A novela das gigantes do entretenimento ganhou um capítulo daqueles: a Netflix acaba de vencer a guerra de lances e agora está em negociações exclusivas para adquirir a Warner Bros. Discovery. Sim, isso mesmo. A dona de Stranger Things pode se tornar a dona de Harry Potter, DC, HBO e tudo mais.
Segundo fontes próximas às discussões, a Netflix ofereceu US$ 30 por ação pelos ativos de estúdio e streaming da WBD - e ainda topou um break-up fee de US$ 5 bilhões, igual ao que a Paramount havia colocado na mesa. Agora, a gigante do streaming lidera oficialmente a corrida, deixando para trás Paramount e Comcast. O valor final? US $ 82,7 bilhões (valor de capital de US $ 72,0 bilhões)
A WB Games está incluída na aquisição da Netflix, de acordo com um porta-voz da Warner Bros Discovery. Isso coloca estúdios como NetherRealm, TT Games, Rocksteady e sua série Batman Arkham sob a Netflix, mas a licença da DC permanece com a DC. Qualquer jogo futuro do Batman ainda exigiria aprovação separada da DC.
Um plot twist digno de Hollywood
O mais curioso é que, há dois meses, o próprio co-CEO da Netflix, Greg Peters, tinha dado aquela alfinetada básica, dizendo que fusões gigantes “não têm um histórico incrível”. E, mesmo assim, o jogo virou. Depois de três rodadas de ofertas, a Netflix saiu vitoriosa.
Representantes de ambas as empresas ainda não comentaram, mas o movimento abre caminho para algo que parecia improvável: a empresa que sonhava ser como a HBO pode, ironicamente, se tornar dona da HBO.
Se o acordo for fechado, a Netflix ganha acesso a uma das maiores bibliotecas de IP do planeta - Harry Potter, DC Universe, Looney Tunes, Game of Thrones, Friends, Rick and Morty e muito mais. Isso mudaria o tabuleiro da indústria de entretenimento de uma forma que não vemos há décadas.
Mas tem pedra no caminho: reguladores
Apesar do lance agressivo, o negócio não será simples. A compra teria que passar por um escrutínio pesado dos órgãos reguladores dos EUA.
• O Departamento de Justiça deve analisar o negócio com lupa.
• O congressista Darrell Issa já avisou em carta formal que vê risco antitruste capaz de prejudicar consumidores e profissionais da indústria.
• O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, também já deu sinais de que é contra qualquer consolidação envolvendo a WBD.
O tamanho da operação e o impacto sobre produção, cinema e streaming fazem dessa aquisição um caso totalmente fora da curva - e potencialmente demorado para aprovar.
A turbulência já afetou o mercado: as ações da Netflix caíram 5% ontem, quando investidores perceberam que o acordo era mais real do que nunca.
O clima esquentou entre os concorrentes
Antes da vitória da Netflix, o clima ficou pesado. A Paramount enviou uma carta afirmando que o processo estava “contaminado por conflito de gestão” e que a WBD parecia já ter escolhido um vencedor desde o início.
A companhia de David Ellison, que queria comprar toda a WBD, ainda pode tentar levar sua proposta diretamente aos acionistas - mesmo que provavelmente não consiga igualar a oferta da Netflix.
Mas a Paramount argumenta que, ao menos, ela conseguiria fechar o negócio mais rápido que a rival.
E o que acontece agora?
Com as negociações exclusivas em andamento, a Netflix está a um passo de realizar a maior aquisição da sua história - e talvez uma das maiores do entretenimento moderno.
Se o acordo for aprovado, veremos uma reconfiguração gigante no mercado, com impacto direto em:
• produção de séries e filmes,
• concorrência entre streamings,
• distribuição de conteúdo,
• e até a presença da Netflix no cinema tradicional.
Por enquanto, é esperar os próximos capítulos… mas já dá pra dizer que estamos diante de um dos movimentos mais ousados da história da mídia.
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