Dragon Quest VII é um daqueles jogos que todo mundo respeita. Um épico gigantesco, cheio de ideias brilhantes, histórias memoráveis e uma estrutura narrativa única dentro da série. Mas vamos ser honestos entre nós aqui: até quem ama o jogo sabe que ele também é cheio de problemas. E o principal deles sempre foi o mesmo… o ritmo.
Quem admite isso sem rodeios é Takeshi Ichikawa, produtor da Square Enix e o homem responsável por conduzir Dragon Quest VII Reimagined até o lançamento. E a confissão dele já começa conquistando qualquer fã veterano.
“Quando o original foi lançado, eu estava no ensino fundamental. Foi o primeiro Dragon Quest numerado que joguei”, conta Ichikawa. Currículo perfeito pra um remake, certo? Só que vem o plot twist. “Mas como a introdução era famosa por ser extremamente longa… eu fui uma das pessoas que desistiu e largou o jogo no meio.” Pronto. Em uma frase, ele mostrou que entende exatamente o problema.
Um clássico brilhante… e exaustivo
Dragon Quest VII sempre teve uma estrutura curiosa. Em vez de uma narrativa linear tradicional, o jogo funciona quase como uma coletânea de pequenas histórias. Você navega pelos mares, chega a ilhas isoladas e vive ali um drama próprio, fechado em si, que aos poucos vai se conectando a uma trama maior.
É uma ideia linda no papel. Em alguns momentos, lembra até o sentimento de descobrir épocas diferentes em Chrono Trigger, só que trocando o tempo por geografia. Não chega no mesmo nível de amarração narrativa, mas flerta com essa magia em vários pontos.
O problema é que tudo isso vem embalado num jogo absurdamente longo, com um começo lento demais e uma progressão que muitas vezes parece não respeitar o tempo do jogador. Não à toa, muita gente nunca passou da introdução. Nem no original, nem na versão de Nintendo 3DS.
E é justamente aí que nasce o Reimagined.
Preservar a alma, consertar o ritmo
Segundo Ichikawa, o objetivo nunca foi “simplificar” Dragon Quest VII, mas sim torná-lo mais denso, direto e fluido, sem perder sua identidade. “Nossa meta foi preservar a atmosfera e o sentimento do original, mas tornar a experiência mais ágil, rica e concentrada”, explica. Para isso, a equipe focou em três pilares bem claros: visual, narrativa e batalhas.
Um visual novo, mas fiel a Toriyama
O novo estilo artístico chama atenção logo de cara. Os personagens agora têm proporções menores, quase como bonecos ou figuras de ação. É fofo, estilizado e… surpreendentemente coerente com Dragon Quest VII. Ichikawa faz questão de lembrar que isso não veio do nada.
“Os designs do Akira Toriyama para DQ7 já eram naturalmente mais curtos e ‘chibi’ do que em outros jogos da série. Queríamos enfatizar exatamente isso.” E o processo foi além do digital. A equipe literalmente criou bonecos físicos dos personagens, que depois foram escaneados para virar os modelos do jogo.
“Não foi nada simples. No começo, surgiram vários erros e problemas de animação. Mas acreditávamos que só criando os bonecos de verdade conseguiríamos o nível certo de textura e presença.” Pode parecer exagero, mas o resultado final passa aquela sensação tátil, quase artesanal, que combina muito com a proposta do jogo.
Reorganizando a história… com cuidado cirúrgico
Aqui mora a parte mais delicada. Dragon Quest VII Reimagined removeu ilhas e histórias inteiras do jogo. Sim, isso vai causar arrepio em alguns fãs. Mas, segundo Ichikawa, nada foi feito no impulso. “O original é uma coleção de histórias curtas. Para tornar a narrativa mais fácil de acompanhar, reorganizamos alguns episódios. Outros viraram conteúdo opcional, para o jogador decidir quando e como vivê-los.”
Mais do que mover peças, o time reconstruiu o roteiro do zero, buscando a forma mais eficiente de contar essa história gigantesca. Para compensar os cortes, novas histórias e episódios de fundo foram adicionados, aprofundando personagens que antes ficavam meio jogados.
Tudo isso foi feito em colaboração direta com Yuji Horii, criador da série, revisando cada história individualmente. Ou seja: não é um corte por corte. É uma reconstrução pensada.
Combate mais rápido, escolha nas mãos do jogador
No combate, o Reimagined mantém uma decisão acertada da versão de 3DS: inimigos visíveis no mapa, nada de encontros aleatórios cegos. Isso muda tudo. “Por ser um jogo tão longo, esse sistema dá escolha ao jogador. Quer focar na história? Dá pra evitar batalhas. Quer grindar? Os inimigos estão ali.”
Além disso, o jogo traz velocidade ajustável de batalha, auto-battle e até a possibilidade de derrotar inimigos fracos direto no mapa, sem entrar na tela de combate. Já os chefes seguem o caminho oposto: mais profundos, mais táticos, com novos ataques especiais, habilidades Burst e combinações avançadas de classes.
A ideia é simples e inteligente: batalhas comuns rápidas, chefes memoráveis.
Um remake que entende o que precisava mudar
Depois de testar uma versão preliminar, fica claro que Dragon Quest VII Reimagined tenta algo difícil: melhorar um clássico sem quebrá-lo. Não é só polir gráfico ou facilitar tudo. É reconhecer onde o jogo falhava e agir exatamente ali. “Estamos desenvolvendo a versão definitiva de Dragon Quest VII”, afirma Ichikawa.
Agora, a bola vai para o campo dos fãs. Dragon Quest VII Reimagined chega em 5 de fevereiro de 2026 para Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Steam e Microsoft Store). Resta saber se essa nova versão finalmente permitirá que mais pessoas cheguem até o fim dessa jornada lendária… sem desistir no caminho.
Comentários