A Naughty Dog voltou ao centro de uma discussão delicada na indústria. De acordo com uma nova reportagem de Jason Schreier, da Bloomberg, o estúdio estaria exigindo horas extras obrigatórias da equipe que trabalha em Intergalactic: The Heretic Prophet, novo projeto anunciado recentemente.
Segundo a apuração, a pressão começou em outubro, quando funcionários passaram a ser orientados a trabalhar ao menos oito horas extras por semana, registradas em uma planilha interna. A justificativa seria compensar atrasos causados por prazos perdidos, tudo isso para preparar uma demonstração do jogo que será avaliada pela Sony, empresa-mãe do estúdio.
Volta ao escritório e limite de 60 horas
Ainda de acordo com Schreier, os funcionários foram instruídos a não ultrapassar 60 horas semanais, um detalhe que, por si só, já diz bastante coisa. Além disso, houve uma mudança no regime de trabalho: durante esse período, a Naughty Dog teria exigido o retorno ao escritório cinco dias por semana, acima dos três dias adotados anteriormente.
Essa decisão teria causado impacto direto na vida pessoal de parte da equipe, com relatos de desenvolvedores correndo atrás de novos arranjos para cuidados com filhos e até animais de estimação.
Fontes que falaram sob anonimato demonstraram preocupação com o cenário. O principal receio é simples e inquietante: se já existe crunch obrigatório com o jogo ainda a cerca de 18 meses do lançamento, o que vem pela frente? Vale lembrar que Intergalactic está previsto para chegar apenas em meados de 2027.
Silêncio do estúdio
Até o momento, nem a Sony nem a Naughty Dog comentaram oficialmente sobre as informações reveladas pela Bloomberg. O silêncio, claro, só alimenta ainda mais o debate em torno de práticas de trabalho na indústria AAA, especialmente em estúdios historicamente associados a produções ambiciosas e ciclos de desenvolvimento intensos.
A Naughty Dog já enfrentou críticas semelhantes no passado, principalmente durante o desenvolvimento de The Last of Us Part II. O caso de Intergalactic reacende uma conversa que nunca deixou de existir: até que ponto a busca por excelência justifica a pressão constante sobre quem cria esses jogos?
E você, como enxerga essa situação? Crunch “controlado” é aceitável ou o problema continua sendo o mesmo, só com outra embalagem?
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