Supermassive Games demite mais de 70 funcionários em nova rodada de cortes

Estúdio responsável por Until Dawn e The Dark Pictures já havia anunciado que até 75 posições poderiam ser eliminadas; funcionários de diferentes áreas estão entre os afetados.

A onda de demissões que vem atingindo a indústria de games continua fazendo novas vítimas. Desta vez, o impacto chegou à Supermassive Games, estúdio conhecido por trabalhos como Until Dawn e The Dark Pictures Anthology.

Segundo relatos de funcionários afetados, mais de 70 pessoas foram demitidas durante a conclusão do processo de reestruturação iniciado pelo estúdio. Entre os profissionais atingidos estão desenvolvedores, artistas, produtores e até integrantes da equipe de liderança.

Supermassive já havia anunciado os cortes

A possibilidade das demissões havia sido revelada em agosto, quando a Supermassive Games iniciou um processo de consulta sobre redundâncias que poderia resultar na eliminação de até 75 posições.

Na época, o estúdio afirmou que a medida seria necessária para garantir a sustentabilidade da empresa.

“Tomamos a difícil decisão de iniciar um processo de consulta sobre redundâncias, que prevemos que resultará na perda de até 75 de nossos colegas. Este é um passo necessário para ajudar a garantir a sustentabilidade da empresa.”

A companhia também afirmou que daria prioridade ao suporte aos funcionários afetados durante o processo.

Agora, aparentemente, essa etapa chegou ao fim.

Profissionais com anos de casa também foram atingidos

Entre os funcionários que confirmaram publicamente a saída está Frank Tindle, antigo diretor de TI e instalações da Supermassive Games.

Tindle revelou que havia sido informado algumas semanas antes de que sua posição estava em risco. Depois de 16 anos trabalhando no estúdio, acabou sendo desligado.

O caso chama atenção justamente pela quantidade de tempo de casa de alguns dos profissionais afetados. Não se trata apenas de contratações recentes ou equipes formadas para projetos específicos. A reestruturação atingiu diferentes departamentos da companhia.

Antes dos cortes, a Supermassive Games contava com mais de 400 funcionários.

O que acontece agora com a Supermassive?

O estúdio ainda não apresentou um novo comunicado público comentando a conclusão das demissões.

A Supermassive, porém, continua tendo uma posição importante dentro do mercado de jogos narrativos e de terror. O estúdio construiu sua identidade justamente em torno de experiências cinematográficas, escolhas do jogador e histórias que podem seguir diferentes caminhos.

Until Dawn, The Quarry e a série The Dark Pictures Anthology ajudaram a estabelecer esse modelo, enquanto outros projetos demonstraram que a empresa também vinha tentando ampliar seu alcance.

O problema é que, como acontece com tantos estúdios atualmente, manter uma estrutura com centenas de funcionários enquanto projetos levam anos para chegar ao mercado se tornou uma equação cada vez mais complicada.

E a Supermassive não está sozinha nessa situação.

Uma indústria ainda tentando encontrar equilíbrio

As demissões na Supermassive acontecem em um momento em que diversos estúdios estão reduzindo suas equipes depois de anos de expansão, aquisições e aumento dos custos de desenvolvimento.

O resultado é um cenário bastante contraditório: jogos estão maiores, mais caros e mais demorados para serem produzidos, mas as empresas precisam, ao mesmo tempo, controlar custos e demonstrar resultados financeiros mais rapidamente.

Para quem está dentro dos estúdios, isso frequentemente significa que projetos inteiros precisam ser reavaliados e equipes construídas durante anos acabam sendo reduzidas praticamente de uma hora para outra.

No caso da Supermassive, o número final ficou próximo do limite máximo anunciado originalmente. Mais de 70 profissionais perderam seus empregos em uma única rodada de cortes.

E agora resta saber se essa redução será suficiente para estabilizar o estúdio ou se estamos apenas diante de mais uma etapa de uma reestruturação maior.

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Essa notícia é especialmente pesada porque a Supermassive é um daqueles estúdios que encontrou um nicho muito próprio.

O mercado tem espaço para grandes mundos abertos, jogos de serviço e superproduções de centenas de milhões de dólares, mas também precisa de estúdios capazes de fazer experiências mais focadas, narrativas e diferentes.

O problema é que até esse tipo de produção ficou caro demais.

Quando uma empresa passa dos 400 funcionários e começa a enfrentar uma sequência de projetos longos, qualquer tropeço comercial pode virar uma conta gigantesca. A solução acaba sendo cortar justamente a estrutura que levou anos para ser construída.

E existe uma ironia cruel nisso tudo: a indústria passou anos dizendo que precisava crescer para produzir jogos cada vez maiores. Agora está passando anos tentando descobrir como continuar fazendo esses jogos sem precisar manter estruturas gigantescas para isso.

Para os mais de 70 profissionais afetados, obviamente, essa discussão empresarial vira uma realidade muito mais simples e brutal: é mais um emprego perdido em uma indústria que já demitiu gente demais.

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