Pesquisa realizada no Reino Unido mostra que muitos responsáveis ainda têm dúvidas sobre tempo de tela, segurança online e controle parental. Material gratuito reúne orientações para ajudar as famílias a entender melhor o universo dos videogames.

A Nintendo publicou no Reino Unido um novo guia voltado aos pais que querem entender melhor os videogames e acompanhar a relação dos filhos com esse universo. A iniciativa vem acompanhada de uma pesquisa que revela uma dificuldade bastante comum: 68% dos pais britânicos entrevistados afirmam tomar decisões sobre os jogos dos filhos sem se sentirem completamente informados.
O levantamento também mostra que 71% dos responsáveis dependem dos próprios filhos para explicar termos, tendências e questões relacionadas aos videogames. Além disso, 34% dizem que compreender melhor os hábitos de jogo das crianças ajudaria a tomar decisões com mais confiança.
A pesquisa foi realizada pela OnePoll, a pedido da Nintendo, entre os dias 17 e 24 de setembro de 2026, com 2 mil pais britânicos de crianças entre 7 e 16 anos. Os resultados ajudam a explicar por que a empresa decidiu lançar o material, chamado The Parent’s Guide to Gaming with Confidence, desenvolvido em colaboração com a Family Gaming Database.
Tempo de tela, conteúdo e segurança online estão entre as principais preocupações
Entre os responsáveis entrevistados, 28% afirmaram que os videogames são o interesse dos filhos que eles menos compreendem. O índice ficou acima das respostas relacionadas a conteúdos online, redes sociais e esportes.
As preocupações também vão além da quantidade de horas diante da tela. Segundo a pesquisa, 35% dos pais demonstraram preocupação com o tempo dedicado aos jogos, enquanto 28% citaram a exposição a conteúdos inadequados para a idade. Outros 25% disseram estar preocupados com as pessoas com quem seus filhos conversam durante as partidas.
Quando perguntados sobre o que os ajudaria a tomar decisões com mais segurança, 37% apontaram a necessidade de orientações sobre como administrar o tempo de jogo. Já 32% gostariam de aprender a configurar controles parentais, enquanto 30% disseram querer compreender melhor o conteúdo dos jogos. O próprio controle parental apareceu entre os assuntos sobre os quais 24% dos entrevistados se sentem menos informados.
Os números mostram que o desafio não está necessariamente em proibir ou liberar os videogames, mas em compreender o que as crianças estão jogando, com quem estão interagindo e quais experiências encontram dentro de cada título.
O que o guia gratuito ensina aos pais?
O material foi escrito por Andy Robertson, especialista em jogos para famílias e fundador da Family Gaming Database, com contribuições de profissionais ligados ao desenvolvimento infantil, ao bem-estar digital e à segurança online.

Ao longo de 20 páginas, o guia aborda classificação etária, escolha de jogos adequados, comunicação com as crianças, tempo de tela, segurança nas partidas online e utilização de ferramentas de controle parental.
Uma das principais recomendações é que os pais demonstrem interesse pelos jogos dos filhos, em vez de limitar a conversa a perguntas sobre quanto tempo passaram jogando. O guia sugere que os responsáveis procurem entender o que as crianças gostam em determinado título, quais desafios enfrentam e com quem costumam jogar.
A proposta é transformar os videogames em um assunto de diálogo dentro de casa. Em vez de tratar todos os jogos da mesma maneira, a orientação é avaliar o tipo de experiência oferecida, o conteúdo, a faixa etária indicada e o contexto em que a criança joga.
O documento também explica como os jogos podem envolver criatividade, resolução de problemas, colaboração, persistência e interação social. Essas possibilidades, naturalmente, variam conforme o jogo e a maneira como cada pessoa utiliza essa forma de entretenimento.
Controle parental não precisa significar apenas restrição
Uma parte importante do guia é dedicada aos controles parentais do Nintendo Switch. O aplicativo de controle parental da plataforma oferece recursos para acompanhar a atividade de jogo, estabelecer limites de tempo, configurar lembretes e administrar determinadas opções de comunicação.
No caso do Nintendo Switch 2, o material também aborda o GameChat e as opções de comunicação entre jogadores. A proposta apresentada é permitir que os responsáveis compreendam melhor as interações dos filhos e estabeleçam limites adequados à realidade de cada família.
O guia recomenda que os controles sejam acompanhados de conversas claras sobre segurança, comportamento e hábitos digitais. Afinal, ferramentas de restrição podem ajudar, mas não substituem o diálogo nem garantem, sozinhas, que uma criança esteja protegida em todas as situações.
É importante observar que o documento foi produzido em associação com a Nintendo e dedica bastante espaço aos recursos e jogos da própria empresa. Portanto, embora traga orientações gerais úteis para famílias, também funciona como uma iniciativa institucional que apresenta o ecossistema Nintendo de maneira favorável.
A Nintendo também destaca os benefícios dos videogames
Além das preocupações, o guia procura mostrar que jogar pode fazer parte de uma rotina familiar saudável. O documento cita experiências que envolvem criação, exploração, trabalho em equipe, competição e resolução de problemas.
Entre os exemplos apresentados estão jogos como Mario Kart World, Pokémon Pokopia, Minecraft e Donkey Kong Bananza. Cada um ilustra uma forma diferente de interação, desde a criatividade e a construção até a cooperação e a superação de desafios.
A jornalista de games Ellie Gibson, uma das colaboradoras do material, afirma que as discussões sobre videogames costumam se concentrar nos riscos, deixando menos espaço para os aspectos positivos. Segundo ela, os jogos também podem estimular a criatividade, promover experiências sociais e oferecer oportunidades para que as famílias se divirtam juntas.
A psicóloga infantil Amanda Gummer acrescenta que muitos pais tentam acompanhar jogos, plataformas e tendências digitais sem necessariamente ter recebido orientações suficientes para isso. Na avaliação dela, informações confiáveis e práticas podem ajudar as famílias a tomar decisões mais conscientes.
O guia também recomenda que os adultos permitam que as próprias crianças expliquem como seus jogos favoritos funcionam. Além de demonstrar interesse por uma atividade importante para elas, essa inversão de papéis pode abrir espaço para conversas que dificilmente surgiriam em uma abordagem baseada apenas em proibições.
Onde baixar o guia da Nintendo?
O The Parent’s Guide to Gaming with Confidence está disponível gratuitamente em PDF e pode ser consultado por pais e responsáveis que desejam conhecer melhor os hábitos de jogo das crianças.
Embora tenha sido produzido para o público britânico e inclua exemplos específicos do mercado europeu, boa parte das orientações pode ser aproveitada por famílias brasileiras. Questões como classificação etária, tempo de tela, comunicação online e acompanhamento dos jogos fazem parte da realidade de quem convive com crianças e adolescentes que jogam videogame.
O material completo está disponível no site da Family Gaming Database, em inglês.
Clima SussuWorld
Quem cresceu na época dos cartuchos, dos manuais impressos e das revistas de videogame talvez ache curioso ver uma empresa precisando publicar um guia para ajudar os pais a entender esse universo. Mas a verdade é que os jogos mudaram muito desde aquela época.
Hoje, além de escolher um título adequado, os responsáveis precisam considerar compras digitais, comunicação pela internet, interações com desconhecidos e ferramentas de controle que nem sempre são simples de configurar. Para quem não acompanha esse mundo de perto, é compreensível que tudo pareça complicado.
O mérito da iniciativa está em incentivar os pais a conhecerem melhor aquilo que os filhos jogam, em vez de enxergar os videogames apenas como uma tela que precisa ser desligada. Isso não significa ignorar os riscos ou aceitar qualquer hábito sem questionamento. Significa tomar decisões com informação, estabelecer limites e entender que jogos diferentes oferecem experiências diferentes.
Também vale lembrar que o guia tem a assinatura da Nintendo e, por isso, apresenta uma visão favorável à empresa e aos seus produtos. Ainda assim, a ideia central é válida para qualquer plataforma: conversar, acompanhar e compreender costuma ser um caminho mais produtivo do que simplesmente proibir sem entender.
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