Sony anuncia a Quick Spectral Super Resolution, uma evolução mais leve da tecnologia PSSR do PS5 Pro que já estreia em Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei.

Uma das tecnologias gráficas que até então era exclusiva do PlayStation 5 Pro está finalmente chegando ao PS5 convencional. A Sony anunciou nesta quinta-feira, 1º de outubro, a Quick Spectral Super Resolution, ou QSSR, uma nova tecnologia de upscaling baseada em inteligência artificial desenvolvida especificamente para funcionar no hardware do PS5.
A novidade é derivada da PlayStation Spectral Super Resolution (PSSR), tecnologia utilizada pelo PS5 Pro para reconstruir a imagem com mais detalhes e estabilidade. Segundo a Sony, a PSSR analisa a imagem do jogo pixel por pixel e utiliza inteligência artificial para realizar o upscaling, mas suas exigências computacionais impediam que a tecnologia fosse levada diretamente ao PS5 original.
A solução encontrada foi criar uma nova versão da tecnologia.
QSSR é uma versão mais leve da PSSR
De acordo com Daniel Craig, principal engenheiro de pesquisa e desenvolvimento gráfico da Sony Interactive Entertainment, a QSSR representa um novo nível de desempenho para o upscaling com inteligência artificial.
A tecnologia nasceu do Project Amethyst, colaboração entre Sony e AMD voltada ao desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial aplicadas aos gráficos.
Para conseguir funcionar dentro das limitações de processamento do PS5 convencional, a QSSR utiliza uma arquitetura de rede neural simplificada e uma implementação ajustada manualmente para maximizar o desempenho no console.
A Sony deixa claro que a PSSR continua sendo a solução mais avançada no PS5 Pro, mas afirma que a QSSR consegue proporcionar melhorias perceptíveis na quantidade de detalhes e na estabilidade temporal da imagem no PS5.
Em outras palavras, o PS5 comum não está recebendo exatamente a mesma tecnologia do PS5 Pro. Está recebendo uma espécie de versão enxuta da mesma ideia, desenvolvida para extrair o máximo possível do hardware original.
Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei são os primeiros
E a tecnologia não ficou apenas na promessa.
Marvel’s Wolverine e Ghost of Yōtei recebem hoje atualizações que adicionam a QSSR como uma opção gráfica no PS5.
No caso de Wolverine, a Insomniac afirma que a tecnologia melhora a nitidez e a estabilidade em nível de pixel, ajudando a revelar detalhes adicionais nos ambientes do jogo, incluindo as ruas movimentadas de Madripoor e os becos de Shinjuku.
Mike Fitzgerald, diretor de tecnologia da Insomniac, descreveu a QSSR como uma espécie de “gostinho” da experiência proporcionada pelo PS5 Pro, agora disponível para os jogadores do PS5 convencional.
Já a Sucker Punch afirma que a QSSR consegue resolver melhor detalhes finos dos personagens e dos ambientes de Ghost of Yōtei, além de melhorar a estabilidade temporal da imagem.
Segundo Jasmin Patry, engenheira-chefe de renderização do estúdio, a tecnologia permite alcançar no PS5 um nível de estabilidade que não era possível anteriormente.
A diferença pode ser maior em movimento
Esse ponto merece atenção.
Upscaling não serve simplesmente para deixar uma imagem parada mais bonita. Um dos grandes desafios dessas tecnologias é manter a imagem estável quando tudo começa a se movimentar.
Vegetação, cabelos, fios, objetos distantes, partículas, texturas finas e elementos que se deslocam rapidamente podem revelar problemas de reconstrução de imagem, como cintilação, rastros e perda de detalhes.
É justamente nesse aspecto que a Sony está colocando bastante ênfase ao falar da QSSR.
Análises iniciais também apontam potencial para melhorar situações em que jogos da geração atual precisam trabalhar com resoluções internas mais baixas. A Digital Foundry, que teve acesso antecipado à tecnologia, destacou o potencial da QSSR para melhorar jogos afetados por baixa resolução e técnicas de upscaling menos eficientes, embora ainda seja necessário observar seu comportamento em uma variedade maior de títulos.
Todos os desenvolvedores poderão utilizar a tecnologia
Talvez essa seja a parte mais importante do anúncio para o futuro do PS5.
A QSSR não será exclusiva dos jogos da Sony.
A empresa confirmou que a nova biblioteca estará disponível para todos os desenvolvedores PlayStation, permitindo que outros estúdios implementem a tecnologia em seus jogos daqui para frente.
Isso significa que Wolverine e Ghost of Yōtei são apenas o começo.
Se a implementação realmente entregar os ganhos prometidos sem exigir um custo significativo de desempenho, podemos começar a ver cada vez mais jogos do PS5 utilizando inteligência artificial para reconstruir a imagem.
E isso pode ser particularmente interessante para os próximos anos da geração.
PS5 ganha uma nova ferramenta para esticar seu hardware
Existe uma leitura interessante por trás desse anúncio.
O PS5 já está entrando em uma fase em que os desenvolvedores precisam extrair cada vez mais do hardware lançado originalmente em 2020. Ao mesmo tempo, o PS5 Pro oferece uma capacidade gráfica superior, incluindo o PSSR.
A QSSR cria uma espécie de meio-termo.
O PS5 convencional não passa magicamente a ter o poder de processamento do PS5 Pro. Porém, a Sony encontrou uma maneira de utilizar inteligência artificial e uma implementação mais eficiente para melhorar a qualidade final da imagem sem exigir a mesma carga computacional da PSSR.
E isso pode se tornar uma ferramenta bastante importante conforme os jogos ficarem mais pesados.
Especialmente porque a reconstrução inteligente de imagem permite que o desenvolvedor trabalhe com uma resolução interna menor e utilize processamento adicional para reconstruir uma imagem final mais detalhada.
É uma troca interessante: menos pixels calculados diretamente, mais inteligência para reconstruí-los.
Clima SussuWorld 🎮
Essa eu gostei bastante, porque é uma daquelas atualizações que não aparecem na caixa do console, mas podem fazer diferença durante toda a geração.
O PS5 Pro ganhou uma tecnologia interessante com a PSSR, mas isso criou aquela divisão curiosa entre quem comprou o modelo mais caro e quem continuou com o PS5 original.
Agora a Sony está levando parte desse avanço para o console base.
E tem outro detalhe que considero ainda mais importante: a QSSR está aberta aos desenvolvedores.
Se ela realmente funcionar bem em movimento e não cobrar um preço alto demais em desempenho, podemos estar diante de uma ferramenta que vai ajudar o PS5 a envelhecer melhor.
Não transforma o PS5 em um PS5 Pro. Não é esse o objetivo.
Mas é exatamente o tipo de evolução de software que faz sentido em uma geração de consoles: você mantém o mesmo hardware e, com o passar dos anos, aprende novas maneiras de fazê-lo entregar mais.
Agora é esperar os próximos jogos para descobrir se a QSSR vai realmente se tornar uma das ferramentas gráficas mais importantes do PS5 ou se ficará restrita a algumas implementações específicas.
Por enquanto, Wolverine e Ghost of Yōtei são os primeiros a abrir essa nova porta.
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