Às vezes uma série não termina porque perde fôlego, mas porque a história simplesmente chega ao fim. E é exatamente isso que pode acontecer com The Last of Us. Segundo Casey Bloys, CEO da HBO, a terceira temporada, prevista para chegar em 2027, pode ser a última.

A fala veio durante uma entrevista recente e foi direta ao ponto. Questionado sobre o futuro da série depois da próxima temporada, Bloys disse que tudo indica que sim, mas que a decisão final cabe aos showrunners. Não é um anúncio oficial de encerramento, mas é o sinal mais claro até agora de que a adaptação está caminhando exatamente para onde os jogos terminaram.
E isso faz todo sentido.
A primeira temporada, lançada em janeiro de 2023, foi um fenômeno. Aclamada, premiada e responsável por colocar uma nova geração de espectadores em contato com aquela versão cruel e humana do apocalipse. A segunda temporada, que terminou em maio de 2025, adaptou a primeira metade de The Last of Us Part II e deixou tudo em um cliffhanger pesado, passando o bastão da narrativa para Abby.
É aí que entra a terceira temporada. Ela deve contar o outro lado da mesma história, a jornada de Abby, que nos jogos funciona como um espelho da vingança de Ellie. Dois caminhos, duas dores, o mesmo mundo quebrado. Quando essa parte for contada, não sobra mais material original para adaptar.
Se a série quisesse continuar, teria que entrar em território inédito, algo que Neil Druckmann e a equipe sempre evitaram até agora. E, pelo tom da fala da HBO, não parece que esse seja o plano.
Existe também o contexto emocional. A segunda temporada dividiu bastante o público, tanto pelas escolhas de roteiro quanto por debates em torno de elenco e ritmo. Isso não apaga o sucesso da série, mas deixa claro que a história que vem pela frente é pesada, incômoda e nada fácil de digerir, exatamente como nos jogos.
Talvez por isso, terminar na terceira temporada seja até poético. Um arco fechado. Uma tragédia completa. Sem esticar além do que precisa. No fim das contas, The Last of Us nunca foi sobre sobreviver para sempre. Sempre foi sobre o que se perde no caminho.
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