A Nintendo tomou uma medida incomum no Japão e suspendeu temporariamente as vendas do modelo multirregional do Switch 2 após identificar o que acredita ser um aumento significativo de compras destinadas à revenda.

A situação chama atenção porque o Japão possui uma estratégia única para o Switch 2, com duas versões diferentes do console disponíveis no mercado.
Segundo a empresa, algumas encomendas apresentavam indícios claros de acúmulo de unidades, prática frequentemente associada a cambistas e revendedores que buscam lucrar com a escassez do produto.
Japão possui duas versões diferentes do Switch 2
Ao contrário do restante do mundo, os consumidores japoneses podem escolher entre duas versões distintas do console. A primeira é o modelo doméstico japonês, vendido por grandes varejistas do país e voltado exclusivamente para o mercado local.
Essa edição possui algumas restrições importantes:
- Interface apenas em japonês
- Contas Nintendo limitadas à região japonesa
- Preço mais baixo
Já a segunda versão é o modelo multirregional, que funciona exatamente como os consoles vendidos nos Estados Unidos, Europa e demais mercados.
Nele, os jogadores podem:
- Escolher qualquer idioma
- Alterar a região da conta
- Utilizar serviços internacionais normalmente
Essa versão, porém, é vendida exclusivamente pela Nintendo Store japonesa.
Diferença de preço pode ter incentivado importações
A decisão da Nintendo parece estar diretamente ligada ao valor extremamente competitivo do Switch 2 multirregional no Japão.
Após o recente reajuste de preços no país, a situação ficou assim:
- Switch 2 Japão: ¥59.980 (cerca de US$ 375)
- Switch 2 Multirregional: ¥69.980 (cerca de US$ 435)
O detalhe é que o modelo multirregional continua significativamente mais barato do que os preços praticados em outras regiões. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Switch 2 passará de US$ 449 para US$ 499 a partir de setembro.
Isso significa que importar um console do Japão pode sair cerca de US$ 65 mais barato.
Na Europa a diferença é ainda maior. Com o novo preço europeu chegando a €499, o modelo japonês multirregional equivale atualmente a aproximadamente €375 na conversão direta.
Não é difícil imaginar por que revendedores começaram a enxergar uma oportunidade de lucro.
Nintendo endurece as regras de compra
Para combater o problema, a empresa implementou novas exigências para quem deseja adquirir o console. Agora, apenas jogadores que atendam a determinados critérios poderão realizar a compra. Entre as novas regras está uma exigência bastante curiosa:
Os usuários precisam ter acumulado pelo menos 50 horas de jogo no Nintendo Switch até 31 de maio.
Além disso:
- Cada conta poderá comprar apenas uma unidade
- Compras anteriores contam para esse limite
- A venda permanece restrita à Nintendo Store
A intenção é garantir que os consoles cheguem a jogadores reais, e não a revendedores.
Nintendo enfrenta um problema que se tornou global
Desde o lançamento do Switch 2, a Nintendo vem tentando evitar os mesmos problemas que marcaram os primeiros anos do PlayStation 5 e do Xbox Series X|S. Naquela geração, milhões de consumidores enfrentaram dificuldades para comprar consoles devido à atuação agressiva de cambistas utilizando bots automatizados.
A estratégia japonesa mostra que a Nintendo está disposta a agir rapidamente sempre que detectar movimentações suspeitas.
Clima SussuWorld 🎮
Vou ser sincero: essa é uma daquelas situações em que dá para entender perfeitamente a posição da Nintendo. Quando um console custa centenas de dólares a menos em uma região específica, era praticamente inevitável que surgisse uma corrida para importar unidades e revendê-las em outros mercados.
O mais interessante é ver a empresa usando algo simples, mas inteligente, como filtro: horas jogadas. Afinal, quem acumulou dezenas de horas no Switch original provavelmente é um jogador de verdade. Já quem criou uma conta ontem para comprar dez consoles e vender na internet vai ter um pouco mais de dificuldade.
No fim das contas, a Nintendo parece estar tentando proteger justamente quem mais importa: o jogador que só quer ligar o videogame e se divertir. E sejamos honestos... se existe uma coisa que a indústria dos games aprendeu nos últimos anos, é que ninguém sente saudade dos cambistas.
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