“Sonic Foi Terrivelmente Polêmico”: Mark Cerny Revela Por Que Yuji Naka Deixou a Sega Mesmo Após Criar o Maior Sucesso da Empresa !!

Mark Cerny já passou por praticamente todos os cantos importantes da indústria - Atari, Crystal Dynamics, Universal, Naughty Dog, Insomniac e Sony. Mas poucas fases da carreira dele foram tão intensas (e caóticas) quanto seu tempo trabalhando dentro da Sega lá no Japão dos anos 80, bem na época do Master System.

Em uma entrevista deliciosa ao podcast My Perfect Console, de Simon Parkin, Cerny abriu o jogo sobre os bastidores do nascimento de Sonic the Hedgehog. E olha… não era nada bonito como a gente romantiza hoje.

O Projeto “Vender 1 Milhão”

Antes de Sonic, a Sega tentava enfrentar a Nintendo pelo volume: lançar jogos rápido, barato e em quantidade. Só que o então presidente Hayao Nakayama teve uma “ideia genial”: criar um jogo que vendesse 1 milhão de cópias. E esse jogo seria Sonic.

O problema é que isso mudava tudo. Um projeto que normalmente teria “três pessoas, três meses”, segundo Cerny, virou algo muito maior - e muito mais caro. O time estourou prazos, orçamento, e a pressão dentro da empresa explodiu.

Mesmo com o sucesso gigantesco, o clima para quem estava por trás do ouriço azul era… péssimo.

Yuji Naka: sucesso absoluto, salário baixíssimo e broncas constantes

Cerny explica que, mesmo depois de entregar o maior hit da Sega, Yuji Naka ganhava cerca de US$ 30 mil por ano. Isso depois de meses de estresse e cobrança absurda. Nakayama até ofereceu um bônus, mas que dobraria seu salário apenas naquele ano - o que não chegava nem perto do valor real que seu trabalho merecia.

Resultado?
Naka pediu demissão logo após o lançamento de Sonic.

A Corrida Maluca Para Fazer Sonic 2

Sem Naka no Japão e com o designer Hirokazu Yasuhara já a caminho dos EUA, a Sega precisou montar às pressas uma equipe americana para criar Sonic 2. Só que a própria Sega não parecia acreditar muito no sucesso do personagem.

Cerny conta que, assim que montou o time, Sega of America respondeu com:

“Não, não, não… é muito cedo pra Sonic 2. Façam outro jogo antes.”

Esse discurso durou exatamente até os relatórios de vendas do Natal. Depois disso, Sonic virou prioridade máxima - tarde demais para evitar o caos que se instaurou nos bastidores.

Trabalhar com Nakayama: brilhante, mas quase insuportável

Cerny conta que Nakayama entendia de jogos como poucos. O problema era… tudo o resto.

Pressão extrema, cobranças impossíveis, zero paciência. Ele dá um exemplo perfeito: logo após gastar US$ 100 mil apenas para montar o Sega Technical Institute nos EUA (quantia insuficiente até para começar um jogo na época), Nakayama foi visitar o estúdio e perguntou:

“Por que vocês ainda não lançaram nenhum jogo?”

Era impossível. Mas esse era o padrão.

O estresse foi tão grande que Cerny diz que precisou parar de tomar café por causa de dores no estômago - e voltou a beber um mês depois que saiu da empresa.

Naka nos EUA: salário melhor, convivência difícil

Quando Naka finalmente aceitou voltar, agora no STI nos Estados Unidos, chegou ganhando mais… mas trazendo também sua fama de gênio temperamental.

Artistas da época o descrevem como “arrogante” e difícil de trabalhar, especialmente com ocidentais. Ainda assim, Sonic 2 nasceu dessa mistura de pressão, genialidade e caos absoluto.

No fim das contas… deu tudo certo?

Para os fãs, sim - ganhamos dois dos maiores clássicos da história dos videogames.

Para quem estava lá dentro?
Bem, essa é outra história.

Cerny resume tudo com honestidade:

“Sete anos disso foi o suficiente.”

E ainda assim, ele fala de Nakayama com respeito - reconhecendo que sua visão moldou a Sega e seus arcades - mas deixa claro que sobreviver àquele ambiente não era para qualquer um.

A entrevista completa está disponível no podcast My Perfect Console, e vale cada minuto.

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