo com que eles abandonem o armamento e procurem cobertura ou tentem encontrar outra arma no cenário.

É um sistema que lembra algumas das possibilidades vistas em Red Dead Redemption 2, mas adaptado ao contexto mais moderno e caótico de GTA 6.

Um mundo gigantesco que quer recompensar a curiosidade

Nelson fez questão de destacar que tudo o que a imprensa viu durante a demonstração representa apenas uma pequena, pequena parte de Leonida.

A escala do mapa continua sendo um dos grandes mistérios do jogo, mas as demonstrações já deixaram claro que a Rockstar está trabalhando com uma grande variedade de ambientes ao redor de sua enorme área urbana.

E a empresa quer que o jogador explore.

Segundo Nelson, GTA 6 foi construído pensando em pessoas que gostam de repetir jogos como Red Dead Redemption 2.

A diferença é que muitas das descobertas não estarão necessariamente indicadas por objetivos, ícones ou marcadores.

Você precisa simplesmente andar por aí.

Explorar.

Prestar atenção.

Conversar.

Observar.

E talvez encontrar alguma coisa que a Rockstar nunca colocou diretamente no seu caminho.

Liberdade versus história

Esse parece ser um dos grandes desafios do projeto.

A Rockstar quer contar uma história bastante elaborada sobre Jason e Lucia, mas também quer permitir que o jogador se perca pelo mundo e faça coisas completamente diferentes daquilo que a campanha está pedindo.

Nelson explicou que a equipe tenta constantemente encontrar o equilíbrio entre liberdade e narrativa.

As missões poderão ter diferentes abordagens e caminhos, enquanto determinadas situações mais rígidas continuarão sendo necessárias para preservar momentos específicos da história.

Fora desses momentos, porém, a ideia é dar ao jogador espaço para experimentar.

Jason e Lucia precisam conquistar o jogador

E talvez essa seja a parte mais importante de todas.

A Rockstar sabe que GTA 6 não poderá depender apenas do tamanho do mapa.

Para a história funcionar, Jason e Lucia precisam ser personagens pelos quais o público realmente se interesse.

Nelson explicou que os dois possuem histórias pessoais bastante detalhadas, mas que parte dessas informações será apresentada de maneira direta enquanto outras coisas serão apenas sugeridas.

A intenção é deixar espaço para interpretação.

Isso permite que o jogador construa sua própria relação com os personagens.

E, segundo Nelson, isso é especialmente importante porque a relação entre Jason e Lucia é fundamental para o funcionamento da história.

🎮 Clima SussuWorld

Essa entrevista gigantesca talvez tenha revelado algo mais importante do que qualquer detalhe individual:

GTA 6 parece estar tentando transformar o mundo aberto em protagonista.

Não é apenas sobre ter um mapa maior.

É sobre fazer com que o mapa responda.

Jason pode sugerir um trabalho. Um pedestre pode perceber que você está seguindo alguém. Um carro pode denunciar seu roubo. A polícia pode lembrar da sua roupa. Um assalto pode terminar de uma maneira diferente dependendo de quanto tempo você levou.

E então você pode simplesmente ignorar tudo isso e sair dirigindo pela estrada ouvindo rádio.

É essa combinação que me parece mais interessante.

A Rockstar não está tentando apenas criar mais coisas para fazer. Está tentando criar sistemas capazes de produzir situações que nem mesmo o jogador esperava encontrar.

E isso explica por que GTA 6 pode ser um daqueles jogos que você termina e ainda sente que não viu tudo.

A campanha pode ter um começo, meio e fim.

Leonida, aparentemente, não.

E depois de mais de uma década esperando, estamos finalmente a poucas semanas de descobrir se toda essa ambição consegue funcionar quando milhões de jogadores começarem a fazer aquilo que a Rockstar não consegue prever: jogar GTA 6 do jeito mais absurdo possível. 

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