Hideki Kamiya nunca foi exatamente conhecido por aceitar as coisas do jeito que vêm. Seja criando Bayonetta, dando vida a Okami ou tretando na internet, o diretor sempre deixou claro que prefere fazer tudo do seu próprio jeito. E agora, curiosamente, essa teimosia foi direcionada ao… D-pad do Switch 2.
Em uma entrevista recente ao site japonês 4Gamer, Kamiya contou a saga quase artesanal que viveu só para conseguir jogar o novo console da Nintendo do jeito que considera correto. E sim, envolve lixa, modificação física e muito amor por controles clássicos.
O Switch 2 que virou presente à força
Kamiya revelou que conseguiu comprar um Switch 2 logo no lançamento, em 5 de junho, graças a um sorteio. Só que a alegria durou pouco. Ao comentar a conquista com a sobrinha, o console foi imediatamente confiscado. Resultado: o Switch 2 ficou “preso” na casa dela até que Kamiya conseguisse comprar outro para devolver o primeiro.
Só então o console finalmente voltou para suas mãos.
O problema: Joy-Con sem D-pad
Quando finalmente começou a usar o Switch 2, veio a frustração. Segundo Kamiya, mesmo em “uma era de diversidade”, a Nintendo segue se recusando a oferecer oficialmente um Joy-Con com D-pad tradicional, algo que já incomodava desde o Switch original. Para alguém que gosta de jogar deitado, usando apenas os Joy-Con, isso simplesmente não funciona.
No Switch 1, ele conseguiu contornar a situação com acessórios de terceiros que traziam o bom e velho direcional. Assim, manteve sua rotina diária de jogar uma partida de Tetris 99 por dia, sem sofrimento. Mas o Switch 2 mudou levemente o layout dos botões. E aí, nada encaixava direito.
A solução: modding na raça
Em vez de reclamar apenas nas redes sociais, Kamiya decidiu agir. Ele comprou novamente um mini grip com D-pad da Cyber Gadget, originalmente feito para o Switch 1, e partiu para a solução mais Kamiya possível: lixar, adaptar e modificar manualmente o acessório para que funcionasse no Switch 2.
Depois de ajustes físicos e improvisos dignos de bancada de modelismo, nasceu o que ele chama, meio em tom de piada, de seu próprio “Joy-Con 2 com D-pad”. Com isso, finalmente conseguiu jogar títulos da linha Arcade Archives 2 do jeito que considera ideal.
Mais paixão por plástico do que por pixels?
No fim do relato, Kamiya faz uma autocrítica bem-humorada. Segundo ele, o fato de falar sobre games e acabar contando uma história de artesanato talvez prove que, naquele momento, estava mais empolgado em mexer com plástico do que em jogar videogame propriamente dito.
Mas, convenhamos: isso diz muito sobre quem ele é.
Um recado indireto para a Nintendo
A história toda soa quase como um pedido silencioso. Ou talvez nem tão silencioso assim. Existe um público fiel, especialmente entre fãs de jogos retrô, arcade e clássicos, que ainda sente falta de um D-pad de verdade nos Joy-Con. E se até alguém como Hideki Kamiya precisou pegar lixa e adaptar acessórios na marra, talvez seja um sinal de que essa demanda ainda não foi totalmente atendida.
Enquanto isso, Kamiya segue jogando do jeito dele. Nem que precise construir o controle com as próprias mãos.
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