“É Aqui Que o Jogo Realmente Começa” – O Homem por Trás das Capas Mais Icônicas da História da Nintendo !!

Poucos nomes no mundo dos games carregam tanto peso quanto o de Shigeru Miyamoto, Gunpei Yokoi ou Hideo Kojima. Mas tem um outro, quase secreto, que foi tão importante quanto eles pra definir o que sentimos ao olhar pra uma prateleira de jogos da Nintendo nos anos 80 e 90. O nome dele? Tim Girvin.

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 E se esse nome não soa familiar, pode apostar: você já viu o trabalho dele milhares de vezes.

Tim Girvin é o designer e estrategista visual que ajudou a criar a identidade visual da Nintendo of America. O homem que deu forma e alma às embalagens do NES, Game Boy, SNES e até do misterioso Virtual Boy. Ele foi, basicamente, o “arma secreta” da Nintendo pra transformar consoles e cartuchos em sonhos palpáveis.

Em uma conversa incrível com a revista Time Extension, Girvin abriu o coração e contou histórias de bastidores sobre como ele ajudou a Nintendo a brilhar - não só nos games, mas nas prateleiras das lojas, nas vitrines dos shoppings e até na imaginação dos jogadores.

O Início de Tudo: De Biólogo Frustrado a Mago do Design

Tim Girvin cresceu em Spokane, Washington, e parecia destinado a seguir uma carreira científica. Chegou a estudar biologia marinha na Flórida, mas desistiu quando percebeu que não suportava as vivissecções - o ato de dissecar animais vivos. Foi aí que ele teve uma epifania. Um professor, impressionado com seus desenhos nos cadernos de laboratório, o incentivou a seguir pelo caminho do design e da caligrafia.

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Essa virada de chave mudou tudo. Girvin mergulhou na arte medieval, caligrafia e tipografia, e logo começou a dar aulas de design e abrir pequenos negócios em Washington. Um deles era o Girvin Strategic Branding & Design, que existe até hoje e que, anos depois, chamaria a atenção de ninguém menos que Minoru Arakawa, presidente da Nintendo of America.

A Primeira Missão: Um Cartão de Natal com Mario

A história começa com um simples pedido: um cartão de Natal. Arakawa queria um cartão especial para enviar aos parceiros e funcionários da Nintendo, e chamou Girvin pra cuidar disso. Ele criou um design com Mario dançando sobre uma caligrafia desenhada à mão, tudo impresso em tinta metálica. O resultado ficou tão incrível que o CEO ficou impressionado - e o convite pra algo muito maior veio logo depois.

Girvin propôs uma revolução visual: dar uma identidade coesa, vibrante e reconhecível aos produtos da Nintendo. Até então, o design das caixas do NES era meio solto, sem um padrão claro. Ele viu ali uma oportunidade de ouro.

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“Eu quis criar algo que fizesse o jogador olhar pra caixa e pensar: ‘É aqui que o jogo realmente começa’”, contou ele.

O DNA Visual do NES: Preto, Azul e Vermelho - As Cores de uma Era

O design que Girvin criou pro Nintendo Entertainment System se tornou lendário. As caixas pretas com o fundo azul-espacial e o logo vermelho no topo, com o texto “Nintendo Entertainment System” em uma faixa vermelha marcante, viraram símbolo de uma nova era. Era futurista, misterioso, elegante.

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Cada detalhe foi pensado: o uso do preto pra transmitir tecnologia e sofisticação, o azul pra dar profundidade e o vermelho pra gritar “Nintendo” nas prateleiras. Foi um golpe de mestre. E o mais curioso: a ideia também era corrigir os erros da Atari, que costumava mostrar ilustrações enganosas nas caixas - belas pinturas que nada tinham a ver com os gráficos reais dos jogos.

Girvin queria o oposto: “Mostrar o jogo como ele realmente é, mas fazê-lo parecer algo épico”, explicou.

Zelda, Mario e o Poder da Iconografia

Um dos momentos mais fascinantes do trabalho de Girvin foi a criação das capas de The Legend of Zelda e Super Mario Bros. 3. Enquanto o Japão usava ilustrações cheias de personagens em estilo anime, Girvin quis que o público americano visse símbolos. Algo que gritasse “aventura”, mesmo sem mostrar um rosto.

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Foi assim que nasceu a lendária capa dourada de The Legend of Zelda, com o brasão prateado mostrando os itens do jogo - a chave, o coração e o escudo. Um design simples, mas tão poderoso que virou marca registrada da franquia até hoje.

Game Boy: O Futuro em Suas Mãos

Se o NES foi o primeiro passo, o Game Boy foi o momento em que Girvin mostrou toda sua genialidade.
Ele criou a capa norte-americana com aquele visual tron-like, com mãos brilhando enquanto seguram o portátil sobre uma grade de energia futurista. “Era um aparelho de alta tecnologia, e eu quis transmitir isso visualmente”, explicou.

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Até o logo “Game Boy” foi redesenhado por ele - com letras inclinadas, espaçamento perfeito e uma energia que parecia estar em movimento. O objetivo era um só: fazer o Game Boy parecer o futuro nas suas mãos.

E deu certo. O portátil vendeu milhões, superando todas as expectativas de Arakawa - e muito antes do prazo.

O Segredo do Sucesso: Clareza, Emoção e Reconhecimento Instantâneo

A grande sacada de Girvin era entender o que poucos designers conseguiam naquela época: o equilíbrio entre arte e função. “Meu foco sempre foi destacar-se”, disse ele. “A velocidade com que o consumidor reconhece o produto é o que faz a diferença entre vender e ser ignorado.”

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Ele desenvolveu um sistema visual completo: cores consistentes, tipografia marcante, iluminação dramática nas fotos e uma linguagem visual coesa em todos os produtos Nintendo. Era algo novo, ousado e, acima de tudo, icônico.

Entre o Japão e o Ocidente

Trabalhar com a Nintendo of America significava também reinterpretar o material vindo do Japão. Enquanto os japoneses focavam em personagens e cores vibrantes, o público americano respondia melhor a designs mais limpos e simbólicos. Girvin se tornou o elo entre esses dois mundos.

“Nos EUA, a prioridade era o impacto na prateleira. No Japão, era a emoção do personagem. Eu tive que unir os dois”, contou.

Um Legado que Vive Até Hoje

Mesmo décadas depois, as ideias de Girvin ainda moldam a Nintendo. O foco em clareza, emoção e identidade de marca continua presente nas caixas do Switch, nos trailers, nos comerciais e até nas vitrines digitais.

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Hoje, Tim Girvin segue trabalhando com marcas globais, mas ainda se emociona ao falar da época em que Mario e Zelda eram apenas sonhos em cartuchos. Seja nos corredores de um shopping dos anos 80 ou nas coleções dos fãs atuais, seu trabalho continua nos lembrando do mesmo sentimento que ele quis transmitir lá atrás: “É aqui que o jogo realmente começa.”

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