The Elder Scrolls 6 pode ganhar barcos e combate naval, segundo ex-designer de Skyrim

Bruce Nesmith acredita que a exploração marítima seria uma evolução natural para a série, especialmente caso o novo jogo realmente se passe na região da Baía Iliac

The Elder Scrolls 6 ainda está cercado por mistério, mas Bruce Nesmith, um dos principais designers de Skyrim, já tem uma ideia bastante clara de qual poderia ser a grande novidade do próximo capítulo da franquia: barcos, exploração marítima e até combate naval.

Nesmith trabalhou na Bethesda em diferentes períodos entre 1995 e 2021 e foi lead designer de The Elder Scrolls V: Skyrim, além de ter participado de Fallout 3, Fallout 4 e Fallout 76. Atualmente, ele não trabalha em The Elder Scrolls 6, mas em uma entrevista foi questionado sobre o que gostaria de ver no próximo RPG.

A resposta foi direta: barcos.

A Baía Iliac seria perfeita para isso

A ideia de Nesmith parte de uma das principais teorias envolvendo o cenário de The Elder Scrolls 6. Caso o jogo realmente seja ambientado na região da Baía Iliac, território que envolve áreas associadas a High Rock e Hammerfell, o mar poderia desempenhar um papel muito maior na aventura.

Para o ex-designer, isso abriria espaço para uma mecânica completamente nova dentro da franquia.

“Qual será o grande novo recurso de Elder Scrolls 6? Acho que barcos e, potencialmente, até combate naval são os mais naturais”, explicou.

A série já possui algum contato com meios de transporte, principalmente através das carruagens. O problema, segundo Nesmith, é que elas funcionam essencialmente como uma ferramenta de deslocamento rápido e não como um sistema de gameplay propriamente dito.

Com barcos, a situação poderia ser completamente diferente.

Não seria apenas apertar um botão e viajar

A grande ideia defendida por Nesmith é transformar a navegação em uma parte efetiva da experiência.

Em vez de simplesmente escolher um destino e assistir a uma transição, o jogador poderia controlar sua própria embarcação, explorar regiões marítimas e encontrar situações que não existiriam em terra firme.

E isso poderia abrir espaço para novos sistemas.

Árvores de habilidades relacionadas à navegação ou à água, diferentes tipos de embarcações, criaturas marinhas, feitiços específicos e até mecânicas relacionadas à exploração seriam possibilidades.

O próprio mar poderia deixar de ser apenas um espaço vazio entre dois pontos do mapa e se transformar em uma nova camada do mundo aberto.

Para alguém que ajudou a construir Skyrim, essa seria uma maneira interessante de fazer The Elder Scrolls 6 parecer realmente uma evolução da fórmula.

Kraken, tubarões e até os Elfos do Mar

Nesmith também entrou no território mais imaginativo da ideia ao falar sobre os possíveis perigos das águas.

Se houver exploração marítima, ele considera praticamente obrigatório colocar criaturas capazes de transformar uma simples viagem em um problema gigantesco.

Kraken seria uma escolha óbvia.

Tubarões também poderiam aparecer, além de outras criaturas específicas da região.

Mas existe uma possibilidade ainda mais interessante para os fãs da mitologia de The Elder Scrolls: os Elfos do Mar, ou Maormer.

Eles fazem parte da história e da mitologia do universo da franquia, mas ainda não tiveram uma presença realmente significativa nos jogos principais.

A introdução de uma mecânica marítima poderia, portanto, criar uma oportunidade para explorar uma parte pouco utilizada do lore.

Combate naval poderia ser o novo “dragão” de Elder Scrolls

Nesmith chegou a comparar a possibilidade de barcos e gameplay marítimo a uma novidade do tamanho da introdução dos dragões em Skyrim.

A comparação faz sentido dentro da estrutura da franquia.

Skyrim apresentou uma mecânica que não era simplesmente uma ferramenta de locomoção ou um detalhe visual. Os dragões alteravam a maneira como o jogador explorava o mundo, criavam encontros inesperados e acrescentavam uma nova camada à fantasia do jogo.

Um sistema marítimo realmente desenvolvido poderia cumprir papel semelhante.

Imagine atravessar a Baía Iliac e ser atacado por uma criatura gigantesca, encontrar uma embarcação inimiga, descobrir uma ilha que não aparece no mapa ou simplesmente navegar até uma região distante em busca de uma missão.

Tudo isso poderia transformar a água em parte ativa do mundo de The Elder Scrolls 6.

Mas Nesmith não quer exploração submarina

Curiosamente, apesar de defender uma expansão enorme para o gameplay marítimo, Nesmith colocaria uma fronteira bem clara: não permitiria que o jogador explorasse livremente o fundo do mar.

E a razão não é falta de criatividade. É justamente o contrário.

O ex-designer lembrou de uma situação semelhante durante o desenvolvimento de Fallout 4. Um dos designers da equipe defendia fortemente a criação de uma área subaquática e chegou a produzir protótipos para demonstrar como a ideia poderia funcionar.

Os conceitos eram interessantes, mas a equipe percebeu que desenvolver aquilo adequadamente seria um projeto grande demais.

Segundo Nesmith, esse tipo de situação representa um dos maiores desafios no desenvolvimento de jogos gigantes.

Você pode ter dezenas de ideias excelentes, mas isso não significa que exista tempo, dinheiro ou equipe suficiente para executar todas elas com a qualidade necessária.

“Você não pode fazer tudo”

Esse talvez seja o ponto mais interessante da declaração.

Nesmith não está dizendo que exploração submarina seria ruim. Pelo contrário, ele reconhece que poderia ser extremamente interessante.

O problema seria tentar desenvolver simultaneamente navegação, combate naval, exploração marítima, ambientes subaquáticos, criaturas, sistemas de progressão e todas as outras mecânicas esperadas de um novo Elder Scrolls.

Nesse cenário, existe o risco de criar muitos sistemas interessantes que acabam não recebendo profundidade suficiente.

Por isso, se estivesse no comando de The Elder Scrolls 6, Nesmith concentraria os esforços na superfície.

A ideia seria fazer uma experiência marítima extremamente bem desenvolvida, em vez de tentar criar também um gigantesco sistema submarino e acabar comprometendo os dois.

E essa filosofia combina bastante com um dos grandes desafios que Bethesda terá pela frente.

The Elder Scrolls 6 precisa justificar sua longa espera

Depois de tantos anos desde o lançamento de Skyrim, a expectativa em torno de The Elder Scrolls 6 é gigantesca. O jogo terá que apresentar um mundo capaz de justificar não apenas sua existência, mas também o enorme intervalo entre os capítulos.

Ainda não sabemos oficialmente qual será o cenário completo, quais serão as principais mecânicas ou sequer como Bethesda pretende modernizar a estrutura tradicional da série.

Portanto, barcos e combate naval continuam sendo apenas uma sugestão de um ex-membro da equipe, e não uma indicação de que essas funcionalidades estejam realmente presentes no jogo.

Mas é uma sugestão particularmente interessante.

Se a Baía Iliac realmente for o palco da nova aventura, transformar o mar em uma parte importante do mundo poderia ser uma maneira bastante natural de ampliar a fórmula de The Elder Scrolls sem simplesmente colocar “mais uma floresta”, “mais uma dungeon” ou “mais um acampamento” no mapa.

E, considerando o tamanho que a Bethesda costuma buscar em seus mundos, talvez seja justamente na água que The Elder Scrolls 6 encontre um de seus maiores espaços para inovar.

🎮 Clima SussuWorld

Essa ideia eu compraria fácil.

Depois de Skyrim, Fallout 4 e tudo que Bethesda construiu com seus mundos abertos, eu acho que The Elder Scrolls 6 precisa ter alguma coisa que faça a gente olhar para o jogo e pensar: “caramba, isso aqui eu nunca fiz em Elder Scrolls”.

E barcos podem cumprir exatamente esse papel.

Não precisa transformar o jogo em Assassin’s Creed IV: Black Flag, muito menos criar um simulador de navio. Mas imagine a Baía Iliac sendo realmente navegável, com ilhas, tempestades, criaturas, navios inimigos, ruínas escondidas e aquela sensação de que você pode simplesmente pegar seu barco e sair explorando sem saber o que vai encontrar.

Agora, a parte do fundo do mar eu também deixaria para lá. 

Bethesda já tem uma missão gigantesca nas mãos fazendo um mundo terrestre enorme, cheio de cidades, cavernas, masmorras, NPCs, quests, sistemas de magia e tudo aquilo que esperamos de Elder Scrolls. Se colocar o oceano na equação, que seja para fazer uma coisa muito bem feita, e não quinze pela metade.

E se aparecer um Kraken no horizonte?

Aí, meu amigo... pode colocar a música de batalha que eu vou. 🐙⚔️

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