Alguns jogos envelhecem. Outros simplesmente se transformam em lenda. Fatal Frame II: Crimson Butterfly está nesse segundo grupo, com certeza. Mas eu sou meio suspeito para falar como um fã dessa série. Desde o lançamento do jogo original nos anos 2000, ele ganhou a fama de ser um dos jogos de terror mais ficam na sua cabeça já feitos. Então quando o remake apareceu, a pergunta era inevitável: será que essa história ainda consegue nos assustar?

A resposta curta é: sim. E em vários momentos, até mais do que antes.
Para quem nunca jogou, e sinceramente, eu sinto muito por você, a premissa é simples e inquietante ao mesmo tempo. As irmãs Mio e Mayu acabam presas em uma vila abandonada que deveria ter desaparecido do mapa a tempos. O lugar parece congelado no tempo, dominado por rituais antigos, memórias distorcidas e espíritos que definitivamente não querem saber de visitas. Bem estilo terror japonês no seu auge.

E o mais assustador é que o jogo não depende de sustos fáceis para causar desconforto. O terror aqui é lento, silencioso e quase sufocante. Podem acreditar.
A mecânica central continua sendo em cima de uma das ideias mais originais do gênero: a Camera Obscura. Em vez de armas tradicionais, você enfrenta fantasmas usando uma câmera espiritual capaz de capturar e exorcizar as entidades. Parece simples, mas a execução transforma cada encontro em um momento de terror e tensão absurda.

Quanto mais perto o fantasma chega, mais forte é a foto, mais dano você causa nele… e maior é o risco de você virar mais uma vítima. Isso cria um tipo de combate que mistura coragem com nervos de aço. Não basta mirar. É preciso esperar o momento certo.
O remake, obviamente, melhorou bastante o visual do jogo. A vila ganhou uma iluminação mais pesada, sombras mais densas e cenários que reforçam ainda mais a sensação de isolamento. Caminhar pelos corredores estreitos das casas abandonadas e florestas silenciosas continua sendo uma experiência desconfortável no melhor sentido possível. E jogadores do Xbox Series S, posso afirmar a vocês: Não se preocupem, o jogo também está ótimo nessa versão.

O som também merece destaque. Portas rangendo, passos distantes, sussurros quase imperceptíveis… tudo contribui para aquela paranoia constante de que algo está sempre observando você. Uma recomendação pessoal: Quer uma imersão completa no jogo? Apaga a luz e coloca os fones de ouvido. Mas prepara o coração. Xará.
Talvez alguns jogadores achem que algumas mecânicas ainda carregam o ritmo mais lento típico de jogos de terror da época. A movimentação um poquinho rígida em certos momentos e puzzles relativamente simples podem parecer datados para quem está acostumado com survival horrors modernos. Mas isso está longe de atrapalhar a experiência com esse jogo.

Mas o que importa, que é o coração da experiência, continua intacto. O remake respeita o material original sem tentar transformá-lo em algo que ele nunca foi e eu só tenho a agradecer muito, pois isso é a maior vitória aqui.
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake continua sendo uma aula de como o terror psicológico funciona melhor quando a imaginação do jogador faz metade do trabalho.

Se você gosta de horror com aquela atmosfera sombria, histórias perturbadoras e experiências que ficam na cabeça depois que o console é desligado, essa viagem à vila amaldiçoada continua sendo uma das mais memoráveis do gênero.
Só não espere sair de lá de boas.
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