Ubisoft coloca Massive Entertainment no comando de Splinter Cell, Ghost Recon e The Division

A Ubisoft acaba de dar mais um passo em sua grande reestruturação interna. A partir de agora, as equipes que formavam a Creative House 2 passarão a operar sob uma única identidade: Massive Entertainment. 

A nova estrutura reunirá equipes de desenvolvimento espalhadas por Montréal, Paris, Suécia e Toronto, que terão como responsabilidade trabalhar em algumas das franquias mais importantes da Ubisoft, incluindo Tom Clancy's The Division, Tom Clancy's Ghost Recon e Tom Clancy's Splinter Cell, além de novas propriedades intelectuais, como March of Giants.

A mudança acontece depois da nomeação de Christoph Hartmann como gerente-geral da Creative House 2, anunciada pela Ubisoft em julho. A divisão foi criada como parte da nova organização da companhia e tinha justamente como objetivo reunir equipes responsáveis por experiências competitivas e cooperativas baseadas em combate, colocando marcas com características semelhantes sob uma mesma estrutura.

Agora, a Ubisoft decidiu dar um passo além e transformar a própria Massive Entertainment na identidade global dessa estrutura. Segundo a empresa, a intenção é combinar a experiência criativa e tecnológica das equipes de diferentes países para desenvolver a próxima geração dessas franquias, ampliar suas possibilidades e criar novas experiências para suas comunidades.

“Reunir nossas equipes sob uma única identidade nos dá a oportunidade de combinar a energia criativa e a experiência de Montréal, Paris, Suécia e Toronto para moldar a próxima geração dessas franquias icônicas, criar novos jogos e IPs e levar nosso trabalho e nossa tecnologia adiante”, afirmou Christoph Hartmann, gerente-geral da Massive Entertainment.

A mudança, portanto, não significa que a Massive Entertainment deixou de ser um estúdio da Ubisoft para se tornar uma empresa independente. A equipe continua fazendo parte da Ubisoft, que seguirá responsável pela publicação e distribuição dos jogos desenvolvidos sob a marca Massive Entertainment. A companhia também afirma que não haverá mudanças nos compromissos atuais com jogadores ou parceiros.

Três franquias gigantes sob o mesmo teto

A escolha das propriedades que estarão sob essa estrutura chama bastante atenção. The Division, Ghost Recon e Splinter Cell representam três das marcas mais conhecidas da Ubisoft dentro do universo de ação, espionagem, combate tático e experiências cooperativas.

The Division já possui uma relação histórica muito forte com a própria Massive Entertainment. O estúdio liderou o desenvolvimento dos dois primeiros jogos e atualmente também está envolvido com The Division 3. A Ubisoft havia confirmado anteriormente que o terceiro jogo da série seria liderado pela Massive, enquanto outras equipes colaborariam com o projeto.

A franquia também continua recebendo suporte. The Division 2, por exemplo, tem recebido novas atualizações e recentemente teve anunciada a expansão Echoes of Central Park, marcada para 3 de novembro de 2026.

Já Ghost Recon e Splinter Cell tornam essa reorganização particularmente interessante. A Ubisoft está colocando duas propriedades históricas da companhia dentro de uma estrutura cuja missão declarada é justamente desenvolver e ampliar essas marcas.

Isso não significa, por si só, que novos jogos específicos tenham sido anunciados. A Ubisoft não revelou nesta ocasião novos projetos de Splinter Cell ou Ghost Recon. O que mudou é a responsabilidade organizacional sobre essas franquias.

E essa diferença é importante.

Depois de anos em que fãs questionaram o futuro de Splinter Cell, por exemplo, a propriedade agora está formalmente incluída entre as marcas centrais de uma das novas estruturas criativas da Ubisoft. A empresa havia definido a Creative House 2 justamente como responsável por The Division, Ghost Recon, Splinter Cell e March of Giants.

Uma reorganização que vai além de trocar nomes

A criação da Massive Entertainment como identidade global da Creative House 2 faz parte de uma transformação muito maior na Ubisoft.

A companhia anunciou no início de 2026 uma nova organização baseada em cinco Creative Houses, buscando aproximar suas equipes das principais franquias e dar mais autonomia e responsabilidade aos grupos responsáveis por cada tipo de experiência. A Creative House 2 foi estruturada especificamente em torno de jogos com combate competitivo e cooperativo e das propriedades associadas a esse segmento.

Na prática, a Ubisoft está tentando substituir uma estrutura extremamente espalhada por grupos mais concentrados em determinadas franquias e gêneros.

E existe uma lógica interessante nessa decisão. Em vez de simplesmente ter diferentes estúdios trabalhando separadamente em propriedades relacionadas, a companhia passa a tentar reunir conhecimento tecnológico, experiência de desenvolvimento e visão criativa dentro de uma mesma organização.

No caso da Massive, isso significa juntar profissionais de quatro grandes centros de desenvolvimento.

A promessa é que essa proximidade permita compartilhar tecnologia e conhecimento entre os projetos, além de facilitar a construção de uma identidade mais consistente para as franquias.

O desafio agora é transformar reorganização em jogos

E aqui está a parte que realmente importa.

Uma nova estrutura corporativa pode ser interessante no papel, mas o público não joga organogramas.

O jogador quer saber o que vai sair disso.

A Ubisoft possui Splinter Cell, Ghost Recon e The Division. São franquias com décadas de história e comunidades estabelecidas. Colocá-las sob uma mesma estrutura pode ajudar a empresa a concentrar recursos e conhecimento, mas o resultado final será medido pelos jogos que chegarem ao mercado.

É justamente por isso que a transformação da Massive Entertainment merece ser acompanhada com atenção.

A Ubisoft está dizendo que quer “moldar a próxima geração” dessas franquias. Agora será necessário descobrir o que isso significa concretamente para cada uma delas.

The Division já possui um caminho relativamente claro, com o terceiro jogo em desenvolvimento e suporte contínuo para The Division 2.

Para Ghost Recon e Splinter Cell, entretanto, o interesse dos jogadores naturalmente está voltado para o futuro.

Será que veremos novos projetos capazes de recuperar a força dessas marcas? Será que a Ubisoft vai apostar em experiências diferentes dentro dessas propriedades? Ou a nova estrutura servirá principalmente para concentrar as equipes existentes e tornar o desenvolvimento mais eficiente?

Por enquanto, não há respostas definitivas.

O que existe é uma decisão clara: essas três franquias agora estão reunidas dentro de uma única grande estrutura criativa.

E considerando o histórico da Massive com The Division, a Ubisoft parece estar apostando que essa equipe pode servir como uma espécie de núcleo para revitalizar uma parte importante de seu catálogo.

No fim das contas, porém, continua valendo a velha regra dos videogames: menos PowerPoint, mais jogo.

A Massive Entertainment agora tem uma responsabilidade gigantesca nas mãos. Splinter Cell, Ghost Recon e The Division são nomes que carregam expectativas enormes. Se essa reorganização realmente funcionar, os próximos anos poderão mostrar uma Ubisoft muito mais concentrada em suas principais franquias.

Mas será o que chegar ao controle dos jogadores, e não o novo organograma da empresa, que vai dizer se a mudança realmente valeu a pena.

Clima SussuWorld 🎮

Tem uma coisa interessante nessa história: a Ubisoft parece estar fazendo justamente aquilo que a gente vive discutindo quando fala do Xbox.

Não basta possuir grandes IPs. É preciso colocar essas IPs para jogar.

Você pode ter Splinter Cell, Ghost Recon e The Division guardados dentro do catálogo. Pode ter estúdios espalhados pelo mundo inteiro. Pode ter uma estrutura gigantesca.

No final, o jogador quer olhar para a tela e pensar:

“Caramba. É ISSO que eu estava esperando.”

A Ubisoft agora colocou três franquias importantes dentro da mesma casa e deu a essa estrutura um nome conhecido e uma liderança definida.

Agora falta a parte mais importante.

Mostrar os jogos.

Porque reorganização é promessa.

Jogo lançado é resultado.

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