Xbox Game Pass é mesmo lucrativo e não o fardo que muitos pensam !!

Após uma das semanas mais conturbadas da história recente da Microsoft no setor de games, muitos começaram a questionar a saúde do Xbox, especialmente no que diz respeito ao Xbox Game Pass. Afinal, o serviço é bom demais para ser verdade? Ele realmente dá lucro? Ou está se tornando um peso para a divisão de jogos da empresa?
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Nas redes sociais, como o X (antigo Twitter), diversas figuras da indústria levantaram dúvidas sobre a viabilidade do modelo. Raphael Colantonio, fundador da Arkane (de Prey e Dishonored), chegou a dizer que o Game Pass é “um modelo insustentável que vem prejudicando a indústria há uma década”, mantido apenas pelo “dinheiro infinito” da Microsoft.

Apesar disso, Phil Spencer, chefe do Xbox, já declarou diversas vezes que o serviço é, sim, lucrativo. E não há motivo para duvidar disso - pelo menos até certo ponto. Com um valor de mercado de US$ 3,7 trilhões, é de se esperar que a Microsoft saiba como funciona sua própria contabilidade. Ainda mais porque distorções nesse tipo de informação poderiam colocar a empresa em apuros com acionistas e até com a SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA.

A Microsoft tem controle mês a mês da receita do Game Pass com assinaturas e do índice de cancelamentos. Esses dados são cruciais para justificar a sustentabilidade do modelo. Porém, há nuances importantes a considerar.

E a canibalização de vendas?

O jornalista Chris Dring, editor-chefe do site The Game Business, publicou recentemente que a própria Microsoft revelou que não considera a perda de receita com vendas de jogos first-party nas análises de lucratividade do Game Pass. Isso contradiz diretamente o que era dito nos primeiros anos do serviço - quando a empresa alegava que ele até impulsionava as vendas por meio do boca-a-boca.

Essa visão mudou. A Microsoft reconheceu em tribunal que o Game Pass prejudica as vendas de jogos no varejo. Um exemplo foi o desempenho morno de DOOM: The Dark Ages no Steam, mesmo com a empresa afirmando que o jogo atingiu 3 milhões de jogadores “7 vezes mais rápido” que DOOM Eternal - o que pode ser visto como uma admissão indireta da canibalização de vendas.

Mas há controvérsia. Fontes internas da Microsoft afirmam que o cálculo de lucratividade do Game Pass leva sim em conta a perda estimada de vendas, com previsões por título, considerando as versões de Xbox, PC e até PlayStation. Esses dados são combinados com métricas de engajamento e retenção dentro do Game Pass. O resultado é incorporado às planilhas de lucros e perdas da divisão.

Entretanto, esse tipo de análise só é feito após o lançamento. Os custos totais de desenvolvimento, por exemplo, não são atribuídos ao Game Pass no momento do investimento - a menos que o jogo seja exclusivo do serviço. Nesse cenário, colocar os custos inteiros de títulos como Call of Duty ou DOOM no balanço do Game Pass não faria sentido.

O futuro do Game Pass

Após críticas, o próprio Chris Dring voltou atrás em parte de suas declarações. Ainda assim, o debate continua. O modelo gira em torno de alcançar usuários que jogam apenas 1 ou 2 games por ano - o padrão de comportamento antes e depois do surgimento do serviço. Se esses usuários mantêm a assinatura por meses, já estão gerando lucro acima da média.

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A Microsoft tem ajustado a oferta do serviço constantemente: aumentou os preços, removeu jogos Day One dos planos mais baratos e vem tentando garantir a sustentabilidade. Game Pass é hoje o maior diferencial competitivo do Xbox frente a rivais como PlayStation e Steam. Abandoná-lo seria jogar no campo dos concorrentes, sem vantagem alguma.

Com o lançamento do próximo console Xbox = que será ainda mais próximo de um PC - é esperado que o Game Pass evolua novamente. Talvez, inclusive, o acesso ao multiplayer deixe de exigir pagamento extra. Mas isso ainda está por vir.

O risco de se tornar o “Spotify dos games”

Se o Game Pass realmente canibalizar todas as vendas, corremos o risco de transformar os jogos em produtos de consumo passivo - como aconteceu com a música no Spotify. Por outro lado, se não crescer o suficiente, o preço terá de subir até que deixe de valer a pena para o consumidor.

E há ainda o fator humano. Será que os jogadores vão se acostumar a não comprar mais jogos, mesmo fora do Xbox? Será que isso não tornaria ainda mais fácil abandonar a plataforma da Microsoft e migrar para concorrentes?

Phil Spencer já afirmou que o Game Pass não é para todos. E, sinceramente, esperamos que nunca precise ser.

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